<?xml version="1.0" encoding="iso-8859-1"?>
<rss version="2.0">
  <channel>
    <title>Laurentino Gomes</title>
    <link>http://www.laurentinogomes.com.br/</link>
    <description></description>
    <language>pt-br</language>
    <copyright>© 2012 - Laurentino Gomes | Todos os direitos reservados.</copyright>
    <item>
      <title>D. Pedro a cavalo na minha janela!</title>
      <pubDate>Fri, 30 Dec 2011 21:07:54 -0200</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=214</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[Chego a Portugal para passar o reveillon com Cristina e José Norton, casal de amigos portugueses, ambos escritores e autores de romances históricos ambientados na época da fuga da corte de D. João para o Brasil. Na terça, sigo para o campus da Penn State, a Universidade Estadual da Pensilvânia, nos Estados Unidos, onde passarei o ano de 2012 em pesquisas para o meu próximo livro, “1889”, sobre a Proclamação da República, que pretendo lançar em 2013. Antes, faço uma rápida escala na cidade do Porto, cenário dos capítulos finais da minha última obra, “1822”, nos quais narro a abdicação de D. Pedro I, em 1831, e sua volta a Portugal para enfrentar o irmão, D. Miguel, na mais sangrenta guerra civil de toda a história portuguesa.<BR/>...<BR/>Na chegada ao Porto, uma dessas inusitadas coincidências da vida. Pela internet, Carmen, minha mulher, tinha reservado um hotel situado na Praça da Liberdade, região central da cidade. Nem me dei conta do endereço. Ao abrir as cortinas pela manhã, no entanto, quem descubro bem em frente à minha janela? D. Pedro IV de Portugal, ou seja, o nosso D. Pedro I do Brasil. É ele quem aparece a cavalo em uma estátua situada na extremidade sul da praça, erguida em sua homenagem pelos portuenses em 1866 e em cuja base se lê: “A D. PEDRO IV – A CIDADE DO PORTO”. Impossível fechar o ano de forma mais marcante! D. Pedro é o personagem principal do meu último livro e com o qual andei às voltas nos últimos meses em uma maratona de aulas, palestras e entrevistas no Brasil e em Portugal. <BR/>...<BR/>A atual Praça da Liberdade no Porto chamava-se antigamente Praça Nova. Foi palco de um dos acontecimentos mais dramáticos da guerra civil portuguesa: o enforcamento de dez chefes liberais no dia sete de maio de 1829. Depois de executados em dois patíbulos erguidos nas proximidades do local onde está hoje a estátua de D. Pedro, os mortos tiveram suas cabeças decepadas e expostas por vários dias nas cidades do Porto, Feira, Aveiro e Coimbra.<BR/>...<BR/>Após abdicar ao trono brasileiro, no dia Sete de Abril de 1831, D. Pedro I retornou à Europa, onde assumiu o título de Duque de Bragança e o comando das forças liberais que lutavam contra o irmão D. Miguel. Seu pequeno e mal equipado exército partiu do Arquipélago dos Açores e desembarcou na cidade do Porto em Oito de julho de 1832. O local escolhido para o desembarque foi Arnosa de Pampelido, uma praia de areias grossas batida pelo vento situada na localidade de Mindelo, alguns quilômetros ao norte do Porto, onde hoje se ergue um obelisco em homenagem ao primeiro imperador brasileiro. No Porto, D. Pedro enfrentou o terrível cerco das tropas miguelistas até o final do ano seguinte, quando, finalmente, conseguiu reverter o curso da guerra, tomar Lisboa e depor o irmão, que havia usurpado o trono português. O preço que pagou, no entanto, foi alto. D. Pedro morreu alguns meses após o final do conflito, em setembro de 1832.<BR/>...<BR/>Em sinal de gratidão pela resistência dos moradores durante a guerra civil, antes de morrer D. Pedro determinou que seu coração fosse doado à cidade do Porto. O órgão está hoje depositado numa ânfora de cristal mantida pela irmandade da Igreja da Lapa. Os demais restos mortais foram transferidos para o mausoléu do Ipiranga em 1972, durante as comemorações do Sesquicentenário da Independência. D. Pedro é, portanto, um soberano que mesmo depois de morto continua dividido entre Brasil e Portugal, os dois países pelos quais lutou durante seus breves 35 anos de vida.<BR/>(Veja no meu Facebook as fotos da estátua de D. Pedro IV na Praça da Liberdade: http://www.facebook.com/media/set/?set=a.260173964046697.62333.196056300458464&type=1 )<BR/>]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>A maçonaria na Independência do Brasil</title>
      <pubDate>Fri, 09 Dec 2011 19:06:23 -0200</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=205</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[Com uma palestra esta semana na loja maçônica Estrela da Lapa nº 7, de São Paulo, encerrei a série de compromissos relacionados ao lançamento do meu último livro, “1822”. Foi uma autêntica maratona de viagens, iniciada em setembro de 2010, uma semana antes da chegada da nova obra às livrarias. Ao todo visitei cerca de 80 cidades brasileiras e portuguesas e fiz mais de cem palestras, aulas, bate-papos, sessões de autógrafos e outros eventos que me levaram ao encontro dos leitores.<BR/>...<BR/>Terminada esta jornada literária, concentro-me agora nas pesquisas do próximo livro, “1889”, sobre a Proclamação da República, que espero lançar em 2013. No próximo dia 27, embarco com a minha mulher, Carmen (também minha agente literária), para temporada de um ano de estudos e pesquisas nos Estados Unidos. Até dezembro de 2012 vamos morar no campus da famosa Penn State, a Universidade Estadual da Pensilvânia, situado na pequena cidade de State College, a duas horas de Nova York. Ali esperto terminar a leitura de mais de cem livros sobre O Segundo Reinado e a Proclamação da República que levo na bagagem e, se possível, avançar bastante na escrita do novo livro.<BR/>...<BR/>A palestra na loja Estrela da Lapa nº 7 tratou, obviamente, do papel da maçonaria na Independência, assunto de um capítulo inteiro no livro “1822”. Embora eu não seja maçom, tive a colaboração de diversos membros da maçonaria nas pesquisas desse último livro. Sou, portanto, grato a eles e às diversas lojas maçônicas no Brasil todo que tão generosamente tem acolhido o meu trabalho. Afinal, é quase impossível entender o processo de Independência do Brasil sem estudar o papel da maçonaria naquele período.<BR/>...<BR/>Em 1822, a maçonaria brasileira estava dividida em duas grandes facções. Ambas eram favoráveis à independência, mas uma delas, liderada no Rio de Janeiro pelo advogado Joaquim Gonçalves Ledo e o cônego Januário Barbosa, defendia ideias republicanas. A outra, de José Bonifácio de Andrada e Silva, acreditava que a solução era manter D Pedro como imperador em regime de monarquia constitucional. Esses dois grupos disputaram o poder de forma passional, envolvendo prisões, perseguições, exílios e expurgos. Havia ainda grupos mais extremados, que se batiam não só pela república, mas também pela federação e admitiam até uma eventual fragmentação territorial, caso de frei Joaquim Divino do Amor Divino Caneca, o Frei Caneca, líder e mártir da Confederação do Equador de 1824.<BR/>...<BR/>Por curiosidade e interesse em vigiar e controlar as diversas correntes políticas da época, D. Pedro participou ativamente das duas primeiras facções. Frequentava as lojas do grupo de Gonçalves Ledo reunidas no Grande Oriente do Brasil, mas também esteve na fundação do Apostolado da Nobre Ordem dos Cavaleiros de Santa Cruz, dissidência liderada por José Bonifácio. Em lugar de “lojas”, o Apostolado tinha “palestras”, batizadas significativamente de “Independência ou Morte”, “União e Tranquilidade” e “Firmeza e Lealdade”.<BR/>...<BR/>Nas lojas maçônicas foram estudadas, discutidas e aprovadas várias decisões importantes, como o manifesto que resultou no Dia do Fico (Nove de janeiro de 1822), a convocação da constituinte, os detalhes da aclamação de D. Pedro como “defensor perpétuo do Brasil” e, finalmente, como imperador, no dia 12 de outubro. “Imensa foi a contribuição da maçonaria para o movimento da Independência”, afirmou o historiador Octávio Tarquínio de Sousa. Numa época em que ainda não havia partidos políticos organizados, foi o trabalho das sociedades secretas que levou a semente da independência às regiões mais distantes e isoladas do território brasileiro. O historiador Manuel de Oliveira Lima diz que a maçonaria funcionou em 1822 como “uma escola de disciplina e de civismo e um laço de união entre esforços dispersos e dispersivos”. <BR/>...<BR/>No começo do século 19, a maçonaria era uma organização altamente subversiva, comparável ao que seria a internacional comunista no século 20. Nas suas reuniões, conspirava-se pela implantação das novas doutrinas políticas que estavam transformando o mundo. Cabia aos seus agentes propagar essas novidades nas “zonas quentes” do planeta. A mais quente de todas era, obviamente, a América que, depois de três séculos de colonização, começava a se libertar de suas antigas metrópoles e a testar essas novas ideias políticas implantando regimes até então praticamente desconhecidos, como a república.<BR/>...<BR/>As origens da maçonaria se perdem nas brumas do tempo. Na falta de documentos, as informações tem mais o aspecto de lenda do que de realidade comprovável. Entre os maçons, acredita-se que as sociedades secretas seriam herdeiras dos símbolos e códigos dos antigos construtores do Templo de Salomão, em Jerusalém, ou mesmo das pirâmides do Egito.<BR/>...<BR/>Os primeiros grupos maçônicos teriam surgido nos canteiros de obras da Idade Média, na construção das grandes catedrais que hoje deslumbram turistas e peregrinos. Os profissionais responsáveis por essas obras eram altamente qualificados, reunindo conhecimentos de arquitetura, engenharia, escultura, marcenaria, forja e carpintaria, entre outras qualificações, o que lhes assegurava remuneração e tratamento privilegiados. Para defender seus interesses, os mestres construtores se reuniam em guildas, associações precursoras dos atuais sindicatos que serviam também de escola, onde o conhecimento especializado era passado de uma geração para outra. Na Inglaterra, os locais das reuniões eram chamados de “lodges”, mais tarde traduzidos para o português como “lojas”.<BR/>...<BR/>Em 1717, ano oficial do nascimento da maçonaria, os quatro “lodges” de Londres se unificaram numa única Grande Loja. A primeira reunião se realizou em uma cervejaria chamada Goose and Gridiron, situada no pátio da catedral de Saint Paul. A esta altura, porém, os maçons não guardavam apenas segredos profissionais. Tinham uma agenda política. Empenhados em combater a tirania dos reis absolutos, lutavam contra a escravidão e por leis que assegurassem direito de defesa, liberdade de pensamento e de culto, participação no poder e ampliação das oportunidades para todos. Isso os colocava em confronto com a nobreza que até então comandava os destinos dos povos.<BR/>...<BR/>A maçonaria estaria por trás de virtualmente todas as grandes transformações ocorridas nos dois séculos seguintes. Na Revolução Francesa, cunhou o lema “liberdade, igualdade e fraternidade”. Em uma de suas lojas foi composta a Marselhesa, marcha revolucionária adotada depois como hino da França. Três libertadores da América Espanhola, Simon Bolívar, Bernardo O’Higgins e José de San Martin, frequentaram a mesma loja em Londres, a “Gran Reunion Americana”, situada 27 da Grafton Street. Seu fundador, o venezuelano Francisco de Miranda, tinha sido colega de George Washington, primeiro presidente americano, em uma loja maçônica da Filadélfia, nos Estados Unidos. <BR/>...<BR/><BR/>No Brasil, a Independência foi proclamada por um grão-mestre maçom, D. Pedro I. E a República, por outro, o marechal Deodoro da Fonseca. Entre 12 presidentes da Primeira República, oito eram maçons. O primeiro ministério era todo maçom, incluindo Rui Barbosa, Quintino Bocaiuva e Benjamin Constant. A passagem de D. Pedro pela maçonaria é meteórica. Pelo menos oficialmente. Iniciado na loja Comércio e Artes no dia 2 de agosto de 1822 com o nome de Guatimozim – em homenagem ao último imperador asteca – foi promovido ao grau de mestre três dias mais tarde e elevado ao posto máximo da organização, o de grão-mestre, dois meses depois. Exerceu a função por apenas 17 dias. Em 21 de outubro (uma semana depois da aclamação como imperador), mandou fechar e investigar as lojas que o haviam ajudado a proclamar a Independência. Quatro dias depois, sem que as investigações sequer tivessem começado, determinou a reabertura dos trabalhos “com seu antigo vigor”.<BR/>...<BR/>O comportamento aparentemente errático e contraditório do imperador em relação à maçonaria é uma prova de que a instituição esteve longe de funcionar como um corpo monolítico em 1822, decidindo de forma uníssona os destinos do país nas suas reuniões secretas. Na verdade, a maçonaria usou e foi usada pelos diferentes grupos de pressão na época da Independência, de acordo com as circunstâncias do momento. Foi, portanto, um elemento importante no poderoso jogo de pressões que se estabeleceu no momento em que o Brasil dava seus primeiros passos como nação independente, mas não o único e, talvez, nem o mais decisivo.]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>Como se tornar um grande escritor?</title>
      <pubDate>Wed, 07 Dec 2011 14:27:47 -0200</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=203</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[<p>Muitos leitores me escrevem pedindo conselhos. Sonham ser escritores. Alguns são bastante jovens, estudantes com idades entre 12 e 14 anos. Que conselhos poderia eu dar a pessoas de idade tão tenra, na qual a vida é ainda um oceano de possibilidades repleto de escolhas tão difíceis?<br /><BR/>...<br /><BR/>O primeiro conselho: leia muito.<br /><BR/>...<br /><BR/>Bons escritores são antes de tudo bons leitores. Só a leitura nos ajuda a dominar as ferramentas que a língua portuguesa oferece para que possamos escrever bem. Leia de tudo que puder, mas especialmente literatura brasileira: Machado de Assis, João Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade, Érico Veríssimo, Jorge Amado, Dalton Trevisan – há uma infinidade de grandes escritores que dominaram a língua portuguesa como ninguém e podem ser nossos professores, mesmo que alguns já tenham morrido.<br /><BR/>...<br /><BR/>Se puder, leia também os autores portugueses. José Saramago pode ser difícil para um leitor iniciante? Então, comece, por exemplo, por Miguel Sousa Tavares, autor do magistral “Equador”. Experimente os autores das ex-colônias portuguesas na África, em especial o moçambicano Mia Couto e o angolano José Eduardo Agualusa, meus amigos pessoais. A leitura dos autores de Portugal e África pode ser uma aventura fascinante, que nos ajuda a decifrar as sutilezas existentes nos dois lados do Atlântico no uso desse tesouro que é a nossa língua portuguesa.<br /><BR/>...<br /><BR/>A leitura também vai ensinar o gosto pela pesquisa. Estudar e pesquisar é um prazer inigualável. A pesquisa é a etapa mais lenta, mas também e mais divertida e fascinante no trabalho de construção de um livro. Gosto mais de ler do que de escrever. É uma experiência indescritível desvendar detalhes de um personagem ou acontecimento que eu desconhecia até iniciar a pesquisa sobre o tema. Às vezes sinto-me como um garimpeiro que, pacientemente, remexe o cascalho em busca de uma pepita de ouro. É assim que funciona a pesquisa. Às vezes, o detalhe mais interessante está escondido no meio de um parágrafo obscuro na segunda metade de um livro antigo.<br /><BR/>...<br /><BR/>Outra sugestão importante: procure ser organizado e disciplinado no trabalho como escritor. O processo de pesquisa e fechamento da edição dos meus livros é semelhante ao de uma redação de jornal ou revista, só com prazos mais alongados. O segredo da boa reportagem, e também do bom livro, está no planejamento. Jornalista ou escritor que não se planeja corre dois riscos opostos: ou trabalha demais ou trabalha de menos. Se você vai para a rua sem saber se a sua matéria será reportagem de capa, de apenas uma página ou uma coluna de uma revista, acaba apurando ou mais informação do que deve ou voltando para a redação com menos material do que o necessário. Aprendi isso a duras penas nesses trinta anos de carreira.<br /><BR/>...<br /><BR/>Ao começar a escrever um novo livro, eu planejo com detalhes todos os passos da pesquisa: quantas e quais obras e fontes terei de consultar, quem poderá me dar orientação sobre o tema, que lugares visitarei, quanto tempo cada uma dessas etapas do trabalho vai exigir. Para fazer o próximo livro, o 1889, sobre a Proclamação da República, já tenho pela frente uma bibliografia de mais de 150 livros sobre o Segundo Reinado e a Proclamação da República. Li até agora pouco mais de trinta. Estabeleci um prazo de um ano e meio para ler o restante. Em seguida, mais seis meses para escrever e outros três meses para editar o livro. E em geral cumpro esses prazos à risca. Acho uma pena que escritores se comprometam em prazos com as editoras e não consigam cumpri-los.<br /><BR/>...<br /><BR/>São conselhos simples, até óbvios, mas acho que podem ajudar muito esses jovens candidatos a escritores ao longo dessa bela caminhar que se propõem a realizar.</p><BR/>]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>Uma manhã na Biblioteca Mindlin</title>
      <pubDate>Thu, 24 Nov 2011 14:50:07 -0200</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=201</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[Durante mais de duas décadas freqüentei algumas bibliotecas famosas em busca de fontes para meus livros. Na cidade do Porto, visitei o Arquivo da Casa do Infante, situado na Ribeira do Douro, onde supostamente teria nascido o príncipe Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal. Em Lisboa, pesquisei na Biblioteca Nacional e na Biblioteca da Ajuda, onde estão guardados mais de cinco milhões de livros e documentos. No Rio de Janeiro, passei algumas tardes entre os vitrais coloridos de outra  Biblioteca Nacional, a brasileira, criada duzentos anos atrás por ninguém menos do que o príncipe regente D. João após a chegada da corte ao Brasil. Em Washington, usei por algumas semanas o crachá de pesquisador na Biblioteca do Congresso, sede do maior acervo bibliográfico do mundo. Nada, porém, se comparou à sensação de cruzar o portão daquela casa da Rua Princesa Isabel, no bairro do Brooklin, em São Paulo. Ali foi até recentemente o endereço da Biblioteca Mindlin, a mais famosa coleção particular de livros do Brasil. <BR/>...<BR/>Advogado, empresário de sucesso, fundador da indústria de autopeças Metal Leve, membro da Academia Brasileira de Letras, José Mindlin tinha pelos livros amor intenso e visceral. Dedicou a vida inteira a colecionar alfarrábios, mapas, gravuras, periódicos, manuscritos e documentos antigos. Neles gastou boa parte da fortuna que acumulou como empresário. Viajava o mundo todo em busca de edições originais de livros e, muitas vezes, pagou por elas cifras que poderiam soar escandalosas para uma pessoa que não compartilhasse sua paixão de bibliófilo. Entre suas preciosidades comprou um raríssimo exemplar do primeiro livro publicado no Brasil, A Relação da Entrada[...], por Antonio Isidoro da Fonseca, e os originais de cenas da vida urbana de Jean-Baptiste Debret e do relato do marinheiro Hans Staden, de 1557.<BR/>...<BR/>Freqüentei a Biblioteca Mindlin uma dezena de vezes no final de 2006, um ano antes da publicação do meu primeiro livro, 1808. Minhas visitas eram sempre pela manhã. A surpresa começava logo na entrada. Enquanto eu contornava a casa em meio ao jardim tropical, o ronco dos motores ia ficando lá fora, cada vez mais distante, dando lugar ao canto dos pássaros e ao zumbido das abelhas. A biblioteca estava situada nos fundos, junto ao muro coberto de heras –  uma construção moderna, de linhas discretas, em dois andares, sombreada por uma jabuticabeira. Ao abrir a porta, sentia-se o cheiro suave e inconfundível dos livros antigos. No total, 40 mil volumes, organizados por tema e ordem alfabética. Os corredores eram decorados com móveis antigos e imagens sacras.<BR/>...<BR/>Lá dentro imperava um silêncio religioso, quebrado de vez em quando pela voz das “três graças”, como Mindlin se referia às três mulheres que guardavam sua biblioteca. Elas o tratavam de “Dr. José”. Cristina Antunes era responsável pela catalogação. Rosana Gonçalves respondia pelo acervo de periódicos e de fotografias. Elisa Nasarian cuidava dos arquivos de terceiros, da correspondência e da agenda de Mindlin. “A gente mima ele aqui”, dizia. “Ele gosta de um chamego”.<BR/>...<BR/>Em uma daquelas visitas, sentei-me à mesa situada ao pé da escada que levava ao segundo andar. Cristina Antunes me trouxe um raríssimo livro de 1808, escrito por Manuel Vieira da Silva, médico e conselheiro particular de D. João VI. Entre as folhas amareladas pelo tempo, um bilhete escrito em letras miúda ajudava a entender o valor da obra: “Primeiro tratado de Medicina publicado no Brasil: de grande valor bibliográfico”. Era uma anotação de Rubens Borba de Moraes, parceiro de quarenta anos de Mindlin na arte e na aventura de colecionar, decifrar e saborear livros antigos. Na estante situada à minha esquerda havia um quadro com uma dedicatória: “Guita para José como prova de muito amor”. Era o projeto arquitetônico da biblioteca, que Mindlin ganhara da mulher, Guita, como presente de aniversário, em 1983. Foram parceiros e cúmplices na paixão pelos livros a vida toda. Guita morreu em junho de 2005. E, desde então, ele nunca mais foi o mesmo.<BR/>...<BR/>Às 10h, pontualmente, ouviam-se passos leves descendo a escada, um ritual que se repetia todos os dias. Aos 92 anos, lúcido e sempre bem humorado, o senhor da biblioteca estava chegando para mais uma jornada de trabalho. Vestia calça escura e camisa listrada de manga curta. As “graças” o recebiam com alegria e carinho. Elisa pegava o Estadão. Lia as chamadas de primeira página, os editoriais e a coluna política de Dora Kramer. Depois passava à leitura da correspondência: dezenas e dezenas de cartas, emails e convites para eventos, lançamentos de livros, concertos, peças teatrais e festas da sociedade paulistana. Sentado ao seu lado, Mindlin ouvia em silêncio e orientava as respostas. Em seguida vinha a parte mais interessante: os livros. As “graças” eram leitoras vorazes e estavam sempre bem informadas sobre os lançamentos importantes do mercado editorial. Ao contratar suas colaboradoras, Mindlin fazia uma única exigência: que lessem muito, o tempo todo.<BR/>...<BR/>Em 2006, míope e vítima de uma deformação na retina, o maior bibliófilo do Brasil já não conseguia ler sozinho. Mas continuava devorando livros com a ajuda das “graças”. Elas se revezavam na tarefa de diária de ler em voz alta para ele. A leitura daquela manhã foi Equador, romance histórico do jornalista português Miguel Souza Tavares. A cena era tocante: sentado no canto do sofá, imóvel, de olhos fechados, o corpo franzino, as mãos postas sobre os joelhos, Mindlin sorvia cada frase e cada palavra da voz de Cristina Antunes, que preenchia o silêncio da biblioteca. A sensação de prazer no seu rosto era indisfarçável – como se aquele fosse o último, o único, o melhor de todos os 8 000 livros que dizia ter lido na vida.<BR/>...<BR/>Mindlin faleceu em fevereiro de 2010, aos 95 anos. Um de seus últimos e sempre grandiosos gestos foi doar o tesouro bibliográfico para a Universidade de São Paulo. O prédio destinado a abrigá-lo tem linhas arquitetônicas arrojados e foi erguido em um dos locais de maior destaque no campus da USP. É um dos centros de pesquisa mais modernos do Brasil, com todo o riquíssimo acervo digitalizado e disponível pela internet. A tecnologia facilitará muito a vida dos futuros pesquisadores, mas dificilmente será possível reproduzir a experiência de adentrar naquele santuário enquanto seu criador ainda estava vivo. É ela que levo para sempre na memória.]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>15 de Novembro: a Proclamação da República</title>
      <pubDate>Tue, 15 Nov 2011 11:42:30 -0200</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=193</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[Encerrada a maratona de lançamento do “1822”, tenho me dedicado às pesquisas do próximo livro. Será “1889”, sobre a Proclamação da República. Essa é uma ideia que foi ganhando corpo desde o lançamento da minha primeira obra, “1808”. O objetivo é fechar uma trilogia com datas que explicam a construção do Brasil durante o século XIX, ou seja, 1808, ano chegada da corte de D. João ao Rio de Janeiro, depois 1822, data da Independência, e por fim 1889, que marca da proclamação da República. O estudo dessas três datas é fundamental para entender o Brasil de hoje. <BR/>...<BR/>O plano é lançar “1889” em 2013. Estou no começo das pesquisas, mas pretendo me manter fiel à fórmula que consagrou as duas obras anteriores, ou seja, pesquisa profundada aliada a uma linguagem jornalística acessível, fácil de entender. A bibliografia mapeada até agora envolve mais de 150 obras sobre o tema. É esse o trabalho que me espera no próximo ano e meio. Nesses últimos meses, no entanto, já venci algumas etapas importantes desse percurso, incluindo toda a obra do mineiro José Murilo de Carvalho, talvez o nosso maior especialista em Segundo Reinado e os primeiros anos da República. Também li “A República não esperou o amanhecer”, de Hélio Silva; “As Barbas do Imperador”, de Lilia Schwarcz; e “História da Queda do Império”, de Heitor Lira”, entre outros estudos que ajudam a iluminar o início da nossa tumultuada vida republicana.<BR/>...<BR/>Uma conclusão inevitável até agora: a proclamação da república brasileira foi resultado mais do esgotamento da monarquia do que do vigor dos ideais e da campanha republicanos. Incapaz de se reinventar e promover as reformas necessárias para atender as novas demandas geradas pela realidade brasileira, o império sucumbiu na manhã do dia 15 de novembro de 1889 em um golpe militar improvisado, sem participação popular e sem qualquer reação do próprio D. Pedro II, que parecia aceitar o rumo dos acontecimentos de forma passiva e resignada. “O povo assistiu a tudo bestializado”, escreveu o jornalista Aristides Lobo ao descrever os acontecimentos daquele dia no Rio de Janeiro.<BR/>...<BR/>A própria ideia de República não estava madura e os seus articuladores tinham pouca noção a respeito do que fazer com o país que herdavam do imperador. A abolição da escravatura, no ano anterior, tirou a base de apoio que a monarquia desfrutava na oligarquia rural brasileira. Os republicanos, que até então conseguiam precário apoio nas urnas, encontraram nos militares o elemento de apoio que lhes faltava. Havia enorme descontentamento nos quartéis desde o final da Guerra do Paraguai. Oficiais e soldados consideravam-se injustiçados pelo governo do império. Nada disso, porém, teria funcionado em 1889 caso a própria Monarquia já não estivesse corroída nas suas bases.<BR/>...<BR/>O império brasileiro caiu inerte, incapaz de mobilizar suas forças e reagir contra o golpe militar liderado pelo marechal Deodoro da Fonseca. Apesar de todas as evidências de uma conspiração em andamento, o imperador Pedro II permaneceu em Petrópolis até a tarde do dia 15 de Novembro. Ao chegar ao Rio de Janeiro, perdeu um longo e precioso tempo, acreditando ingenuamente que no final tudo ia voltar ao normal. “Conheço os brasileiros, isso não vai dar em nada”, disse naquele dia. Só na madrugada de 16 de Novembro, quando o governo provisório republicano já estava anunciado, é que D. Pedro reuniu seus conselheiros mais próximos e tentou organizar um novo ministério. Mas aí já era tarde.<BR/>...<BR/>Nas províncias, a única reação em favor da monarquia ocorreu na Bahia, surpreendentemente liderada pelo marechal Hermes Ernesto da Fonseca, comandante de Armas de Salvador e irmão do marechal Deodoro. Ao receber as notícias do Rio de Janeiro, Hermes Ernesto anunciou que permaneceria fiel ao imperador. Capitulou algumas horas mais tarde ao saber que o próprio irmão liderava a Proclamação da República e que D. Pedro II, àquela altura, já estava a caminho do exílio na Europa.<BR/>...<BR/>Em 1889, os republicanos brasileiros estavam divididos em quatro grandes facções. A primeira era composta por jornalistas, professores, advogados e intelectuais do Rio de Janeiro, autores do manifesto republicano de 1870  e muitos deles dissidentes do Partido Liberal. Eram liderados por Quintino Bocaiúva e tinham grande atuação na imprensa, na qual se destacavam também alguns radicais como Lopes Trovão e Silva Jardim, que pregavam a instalação da república de forma revolucionária, com insurreição popular nas ruas e até a execução da família imperial brasileira.<BR/>...<BR/>O segundo grupo era formato pelos positivistas, que seguiam a doutrina do filósofo francês Augusto Comte e pregavam a instalação de uma ditadura republicana no Brasil. Alguns de seus líderes eram Teixeira Mendes, no Rio de Janeiro, e Julio de Castilhos, no Rio Grande do Sul. O terceiro grupo era o dos cafeicultores do oeste paulista, concentrados na região de Campinas, Itu e Rio Grande, liderados por Prudente de Morais e Campos Salles. Por fim, havia a facção militar, descontente com o governo no Império e liderada no Rio de Janeiro pelo tenente Benjamin Constant. Esses grupos agiam de forma isolada, com pouca articulação entre si, mas todos aderiram rapidamente ao precipitado golpe militar do Marechal Deodoro no dia 15 de Novembro. Os anos seguintes foram de crise, guerra civil e muita confusão.<BR/>]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>12 de novembro de 1823: A Noite da Agonia</title>
      <pubDate>Fri, 11 Nov 2011 18:32:10 -0200</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=189</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[<p>Completam-se neste sábado, 12 de novembro, os 188 anos de um dos episódios mais dramáticos da História brasileira: a dissolução da primeira assembleia nacional constituinte, por ordem do imperador Pedro I, apenas um ano após a Independência do Brasil. Foi o desfecho de uma longa e desgastante disputa entre o poder imperial e os representantes das províncias eleitos um ano antes com a missão de dar uma nova constituição a novo país independente. Os traumas desse acontecimento feriram de morte os destinos do Primeiro Reinado e seriam uma das principais causas da abdicação de D. Pedro menos de nove anos mais tarde, a 7 de Abril de 1831.<br /><BR/>...<br /><BR/>Monarquistas absolutos e liberais, republicanos e federalistas, abolicionistas e escravagistas, entre outros grupos, se confrontariam pela primeira vez na Assembleia Geral Constituinte e Legislativa, cujo objetivo era organizar o novo país. Ali apareceriam os temas que dominariam a arena política do Primeiro Reinado e também reivindicações inteiramente novas, como liberdade religiosa e de pensamento, direitos individuais e de propriedade, imprensa sem censura, governo firmado no consentimento geral. A constituição seria a fiadora de um novo “pacto social”, expressão igualmente nova no vocabulário político brasileiro.<br /><BR/>...<br /><BR/>O debate se expressava também no modo de se vestir, nos adereços e no vocabulário. O laço verde e amarelo, adotado após o Grito do Ipiranga, definia a fronteira entre brasileiros e portugueses. O uso de uma flor na lapela, a sempre viva, indicava adesão às ideias republicanas e federalistas. Outra flor, a camélia, era o símbolo dos abolicionistas. O chapéu de palha, feito de taquaruçu, expressava o espírito nativista mais exaltado. Deputados constituintes usavam casaca e chapéu redondo de copa alta. Era a indumentária da aristocracia brasileira.<br /><BR/>...<br /><BR/>Os membros da constituinte eram escolhidos pelos mesmos critérios da eleição dos deputados às cortes de Lisboa. Os eleitores eram apenas os homens livres, com mais de vinte anos, pelo menos um ano de residência na localidade em que viviam, e proprietários de terra. Cabia a eles escolher um colégio eleitoral que, por sua vez, indicava os deputados de cada região. Estes por sua vez tinham de saber ler e escrever, possuir bens e “virtudes”. Numa época em que a taxa de analfabetismo alcançava 99% da população, só um entre cem brasileiros era elegível. No caso de nascidos em Portugal, tinham de residir pelo menos doze anos no Brasil. Do total de cem deputados eleitos, só 89 tomaram posse. O local das reuniões era a antiga cadeia pública do Rio de Janeiro, que em 1808 havia sido remodelada pelo vice-rei Conde dos Arcos para abrigar parte da corte portuguesa de D. João.<br /><BR/>...<br /><BR/>Convocada por D. Pedro em junho de 1822, a constituinte só foi instalada um ano mais tarde, no dia 3 de maio de 1823, mas acabaria dissolvida seis meses depois. Entre a convocação e a dissolução foram dezoito meses de tumulto, em que as paixões políticas brasileiras se expressaram pela primeira vez de forma desenfreada. As discussões giravam em torno do papel do imperador. Um grupo sustentava que a legitimidade e o poder do soberano eram delegados pela nação brasileira. Aclamado pelo povo, o imperador teria de se submeter à constituição, a ser elaborada pelos representantes do povo. A segunda corrente sustentava que a autoridade do imperador, decorrente da tradição e da herança histórica, sustentava-se por si mesma. Era, portanto, superior à da constituinte e de todo o restante da sociedade brasileira.<br /><BR/>...<br /><BR/>Essas divergências se revelaram insolúveis. A crise se agravou com a demissão de José Bonifácio de Andrada e Silva que, ao deixar o ministério em junho de 1823, passou a liderar a oposição a D. Pedro na própria Assembleia Constituinte. No começo de novembro, o imperador exigia que a assembleia expulsasse Bonifácio e os irmãos Andrada e aceitasse a censura a imprensa. Os deputados recusaram. As horas que antecederam o fechamento da constituinte passaram para a história como “A Noite da Agonia”.<br /><BR/>...<br /><BR/>No dia 11 de novembro, os deputados declararam-se em sessão permanente numa derradeira tentativa de resistir às pressões de D. Pedro e da tropa que cercava o edifício. Todos passaram a noite em claro. Às 11 horas da manhã seguinte, o ministro do Império, Francisco Vilela Barbosa, coronel exército, entrou no recinto. Sua indumentária indicava o desfecho do grande drama: estava fardado e de espada na cintura.<br /><BR/>...<br /><BR/>Duas horas depois chegou um oficial com a ordem do imperador. A assembleia estava dissolvida porque “perjurara ao seu solene juramento de salvar o Brasil”, segundo a justificativa de D. Pedro, que no ano seguinte outorgaria ele próprio a primeira constituição brasileira. Antônio Carlos, irmão de José Bonifácio, última voz a se pronunciar no recinto avisou: “Já não temos o que fazer aqui. O que resta é cumprir o que Sua Majestade ordena…”. Era a primeira de muitas vezes que o parlamento brasileiro teria de se curvar à força das armas.</p><BR/>]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>A morte de Tiradentes, uma farsa?</title>
      <pubDate>Fri, 04 Nov 2011 18:52:23 -0200</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=183</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[Circula na internet um texto no qual se afirma que a morte de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, foi uma farsa encenada por líderes da Inconfidência mineira. Vários leitores tem me enviado mensagens perguntando se esse texto merece crédito. Não merece. Trata-se de mais uma das muitas teorias conspiratórias que circulam pela rede virtual.<BR/>...<BR/>Segundo o texto, atribuido a Guilhobel Aurélio Camargo, outra pessoa teria sido enforcada no lugar de Tiradentes no dia 21 de abril de 1792. Por essa versão, o inconfidente mineiro foi trocado pelo carpinteiro Isidro Gouveia, um ladrão condenado à morte, que subiu ao patíbulo com o rosto encoberto para que as testemunhas não a reconhecesse. Seria de Isidro o corpo esquartejado após o enforcamento no local chamado Campo da Lampadosa, hoje rebatizado de Praça Tiradentes, no Rio de Janeiro. Com a ajuda da maçonaria, o verdadeiro Tiradentes teria conseguido embarcar às escondidas para a França, onde seria visto um ano mais tarde, bem vivo.<BR/>...<BR/>Diz ainda o texto que, durante todo o processo aberto pela coroa portuguesa para apurar a conjuração mineira, Tiradentes admitiu voluntariamente ser o líder do movimento em troca da promessa de que o livrariam da execução na hipótese de uma condenação à forca. Em 1792, confirmada a sentença, seus amigos da maçonaria trataram de cumprir o trato. O carpinteiro Isidro Gouveia, condenado por roubo em 1790, teria assumido a identidade de Tiradentes em troca de ajuda financeira para sua família, oferecida a ele também pela maçonaria.<BR/>...<BR/>A estória da farsa envolvendo a morte de Tiradentes não é nova. Em 1969, o historiador carioca Marcos Correa viu em Lisboa cópias de uma lista de presença na galeria da Assembleia Nacional francesa de 1793. Correa fazia uma pesquisa sobre José Bonifácio de Andrada e Silva, testemunha dos desdobramentos da Revolução Francesa em Paris. Na lista de presença encontrou o nome de Bonifácio e, próximo à assinatura dele, o nome de um certo Antônio Xavier da Silva, cuja letra seria muito semelhante à de Tiradentes. Só isso bastou para se espalhar a fantástica história da conspiração organizada no Rio de Janeiro nos dias que antecederam ao enforcamento do inconfidente.<BR/>...<BR/>O texto termina dizendo que, segundo “relatos” (não especificados), Tiradentes teria voltado ao Brasil em 1806, quatorze anos após a suposta fuga para a Europa. Incógnito, teria aberto uma botica na casa da namorada Perpétua Mineira, situada na Rua dos Latoeiros (hoje Gonçalves Dias), no Rio de Janeiro, onde morreria em 1818.<BR/>...<BR/>Quais as chances dessa estória ser verdadeira? Por enquanto, nenhuma. Pelo menos, até que surjam documentos que a comprovem.<BR/>...<BR/>O melhor estudo sobre o tema é “A devassa da devassa: a Inconfidência Mineira. Brasil e Portugal (1750-1808)”, do historiador britânico Kenneth Mawell (Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2000). Publicado originalmente em 1977 na Inglaterra, país de origem do autor, o livro é um inventário minucioso do processo que levou a Conjuração Mineira e à execução de Tiradentes. Pesquisador meticuloso, Mawell usou com eixo de sua investigação os Autos da Inconfidência, ou seja, o inquérito aberto pela coroa portuguesa para investigar a conspiração em em Vila Rica (atual Ouro Preto). Em momento algum, Mawell deparou-se com qualquer indício de que a morte de Tiradentes tenha sido uma farsa.<BR/>...<BR/>História, como se sabe, é feita de documentos, não de suposições. A documentação histórica é muito ampla. Inclui, entre outras fontes, textos oficiais, correspondências, diários pessoais, relatos de viajantes e testemunhas, inventários pós-morte, artigos de jornais e revistas, objetos e obras de arte. É com base nesse tipo de fonte que os historiadores procuram reconstruir os personagens e os acontecimentos do passado.<BR/>...<BR/>O problema é que boa parte das pessoas prefere acreditar mais em teorias e suposições do que em documentos e estudos confiáveis. É o que explica o sucesso das obras do americano Dan Brown e outros escritores que usam as teorias conspiratórias como roteiro de suas obras. No caso de Tiradentes, não há uma única fonte confiável que desminta o destino que dele se conhece.<BR/>...<BR/>Por enquanto...]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>Um desafio para os institutos históricos e geográficos</title>
      <pubDate>Wed, 02 Nov 2011 12:42:55 -0200</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=179</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[(Trechos de palestra realizada no Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP), do qual sou membro titular, no dia 26 de outubro de 2011)<BR/>...<BR/>Grandes incertezas pairam atualmente sobre o horizonte dos institutos históricos e geográficos brasileiros. Essas instituições lideraram por muitas décadas o esforço de pesquisa, compreensão e preservação da nossa memória, graças à iniciativa do próprio imperador Pedro II em 1838, ano da fundação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro  (IHGB). Hoje, no entanto, elas de certa forma cederam a vanguarda para universidades e outros centros de estudos, que se mostram mais aparelhados e detentores de maiores recursos para o exercício dessa função.<BR/>...<BR/>Obviamente, sabemos também que as universidades brasileiras, com raras e honrosas exceções, nem sempre se destacam pelo esforço de pesquisa. O Brasil é um país que pesquisa pouco. E isso explica, por exemplo, porque nunca recebemos um Prêmio Nobel, ao contrário dos Estados Unidos, que já acumulam 80 premiações. Ainda assim as universidades contam com mais recursos humanos, financeiros e organizacionais, para estudar e interpretar a História do Brasil, comparadas com os nossos institutos históricos e geográficos, cada vez mais debilitados na sua estrutura e, principalmente, no sua dotação orçamentária.<BR/>...<BR/>Em cenário de tanta adversidade, cabe aos institutos buscar novos caminhos e identificar as lacunas na produção desse conhecimento que exigem nossa participação. Por isso, vejo com grande alegria a iniciativa do presidente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Arno Wehling, se estimular a municipalização da ação dos institutos históricos e geográficos. Detalhes importantes dessa história estão emergindo em estudos realizados nos municípios. Graças aos estudos realizados recentemente nas cidades do Vale do Paraíba, por exemplo, hoje já sabemos a exata composição da guarda de honra que acompanhou D. Pedro até as margens do Riacho Ipiranga, em São Paulo. A municipalização dos institutos históricos é uma forma inovadora de resgatar, investigar, discutir e preservar essa história local e capilar, que ajuda a compor o grande panorama da Independência do Brasil.<BR/>...<BR/>São muitas lacunas ainda existentes na história do Grito do Ipiranga. No passado, coube ao Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP) a importante missão de ajudar a preenchê-las. Essa tem sido, do ponto de vista historiográfico, uma jornada quase tão épica quanto à própria viagem que levou o nosso jovem D. Pedro até São Paulo no ano da Independência. E teve seu ponto culminante nas comemorações do primeiro centenário da Independência, em 1922.<BR/>...<BR/>Naquela época, duas figuras destacavam-se entre os membros do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. Eram, curiosamente, dois Afonsos: Afonso d'Escrangnolle Taunay e Afonso de Freitas. Taunay era diretor do Museu Paulista, cargo que havia assumido alguns anos antes com a missão de prepara-lo para as comemorações do primeiro centenário da Independência. Affonso de Freitas, grande historiador hoje reconhecido pelos estudos relacionados à memória da imprensa paulista, foi presidente do IHGSP de 1921 a 1930, ano de sua morte.<BR/>...<BR/>Pois bem, nesse período, coube ao Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo liderar os esforços para elucidar muitos mistérios ainda envolvidos na famosa jornada de D. Pedro às margens do Ipiranga. Boa parte dos estudos e revelações a respeito do tema foi publicada na revista do instituto, fonte imprescindível de estudo para muitos historiadores, mas cuja publicação hoje infelizmente encontra-se suspensa diante das dificuldades financeiras enfrentadas pela entidade. Graças à revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, hoje temos acesso a inúmeros detalhes a respeito da Geografia e do ambiente em que se deu o Grito do Ipiranga e que eram desconhecidos até as vésperas do Bicentenário da Independência.<BR/>...<BR/>Sabemos, por exemplo, como era em 1822 a cidade de São Paulo que hospedou D. Pedro. Segundo Affonso A. de Freiras, era ainda “uma pequena cidade, quase aldeia, acanhada e de ruas pouco extensas, estreitas e tortuosas”, na descrição do historiador Afonso A. Freitas, Palestra proferida nas comemorações do primeiro centenário da Independência, em 1922. Com 28 ruas, dez travessas, sete pátios, seis becos e 1866 casas, o vilarejo abrigava na área urbana somente 6 920 habitantes. Incluindo os arrabaldes mais afastados e a zona rural, a população não passava de 20 000 pessoas. Na zona oeste, extensão da atual Rua da Consolação, estavam os bairros de Piques, Pinheiros, Emboaçava e Pirajuçara, com um total de 157 casas e 767 moradores. Na zona leste, do outro lado do Rio Tamanduateí, os bairros do Braz, Pari e Tatuapé, com 36 casas e 186 habitantes.<BR/>...<BR/>Havia escassez de homens na São Paulo da Independência. As mulheres formavam 60% da população. Eram 2 916 homens contra 4 004 moradores do sexo feminino. Para complicar o quadro, no primeiro semestre de 1822, a população masculina tinha sido desfalcada pelos 1 200 soldados do batalhão de Caçadores que, a pedido de D. Pedro, São Paulo enviara ao Rio de Janeiro para ajudar na defesa da cidade, ameaçada pelas tropas portuguesas da Divisão Auxiliadora comandada pelo general Jorge Avilez. Entre os profissionais relacionados no precário censo populacional de São Paulo no ano da Independência aparecem sete médicos, três boticários (farmacêuticos), dois advogados, nove professores, um tabelião, 92 costureiras, 48 rendeiras, 46 negociantes, um fabricante de colchas de algodão, 24 carpinteiros, 21 alfaiates, quinze ferreiros, vinte sapateiros, três violeiros e um barbeiro, que também era sineiro da igreja da Sé.<BR/>...<BR/>Hoje, o Brasil se prepara para celebrar o bicentenário da Independência. Estamos a apenas onze anos desse grande evento. É hora de mobilizar nossos talentos para repetir a jornada empreendida por Afonso Taunay e Afonso de Freitas. Restam ainda inúmeras lacunas, enigmas, mistérios e mal-entedidos relacionados ao Grito do Ipiranga.<BR/>...<BR/>Sabe-se ainda muito pouco a respeito das razões da viagem de D. Pedro a Santos. O príncipe lá permaneceu por dois dias, mas os detalhes de sua agenda de compromissos na cidade são escassos. Há ainda mistérios relacionados às circunstâncias da própria viagem até São Paulo. Um enigma diz respeito ao estado de saúde do príncipe ao longo dessa jornada pela Serra do Mar. Sabe-se que, nesse dia, D. Pedro estava com dor de barriga. A causa dos distúrbios intestinais é desconhecida. Acredita-se que tenha sido algum alimento mal conservado ingerido no dia anterior em Santos, no litoral paulista, ou a água contaminada das bicas e chafarizes que abasteciam as tropas de mula na Serra do Mar.<BR/>...<BR/>Outra controvérsia diz respeito à montaria usada por D. Pedro que, segundo vários indícios, nem de longe lembrava o fogoso cavalo alazão que, meio século mais tarde, o pintor Pedro Américo colocaria no quadro “O Brado do Ipiranga”, a mais conhecida cena da Independência do Brasil. O coronel Marcondes se refere ao animal como uma “baia gateada”. Outra testemunha, o padre mineiro Belchior Pinheiro de Oliveira, cita uma “bela besta baia”. Em outras palavras, uma mula sem nenhum charme, porém forte e confiável. Era esta a forma correta e segura de subir a Serra do Mar naquela época de caminhos íngremes, enlameados e esburacados. Mas ainda paira uma questão semântica no ar: afinal, o que se entendia por “bela besta baia” naquela época? Dias atrás, recebi de um leitor de Pernambuco a informação de que, no nordeste brasileiro, “besta baia” significa uma égua, a fêmea de um cavalo. No sul, em contrapartida, “besta” geralmente é entendida como animal de carga – “uma besta de carga”. Que animal, portanto, cavalgava D. Pedro ao chegar às margens do Ipiranga?<BR/>...<BR/>Pelo descrição do nosso presidente Afonso A. de Freiras, publicada na Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP), vol. 22, pag. 3 e seguintes, sabemos hoje que o dia 7 de setembro amanheceu claro e luminoso nos arredores de São Paulo. O litoral paulista, porém, estava frio, úmido e tomado pelo nevoeiro. Faltava ainda uma hora para o nascer do sol quando D. Pedro saiu de Santos, cidadezinha de 4781 habitantes, onde passara o dia anterior inspecionando as seis fortalezas que guarneciam as entradas pelo mar e visitando a família do ministro José Bonifácio de Andrada e Silva. Mas teria sido esse realmente o motivo da sua viagem? Também nesse caso há dúvidas.<BR/>...<BR/>Há fortes evidências de que no dia 7 de setembro de 1822 D. Pedro tinha uma agenda paralela à dos negócios de estado na cama da paulista Domitila de Castro Canto e Melo, a mulher que seria a maior de todas as suas muitas paixões, avassaladora ao ponto de comprometer a sua imagem e o próprio desfecho do Primeiro Reinado. Santos, a cidade que o então príncipe regente visitou na véspera da Proclamação da Independência, emprestaria seu nome ao título nobiliárquico com o qual D. Pedro premiaria a amante alguns anos mais tarde – Marquesa de Santos. Isso por si só é um mistério, pois Domitila morava em São Paulo e não consta que tivesse qualquer ligação especial com a cidade do litoral paulista. Por que Marquesa de Santos?<BR/>...<BR/>Curiosamente, já na noite de Sete de setembro mito e realidade começaram a se misturar na história da Independência brasileira.<BR/>...<BR/>As notícias dos extraordinários acontecimentos daquela às margens do Ipiranga se espelharam rapidamente. Na frente do acanhado teatrinho do Pátio do Colégio um grupo de partidários da independência ligado à Igreja e à maçonaria reuniu-se para decidir o que fazer. A composição desse grupo é ainda hoje alvo de disputa entre os historiadores. Nele estariam os padres Manuel Joaquim do Amaral Gurgel, hoje nome de uma rua na Boca do Lixo paulistana, José Antonio dos Reis e Vicente Pires da Mota e mais três amigos, José Inocêncio Alves Alvim, José Antonio Pimenta Bueno e Antonio Mariano de Azevedo Marques, professor de matemática e fundador, no ano seguinte, da imprensa paulista ao lançar o jornal manuscrito O Paulista. Affonso A. de Freitas inclui no grupo João Olinto de Carvalho e Silva, homem rico, cavaleiro da Ordem de Cristo, solteiro, de 36 anos, omitido por Tarquinio, Melo Morais e outros historiadores.<BR/>...<BR/>A história oficial também se encarregou de propagar a versão de que essa teria sido uma noite épica, de celebrações, discursos e composições inspiradas. Entre outras proezas, o próprio D. Pedro teria composto, ensaiado e executado o atual Hino da Independência, aquele que todo estudante adolescente conhece de memória. D. Pedro era de fato um músico talentoso, capaz de fazer composição de qualidade bastante razoável para a época. Ainda assim, seria extraordinário que no intervalo de apenas cinco horas, entre o Grito do Ipiranga e o início do espetáculo no teatrinho do Pátio do Colégio, tivesse composto e ensaiado um hino de estrutura bastante complexa como o da Independência. Isso, aparentemente, jamais aconteceu.<BR/>...<BR/>Como se vê, temos uma vasta agenda de trabalho nos próximos dez anos para estarmos à altura da preciosa contribuição que Afonso Taunay, Affonso de Freitas e os demais membros do IHGSP deram à História brasileira por ocasião do primeiro centenário da Independência. Obviamente, levantei aqui apenas alguns itens esparsos dessa agenda que se revelará muito mais profunda e desafiadora à medida que sobre ela nos debruçarmos.<BR/>...<BR/>Para encerrar esta minha já longa dissertação, quero reproduzir aqui a frase de uma carta de Capistrano de Abreu ao seu discipulo Afonso Taunay em 1917. Nessa correspondência, Capistrano referia-se à necessidade de dar continuidade à obra de Antonio Toledo Piza na série “Inventários e testamentos”. Dizia ele:<BR/>...<BR/>“São Paulo precisa mexer-se! Há tanta coisa a fazer!"<BR/>...<BR/>Hoje, quase um século mais tarde, ainda temos a oportunidade e o privilégio de repetir:<BR/>...<BR/>“São Paulo precisa mexer-se! Há tanta coisa a fazer!"]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>A simbiose entre História e Geografia</title>
      <pubDate>Wed, 05 Oct 2011 01:56:23 -0300</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=173</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[(Discurso na entrega do título de Cidadão Honorário de Itu, em 4 de outubro de 2011)<BR/><BR/>...<BR/><BR/>História e Geografia mantem um indissolúvel relação de simbiose. Uma sem a outra carece de alma e substância.<BR/><BR/>...<BR/><BR/>A Geografia é o espaço onde a História acontece.<BR/><BR/>...<BR/><BR/>Portanto, Geografia sem história nada é além de mera sequência monótona de acidentes naturais e topográficos. A História sem a Geografia é como uma peça de peça de teatro sem palco, como um romance sem livro, como um roteiro de filme sem cinema ou como a música sem instrumentos para executá-la.<BR/><BR/>...<BR/><BR/>A Geografia é o palco e a História, o enredo do grande drama que nós, seres humanos, seus atores, encenamos todos os dias de nossas vidas.<BR/><BR/>...<BR/><BR/>No livro “1808”, eu uso como epígrafe frase de uma famosa série da televisão britânica sobre a História da Inglaterra, que diz:<BR/><BR/>...<BR/><BR/>“As pessoas fazem a História, mas elas nem sempre se dão conta do que estão fazendo”<BR/><BR/>...<BR/><BR/>Ou seja, a História não é feita por aquelas estátuas de bronze e pedra expostas em praça pública, que ao observarmos hoje sugere que sabiam exatamente o que estavam fazendo no momento em que o destino lhes bateu à porta.<BR/><BR/>...<BR/><BR/>Não, a História é feita por gente de carne e osso, como cada um de nós seres humanos que hoje estamos aqui: gente de carne e osso, com suas virtudes e defeitos, seus medos e coragens, capazes de tomar decisões ousadas e temerárias em meio às naturais inseguranças e aflições em relação ao futuro.<BR/><BR/>...<BR/><BR/>Na maioria das vezes, nós fazemos História como atores involuntários, casuais no grande palco da Geografia.<BR/><BR/>...<BR/><BR/>O lugar onde nascemos, crescemos, estudamos, nos casamos, temos filhos, trabalhamos, executamos papéis, tomamos decisões, envelhecemos e findamos nossa existência raramente é resultado de uma escolha pessoal nossa. Na maioria das vezes, é produto de mero acaso.<BR/><BR/>...<BR/><BR/>O acaso quis, por exemplo, que eu nascesse em Maringá, na região norte do Paraná. Nasci ali porque era o lugar em que meus pais viviam. Portanto, não tive escolha, embora hoje me orgulhe profundamente ser maringaense e paranaense.<BR/><BR/>...<BR/><BR/>Outras vezes, no entanto, o lugar em que atuamos como personagens da História resulta de escolhas deliberadas.<BR/><BR/>...<BR/><BR/>Essas escolhas são aquelas raras singularidades, momentos únicos, que geralmente não se repetem, mas tem consequências decisivas nas nossas vidas.<BR/><BR/>...<BR/><BR/>Hoje, eu vivo uma dessas singularidades em minha vida. É com muita honra, com muita alegria, e com muita emoção que recebo o título de cidadão honorário do município da Estância Turista de Itu por uma escolha das pessoas que fazem a História desta cidade. É uma escolha do povo de Itu, expressada pela iniciativa do vereador Givanildo Gomes da Silva e aprovada pelo voto de todos os representantes dos ituanos nesta câmara municipal.<BR/><BR/>...<BR/><BR/>E, como parênteses, quero registrar minha especial alegria ao saber que o título foi aprovado por unanimidade desta casa, aclamada mesmo entre os representantes da oposição, a quem eu agradeço este gesto de grande generosidade para comigo.<BR/><BR/>...<BR/><BR/>Como eu disse há pouco, a História se revela na Geografia, enquanto que a Geografia ganha alma e substância pela História. Há, portanto, um processo de descoberta mútua entre História e Geografia.<BR/><BR/>...<BR/><BR/>Nós, os atores da História, descobrimos a Geografia, mas também somos descobertos por ela.<BR/><BR/>...<BR/><BR/>O que é uma cidade senão uma célula da Geografia, um espaço distinto desse palco do grande drama humano que é a História? O que são os moradores de uma cidade senão seus atores mais íntimos, mais próximos, mais familiarizados com esse palco?<BR/><BR/>...<BR/><BR/>Em outras palavras, uma cidade se descobre, mas também se é descoberta por ela.<BR/><BR/>...<BR/><BR/>Hoje estou sendo escolhido para a alta honraria representada por este título de cidadania honorária, porque seis anos atrás eu também fiz uma escolha. Escolhi Itu para viver e trabalhar.<BR/><BR/>...<BR/><BR/>Por que Itu?<BR/><BR/>...<BR/><BR/>À primeira vista, eu era mais um dos milhões de moradores da cidade de São Paulo em busca de clima agradável e qualidade de vida. Foi por esta razão que aluguei inicialmente uma casa no condomínio Vila Real de Itu, em parceria com um amigo e colega de trabalho na Editora Abril, de cujo filho sou padrinho. O que era um prazer de fim de semana, acabou se tornando uma paixão irrefreável. Tanto que, há três anos, decidi deixar para trás definitivamente a cidade de São Paulo, onde morava havia já mais de vinte anos, para viver em Itu em tempo integral.<BR/><BR/>...<BR/><BR/>Aos poucos, no entanto, descobri que a escolha significava bem mais do que clima agradável e qualidade vida. Em Itu aguardava-me uma nova missão, a de escritor e propagador da História do Brasil.<BR/><BR/>...<BR/><BR/>Em Itu escrevi meus dois primeiros livros – “1808” e “1822”. Em Itu estou pesquisando e começando a escrever o terceiro, “1889”, sobre a Proclamação da República, e do qual, mais uma vez, esta cidade será palco privilegiado pela importância dos acontecimentos que naquela época testemunhou e viveu.<BR/><BR/>...<BR/><BR/>Nunca imaginei que obras sobre História do Brasil pudessem fazer tanto sucesso. Ainda hoje me surpreendo com a reação dos leitores. Recebo dezenas de mensagens todos os dias, nos quais fazem elogios, sugerem temas para futuras obras e pedem que eu não pare de escrever. Vejo com grande alegria a presença de tantos livros de História nas listas de best-sellers. É sinal que os brasileiros estão olhando o passado em busca de explicações para o país de hoje. E a História serve para isso mesmo. Uma sociedade que não estuda História não consegue entender a si própria porque desconhece as razões que a trouxeram até aqui. E, se não consegue entender a si mesma, provavelmente também não estará preparada para construir o futuro de forma organizada e estrutura. Se você não sabe de onde veio, como saberá para onde vai? O estudo de História é, portanto, fundamental para a construção do Brasil do futuro.<BR/><BR/>...<BR/><BR/>Sei que este título de cidadão honorário não significa apenas uma homenagem a mim prestada pelos moradores de Itu. Não se trata de apenas uma honraria. Nela está também embutida uma missão. Ou a continuidade de uma missão. É a missão de contribuir para a formação de cidadania no Brasil, desafio hoje tão fundamental para a construção deste país.<BR/><BR/>...<BR/><BR/>Essa missão que no passado já foi de frei Jesuíno do Monte Carmelo, um dos mais importantes nomes da pintura barroca no Brasil. De Diogo Antonio Feijó, regente do império. De Almeida Junior, pintor inigualável. De Prudente de Morais, primeiro presidente civil da nossa tumultuada República. De Paula Souza, fundador da Escola Politécnica de São Paulo. Missão que foi dos músicos e compositores Elias Lobo e Tristão Mariano da Costa Do Barão de Itaim, de Washington Luis (que, nascido em Macaé, também recebeu esta mesma grande honraria de cidadão honorário de Itu). Do Padre Bento Dias Pacheco, o Apóstolo da Caridade, candidato a santo desta cidade.<BR/><BR/>...<BR/><BR/>São tantos nomes, tantos protagonistas, tantos brasileiros famosos que é até arriscado deixar alguém fora da lista dos que contribuíram de forma decisiva para esta cidade de Itu que ao longo de mais de quatrocentos anos tem sido palco de tantas lutas e tantas glórias.<BR/><BR/>...<BR/><BR/>Itu bandeirantista, do fundador Domingos Fernandes, das entradas e monções, que desciam o Rio Tietê a partir de Porto Feliz.<BR/><BR/>...<BR/><BR/>Itu “a boca do sertão”, último grande reduto da civilização portuguesa no Vale do Tietê até a época da chegada da corte de D. João ao Brasil, como eu registro no livro “1808”.<BR/><BR/>...<BR/><BR/>Itu dos Padres do Patrocínio, “A Roma brasileira”.<BR/><BR/>...<BR/><BR/>Itu, a “fidelíssima” de D. Pedro I, uma das duas únicas vilas brasileiras a ter a coragem de propor emendas à constituição outorgada pelo imperador em 1824, como eu registro no livro “1822” (a outra foi Olinda, em Pernambuco).<BR/><BR/>...<BR/><BR/>Itu republicana, palco da primeira convenção republicana, de 1873, onde se tentou dar alguma ordem e substância às ideias expressadas de forma apenas difusa três anos antes no Rio de Janeiro, em 1870, data da publicação do manifesto republicano.<BR/><BR/>...<BR/><BR/>Itu do humorista Francisco Flaviano de Almeida, no nosso querido Simplício, a quem devemos a fama, reconhecida no Brasil inteiro e mesmo no exterior, de uma cidade em que tudo é grande, desmensurado e generoso.<BR/><BR/>...<BR/><BR/>Esse passado repleto de lutas e glórias mostra que, apesar da aparência, minha escolha por Itu não é mero acaso. Aqui a História do Brasil foi feita no passado remoto e mais recente. Aqui a História do Brasil continua sendo feita todos os dias ainda hoje pelas mãos dos moradores desta cidade. Que melhor lugar haveria para escrever sobre a História do Brasil. Esta parece ser a missão que me está sendo confiada hoje pelos representantes de Itu. Ou seja, exercer a vocação que me foi confiada pelo Criador, de acordo com os talentos e as graças que Dele tenho recebido.<BR/><BR/>...<BR/><BR/>Minha contribuição ao estudo da História do Brasil é de linguagem. Uso a técnica e a linguagem jornalísticas, que aprendi ao longo de trinta anos como repórter e editor de jornais e revistas, para tornar história um tema acessível e atraente para um público mais amplo, não habituado a ler sobre o tema. Um bom escritor precisa ter a habilidade de escolher as palavras para contar uma estória ou transmitir uma ideia. Ou seja, tem de saber escrever. Aplico nos meus livros o conhecimento e a experiência adquiridos como jornalista. Tento demonstrar com os meus livros que a História do Brasil pode ser fascinante, divertida e interessante, mas sem ser banal.<BR/><BR/>...<BR/><BR/>É dessa forma que pretendo assumir e exercer essa missão embutida na homenagem que hoje me prestam os representantes da cidade de Itu. Quero, como morador, vizinho, amigo e concidadão de todos os ituanos, contribuir para a difusão do conhecimento, da educação e da cultura, sendo um bom escritor, fazendo livros sempre em linguagem acessível, generosa, fácil de entender.<BR/><BR/>...<BR/><BR/>Para que essa missão não fique apenas em palavras, gostaria de transformá-la hoje num gesto concreto, mais simbólico do que concreto: eu e a Carmen, minha mulher, também aqui presente, estamos doando pouco mais de cem exemplares dos meus livros para cidade de Itu. Estamos doando um livro para cada uma das 92 escolas da rede municipal e estadual de Itu. Mais alguns exemplares para o acervo da Biblioteca Pública Municipal Professor Olavo Valente de Almeida, além de livros já doados recentemente para a biblioteca professor Cid Rocha, localizada no bairro de Pirapitingui.<BR/><BR/>...<BR/><BR/>E quero desde já agradecer a gentileza do presidente Givanildo, que se comprometeu a ajudar na distribuição desses livros em parceria com a prefeitura e a secretaria de Educação do Municipio.<BR/><BR/>...<BR/><BR/>Essa doação é, obviamente, uma contribuição modesta frente à alta honraria que hoje estou aqui recebendo. Mas é a forma que encontrei de expressar minha gratidão por este título de cidadania honorário e meu compromisso de, sempre que possível e dentro das minhas limitações, contribuir para que esta cidade seja cada vez mais um palco privilegiado e glorioso, como sempre foi, na Geografia e na História do Brasil.<BR/><BR/>...<BR/><BR/>Muito obrigado a todos!<BR/><BR/>...<BR/><BR/>Laurentino Gomes, 4 de outubro de 2011]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>Os 213 anos do nascimento de D. Pedro I</title>
      <pubDate>Tue, 11 Oct 2011 13:28:43 -0300</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=172</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[Brasileiros e portugueses celebram nesta quarta-feira, Doze de Outubro, a data de nascimento de um seus mais decisivos e controvertidos heróis nacionais. D. Pedro de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon foi um meteoro que cruzou os céus da história desses dois países numa noite turbulenta. Fez a Independência do Brasil, em 1822, e tornou-se seu primeiro imperador com o nome de D. Pedro I. Em 1826, com a morte do pai, D. João VI, governou também o reino de Portugal por algumas semanas, com o nome de D. Pedro IV. Nesse breve período, deu anistia aos presos políticos e outorgou aos portugueses uma constituição liberal, aliás copiada da brasileira, também outorgada dois anos antes. Em seguida abdicou em favor da filha, Maria da Glória, que subiria ao trono alguns anos mais tarde com o nome de D. Maria II. Em 1831, D. Pedro havia perdido toda a aura de herói da Independência do Brasil conquistada nas margens do riacho Ipiranga. Teve de renunciar ao trono brasileiro e começar aí a derradeira etapa de sua breve e épica existência. Retornou a Portugal, onde à frente de um precário exército liberal, derrotou o irmão, D. Miguel, que havia usurpado a coroa em um golpe absolutista.<BR/>...<BR/>D. Pedro nasceu em Doze de Outubro de 1798 no Palácio de Queluz, quinze quilômetros ao norte de Lisboa, no mesmo quarto em que haveria de morrer apenas 35 anos mais tarde. Situado no segundo andar do edifício, com janelas que se abrem para os jardins inspirados no Palácio de Versalhes, na França, o quarto chama-se D. Quixote. As paredes e o teto são decorados com cenas das façanhas do personagem criado pelo espanhol Miguel de Cervantes. Um dos mais notáveis heróis românticos de todos os tempos, D. Quixote de La Mancha enfrentava moinhos de ventos, que confundia com gigantes imaginários, e amava de forma incondicional Dulcinéia, mulher de reputação duvidosa, como se fosse uma donzela virgem e indefesa. Não poderia haver ambientação mais adequada para o começo e o fim da existência deste rei que lutou contra tudo e contra todos, fez a independência de um país, reconquistou outro nos campos de batalha, esforçou-se para modernizar as leis e as sociedades que governou, amou muitas mulheres, dedicou-se à política com paixão, foi bom soldado e chefe carismático, viveu à frente do seu tempo e morreu cedo.<BR/>...<BR/>Por onde passou este soberano despertou ódios e paixões com igual intensidade. Na Independência, era amado pelos brasileiros e odiado pelos portugueses metropolitanos, que o apontavam como traidor de sua terra natal. Em 1831, ao abdicar ao trono brasileiro, a situação se invertera. D. Pedro era odiado pelos liberais brasileiros, que o acusavam de tramar um golpe absolutista, e amado pelos liberais portugueses, que o festejavam como baluarte das liberdades na luta contra o absolutismo de D. Miguel. Foi um monarca de discurso liberal e prática autoritária. Considerava Napoleão Bonaparte – o homem que havia forçado seu pai a fugir de Portugal, em 1807 – o “maior herói da história”. Como o seu ídolo, exerceu o poder com mão de ferro e não hesitou em demitir, prender, exilar e reprimir todos os que ousaram contrariar suas vontades. Em compensação, a constituição que outorgou ao Brasil em 1824 era uma das mais liberais da época e até hoje a mais duradoura na história do país.<BR/>...<BR/>Era impaciente com as regras e as restrições do cerimonial da corte. Mesmo nascido numa família real, mantinha negócios paralelos, alguns até mesquinhos, que não combinavam com as altas responsabilidades da função de imperador. Fabricava cachaça, comercializada nos botequins cariocas. Arrendava os pastos da Real Fazenda para descanso do gado que descia de Minas Gerais para o Rio de Janeiro. Seus escravos cortavam o capim da fazenda e vendiam nas ruas da cidade. Adorava cavalgar e disputar corridas de carruagens, em disparada e açoitando os animais com chicotes. O cronista Luiz Lamego diz que teria sofrido ao todo 36 quedas a cavalo. Numa delas, em 1829, quebrou sete costelas. O espírito indomável seria abatido apenas pelos frequentes ataques de epilepsia.<BR/>...<BR/>Sua vida privada foi intensa e tumultuada. Embora não bebesse, gostava de farras, noitadas, amigos de má reputação e, em especial, das mulheres. Nos dois casamentos oficiais, teve oito filhos, sete com Leopoldina e um com Amélia. Fora do casamento, o número é lendário. O historiador Octávio Tarquínio de Sousa assegura que, entre naturais e bastardos, teve uma dúzia e meia de filhos. Alguns cronistas chegaram a lhe atribuir mais de 120 rebentos ilegítimos, cifra nunca comprovada, mas não de todo impossível. Em menos de um ano, entre novembro de 1823 e agosto de 1824, teve três filhos, todos com mulheres diferentes: o primeiro com Maria Benedita de Castro Canto e Melo, futura Baronesa de Sorocaba, o segundo com a irmã dela, Domitila de Castro Canto e Melo, futura Marquesa de Santos, e, por fim, o terceiro com a própria esposa, a imperatriz Leopoldina.<BR/>...<BR/>D. Pedro viveu pouco, apenas 35 anos, mas seu enigma permanece nos livros e nas obras populares que inspirou. Raros personagens passaram para a posteridade de forma tão controversa. Ao longo de dois séculos, sua imagem vem sendo moldada, polida ou desfigurada de acordo com as conveniências políticas de cada momento. Em 1972, ano do Sesquicentenário da Independência, D. Pedro foi mostrado no filme brasileiro “Independência ou Morte” como um herói de porte marcial, sem vacilações ou defeitos, interpretado pelo ator Tarcísio Meira. Era a moldura que lhe cabia naquele momento em que o governo militar torturava presos políticos, propagandeava o milagre econômico e tentava dourar a história oficial nas disciplinas de Educação Moral e Cívica e Organização Social e Política Brasileira. Em 2002, reapareceu na série “O Quintos dos Infernos”, da Rede Globo, transfigurado em jovem boêmio, farrista e mulherengo na pele do ator Marcos Pasquim. Era a imagem que lhe estava reservada numa fase de grandes transformações, em que pela primeira vez um retirante nordestino, sindicalista e metalúrgico chegava ao poder. O duplo papel de herói e vilão se repete em Portugal, onde D. Pedro IV ainda hoje é visto com repúdio ou admiração, dependendo das convicções políticas do interlocutor.]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>Um segredo na corte de D. João VI</title>
      <pubDate>Sun, 02 Oct 2011 15:05:33 -0300</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=170</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[Acaba de ser lançado no Brasil pela Casa da Palavra – e infelizmente sem a divulgação que a obra merece – “O Guardião de Livros”, da escritora argentina radicada em Portugal Cristina Norton. É um romance histórico de 317 páginas envolvendo um dos personagens mais fascinantes e misteriosos da corte de D. João VI no Brasi. Luis Joaquim dos Santos Marrocos é, na boa definição de Cristina Norton,  “um bibliotecário hipocondríaco” que, em 1811, atravessa o Atlântico rumo ao Brasil acompanhado por 76 caixotes de conteúdo precioso:  os livros da Real Biblioteca do Palácio da Ajuda esquecidos no cais de Lisboa na apressada fuga da corte portuguesa para o Rio de Janeiro  em 1807. Enquanto D. João permaneceu no Brasil, Marrocos escreveu 186 cartas para a família, que havia permanecido em Portugal. Elas são hoje um documento precioso para entender os acontecimentos daquele período.<BR/>...<BR/>Nascida em Buenos Aires em 1948, Cristina Norton reside em Portugal há mais de 30 anos e optou pela cidadania portuguesa. É casada com o escritor José Norton, também autor de romances históricos muito bem sucedidos no mercado português. Estudou História da Civilização Francesa na Universidade de Sorbone, em Paris. Fiz ainda vários cursos de História da Arte, de línguas e literatura. Seus livros, também publicados no Chile e no Brasil, incluem “O Lázaro do Porto”, “O Afinador de Pianos” e “O Segredo da Bastarda” – este último um romance histórico sobre a filha bastarda que o ainda jovem D. João teve em Portugal, antes de se casar com a princesa espanhola Carlota Joaquina.<BR/>...<BR/>Em “O Guardião de Livros”, Cristina tenta desvendar, no terreno da ficção, um dos mais intrigantes enigmas da corte portuguesa de D. João no Brasil. Luis Joaquim dos Santos Marrocos chegou ao Rio de Janeiro em 17 de junho, dias antes do seu aniversário de 30 anos. A correspondência regular que manteve com o pai, Francisco José, e com a irmã, Bernardina nos dez anos seguintes é considerada uma das fontes mais preciosas dos pesquisadores que estudam esse período da História brasileira. São relatos simplórios, de um cidadão comum que testemunha as enormes transformações que portugueses e brasileiros experimentaram nos treze anos em que a família real permaneceu no Rio de Janeiro. As intrigas na Corte, a mesquinhez da burocracia e a dura realidade da escravidão aparecem de forma crua nas cartas de Marrocos, como num retrato instantâneo e sem retoques, sem o filtro dos documentos e relatórios oficiais.<BR/>...<BR/>Essa correspondência, no entanto, contém alguns mistérios que ainda hoje os pesquisadores tentam decifrar. O maior enigma é o tom de frieza com que a família recebe a notícia de que Luis Joaquim decidira se casar em 1814 com Anna Maria de São Thiago Souza, uma carioca de 22 anos.  O pai reage à novidade de forma violenta. Acusa Marrocos de lhe faltar ao respeito “como um africano rombo e presumido americano” por ter feito o casamento sem avisá-lo ou pedir sua autorização, comportamento que considera “vil e incivil”. A irmã o critica de ter se casado “de noite e às escuras, como se o povo fosse surdo e cego”. Por que tanta hostilidade?<BR/>...<BR/>No último capítulo do livro “1808”, que lancei em 2007, tentei contribuir para a solução desse enigma revelando um documento até então inédito a respeito da família Marrocos. É uma certidão de batismo encontrada na Catedral da Sé do Rio de Janeiro pelo arquiteto José Marcio Alemagni, que trabalhou comigo da pesquisa do livro. Por esse documento, no dia 15 de junho de 1814 nasceu na cidade uma criança chamada Joaquinna dos Santos Marrocos. Seria uma filha que o arquivista real teria tido antes do casamento e cuja existência manteve em sigilo nas cartas que enviou para a família. Pela certidão,  a mãe de Joaquinna é mesma mulher com quem Marrocos se casaria três meses mais tarde. Mas seu nascimento antes que a união fosse legalizada e abençoada pela igreja teria soado inaceitável para a conversadora família portuguesa do arquivista.<BR/>...<BR/>No livro “1808” levantei também a hipótese de que Joaquinna, nascida fora do casamento, tivesse disso doada para adoção, de modo a evitar um escândalo na corte de D. João. Recentemente, no entanto, recebi do pesquisador carioca Marcos Arruda Raposo uma contribuição que muda um pouco essa perspectiva. Segundo novos documentos encontrados por ele na mesma Catedral da Sé, Joaquinna nasceu de fato fora do casamento e foi batizada às pressas em junho de 1814 porque corria perigo de vida. Mas não teria sido entregue para adoção. Seu nome aparece novamente em uma outra certidão de novembro do mesmo ano, no qual o padre fez a seguinte anotação: "... baptizei, digo, dei tão somente os Santos Óleos a innocente Joaquinna...". A esta altura, Marrocos e Anna Maria já estavam legalmente casados. Portanto, a nova certidão, com a referência apenas à aplicação dos santos óleos, teria sido uma tentativa de regularizar o batismo feito às pressas nos meses que antecederam o casamento. Não se sabe o destino de Joaquinna depois disso. Aparentemente, morreu ainda na infância porque seu nome não aparece entre os descendentes de Marrocos.]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>Pernambuco 1822: a outra Independência do Brasil</title>
      <pubDate>Fri, 23 Sep 2011 18:55:54 -0300</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=166</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[Volto ao Recife, cidade onde morei  e trabalhei como jornalista entre 1986 e 1987 e onde ainda hoje tenho muito amigos, para participar da VII Bienal Internacional do Livro 2011. Nesta sexta-feira, 18h, participo de um bate-papo com os leitores, intermediada pelo professor de História Antonio Paulo Rezende. O tema será a pesquisa do meu próximo livro, “1889”, sobre a Proclamação da República, que pretendo lançar em 2013.<BR/>...<BR/>Pernambuco mereceu dois capítulos nas minhas obras anteriores. Em “1808” destaquei a Revolução Pernambucana de 1817, bem definida pelo historiador Manuel de Oliveira Lima como “o primeiro movimento genuinamente republicano do Brasil” e também “a mais espontânea, a menos desorganizada e a mais simpática das nossas numerosas revoluções”. A rebelião dos pernambucanos, liderada por Domingos José Martins, tinha como objetivo declarado a criação de uma república independente no Nordeste brasileiro. Os revolucionários ficaram no poder menos de três meses, mas conseguiram abalar a confiança na construção do império americano sonhado por D. João VI. Também contribuíram para acelerar o processo de independência do Brasil em relação a Portugal.<BR/>...<BR/>No segundo livro, “1822”, dediquei um capítulo à Confederação do Equador, revolução contra o imperador Pedro I, novamente de caráter nitidamente republicano – embora a palavra república, proscrita desde o movimento anterior, não apareça em nenhum  documento dos revolucionários. Seus dois principais líderes foram o comerciante Manuel de Carvalho Paes de Andrade e o frei carmelita Joaquim do Amor Divino Caneca, mais conhecido como Frei Caneca. A rebelião foi sufocada rapidamente. Paes de Andrade refugiou-se a bordo de um navio inglês. Frei Caneca foi executado em 1825.<BR/>...<BR/>Nenhuma região brasileira promoveu tantas revoluções de consequências tão drásticas quanto Pernambuco. Em menos de uma década, perdeu dois terços de sua extensão original, ficando reduzido a uma nesga faixa de terra com 98.311 quilômetros quadrados, tamanho da pequena Santa Catarina e inferior ao Ceará e ao Piauí. Entre 1817 e 1824, a província foi sistematicamente fatiada, retalhada, castrada e espoliada no seu território por razões políticas. O regime de emagrecimento forçado nos seus domínios foi o preço que Pernambuco pagou pelas guerras e revoluções que liderou nesse período.<BR/>...<BR/>A punição, porém, não se resume à geografia. Pernambuco foi punido também pela historiografia brasileira. O estudo das rebeliões e divergências regionais do período é fundamental para entender o Brasil nascido em 1822. Historiadores importantes, como Francisco de Adolfo Varnhagen, o Visconde de Porto Seguro, as trataram de forma preconceituosa, como se fossem produto de mentes doentias e irresponsáveis. Na verdade, eram diferentes projetos de país, que espelhavam o que estava acontecendo no resto do mundo naquele momento e só fracassaram porque foram sufocados à custa de perseguições, prisões, exílios e enforcamentos.<BR/>...<BR/>Frei Caneca, líder da Confederação do Equador, tinha um projeto razoável de Brasil, republicano e federalista, muito parecido com o dos Estados Unidos de hoje. Passou para a história oficial como um inconsequente porque perdeu. O projeto triunfante foi o de José Bonifácio, que previa um país integrado, monárquico e constitucional, sob a liderança de D. Pedro I. <BR/>...<BR/>Frei Caneca acabou seus dias diante de um pelotão de fuzilamento encostado no muro do Forte das Cinco Pontas, no Recife. Uma década mais tarde, seria a vez do próprio Bonifácio acabar também os seus dias em exílio voluntário na Ilha de Paquetá, esquecido e magoado com os rumos da política no país que ajudara a criar. Como versos opostos de uma mesma moeda tirada de circulação, Caneca e Bonifácio são exemplos do lado trágico da vida e suas limitações impostas pelas circunstâncias da História.<BR/>]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>Pesquisa 1889: “As barbas do imperador”, de Lilia Moritz Schwarcz</title>
      <pubDate>Wed, 21 Sep 2011 18:57:00 -0300</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=163</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[Acabo de reler, com o prazer e admiração de sempre, “As barbas do imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos”, mais um dos excelentes livros de Lilia Moritz Schwarcz. É parte da bibliografia do trabalho de pesquisa para o meu próximo livro, "1889", sobre a Proclamação da República, que pretendo publicar em 2013.<BR/><BR/>...<BR/><BR/>Escritora e professora no Departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo, Lilia tem dado uma contribuição fundamental para ampliação do conhecimento da História do Brasil por parte de um público não habituado a se interessar pelo tema. Na pesquisa e na metodologia, seus livros tem a densidade de uma obra acadêmica, mas se oferecem aos leitores com uma linguagem simples e acessível. Na pesquisa do meu primeiro livro, “1808”, sobre a fuga da família real portuguesa para o Brasil, usei de maneira extensa – diria até abusiva, correndo às vezes o risco do plágio – “A longa viagem da biblioteca dos reis”, que Lilia publicou em 2002, fundamental para o estudo desse período.<BR/>...<BR/>Editado em 1998 pela Companhia das Letras, “As barbas do imperador” é um estudo detalhado da imagem que se procurou construir de D. Pedro II desde o golpe da Maioridade, em 1840, até as primeiras décadas da República brasileira. Lilia é uma especialista no tema, sempre atenta à simbologia do poder contida nas iconografias, nos hinos e bandeiras, nos rituais e nos costumes da corte brasileira. O livro acompanha o esforço de transformação durante o século 19 da antiga colônia portuguesa em um país que precisava desesperadamente ser levado a sério pelo resto do mundo. É dessa engenharia que se encarrega a elite imperial do período e que tem em Pedro II seu protagonista.<BR/>...<BR/>Euclides da Cunha dizia que o Brasil era “o único país resultante de uma teoria política”. Até as vésperas de sua independência, em 1822, a América portuguesa era vista pelos estrangeiros uma terra distante e proibida, de natureza, povos e costumes exóticos. Mais do que o exotismo da natureza, porém, na paisagem tropical brasileira predominavam, a escravidão, o analfabetismo, o latifúndio e a concentração de riquezas. As rivalidades regionais, agravadas pela dificuldade de comunicações, eram enormes. Como construir um país com essa matéria prima? “Amalgamação muito difícil será a liga de tanto metal heterogêneo, (...) em um corpo sólido e político”, ponderava em 1812 José Bonifácio de Andrada e Silva, o futuro Patriarca da Independência ao analisar as difíceis perspectivas desse novo Brasil.<BR/>...<BR/>Na ausência de uma sociedade constituída, com referências e valores próprios, foi preciso importar modelos da Europa para inventar, praticamente do zero, uma identidade nacional que tinha pouco a ver com a realidade que se observava nas ruas e campos. Os salões da monarquia brasileira procuravam imitar o ambiente e os hábitos de Viena, Versailhes e Madri, mas a moldura real compunha-se de pobreza e ignorância. A primeira constituição, outorgada em 1824 por D. Pedro I, era uma das mais liberais e avançadas do mundo em direitos individuais e liberdade de imprensa, em flagrante contradição com a situação social dominada pela mão-de-obra cativa, na qual mais de um milhão de escravos era considerados propriedade privada, sem direito algum à cidadania.<BR/>...<BR/>No seu longo reinado de quase meio século, D. Pedro II esmerou-se para provar ao mundo que o Brasil era mais do que pobreza e escravidão. Leitor voraz e poliglota, o imperador fazia questão de ser fotografado sempre com um livro nas mãos. Correspondia-se com os intelectuais europeus e americanos. Patrocinou inúmeros escritores, artistas e inventores. Demonstrava uma curiosidade insaciável pelas grandes invenções do século 19. Foi dos primeiros a adotar a daguerreotipo, precursor da fotografia, e o telefone. Fazia questão de representar o Brasil nas grandes exposições universais, onde essas novidades eram demonstradas pela primeira vez. Viajava pelo mundo tentando passar a imagem do monarca culto e austero.<BR/>...<BR/>O símbolo máximo desse esforço civilizatório era a imagem pessoal de D. Pedro II e, em particular, sua longa e precocemente grisalha barba. Órfão de mãe com um ano de idade e de pai aos dez, D. Pedro II foi coroado aos 14 porque era o depositário de todas as esperanças nacionais após o conturbado período da Regência, entre 1831 (data da abdicação de seu pai, D. Pedro I) e 1940, no qual o Brasil foi sacudido por nada menos que 22 rebeliões regionais que ameaçavam fragmentar o território nacional. Viu-se, portanto, “transformado em instituição nacional muito antes de ter qualquer possibilidade de comando em suas mãos”, como observa Lilia Schwarcz. Era “uma representação política guardada ciosamente pelas elites locais”.<BR/>...<BR/>As iconografias do começo do Segundo Reinado mostram D. Pedro II como um adolescente ainda imberbe, de bochechas gorduchas e olhar assustado. Sua imagem definitivamente não condizia com a estética de sobriedade que a monarquia brasileira pretendia passar ao mundo. “O semblante sério e compenetrado pouco combinava com a fisionomia jovem, a voz fina e a pele lisa de D. Pedro”, escreve Lilia. Era, portanto, preciso envelhecer o jovem imperador o mais rapidamente possível. É exatamente isso que ocorreu. D. Pedro II deixou sua barba crescer tão logo os primeiros fios lhe despontam no rosto. Passou a usar uma pesada casaca preta, que lhe dava ares mais austeros do que a idade real indicava. Aos 40 e poucos anos já tinha a aparência de um ancião, com a barba grisalha e comprida.<BR/>...<BR/>Apesar do esforço, é uma imagem na qual D. Pedro II nunca se encaixou totalmente. Nas frequentes viagens ao exterior dispensava o tratamento de imperador. Às vezes, preferia andar sozinho pelas ruas, conversar com porteiros de hotel e pessoas simples, como se fosse um homem do povo e não o monarca de um dos maiores países do mundo em extensão territorial. “O imperador está no Brasil”, gostava de afirmar. “Eu sou apenas um cidadão brasileiro”.<BR/>...<BR/>Uma anotação em seu diário de 1861, transcrita no livro de Lilia Schwarcz, é reveladora desse desconforto: “Sou dotado de algum talento, mas o que sei devo-o sobretudo a minha aplicação, sendo o estudo, a leitura e a educação e minhas filhas meus principais divertimentos (...) Nasci para consagrar-me às letras e às ciências e, a ocupar posição política, preferia a de presidente da República ou ministro à de imperador (...)”.]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>A morte de George Price, o D. Pedro I de Belize</title>
      <pubDate>Tue, 20 Sep 2011 00:16:21 -0300</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=160</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[Faleceu hoje, aos 92 anos, George Price, considerado o pai da Independência de Belize, pequeno país da América Central que visitei na semana passada a convite da embaixada brasileira. Ex-colônia britânica, Belize foi o último país das Américas a se tornar independente, apenas 30 anos atrás. A comemoração do trigésimo aniversário será depois de amanhã, 21 de setembro, e foi esse o motivo da minha ida a Belize, onde fiz uma palestra sobre o processo de Independência do Brasil.<BR/>...<BR/>Curiosamente, na semana passada, enquanto ainda estava em Belize City, pedi ao ministro conselheiro da embaixada brasileira, Pedro Etchebarne, que tentasse marcar um encontro meu com George Price. Eu não queria, em hipótese alguma, perder a chance de conhecer pessoalmente o "D. Pedro I de Belize", para usar uma comparação brasileira.<BR/>...<BR/>Para minha surpresa, apesar de muito doente e de nunca ter ouvido falar no meu nome, Price aceitou me receber. A entrevista foi marcada para as 10h da manhã da última quarta-feira, dia 14, na modesta casa em que ele morou a vida toda em Belize City. Ao acordar, por volta das 8h, no entanto, fui informado que o encontro havia sido cancelado porque Price sofrera uma queda e fora levado ao hospital.<BR/>...<BR/>Vítima de várias lesões em virtude da queda, Price ficou internado cinco dias na UTI do hospital, onde faleceu hoje. Perdi por algumas horas a chance de conhecer este homem notável. Mas levo com muito honra em minha memória o simples fato de que ele havia aceitado me receber. Fica aqui neste breve texto de blog minha derradeira homenagem a ele.<BR/><BR/>...<BR/><BR/>A notícia da morte de George Price:<BR/><BR/>http://www.cbsnews.com/stories/2011/09/19/ap/latinamerica/main20108506.shtml]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>Brazil: The Birth and Building of a Nation (texto da palestra em Belize)</title>
      <pubDate>Fri, 16 Sep 2011 21:58:35 -0300</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=155</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[(Este é o texto integral da palestra que, a convite do Itamaraty, fiz em Belize Ciyy no dia 13 de setembro de 2011 como parte das comemorações pelo trigésimo aniversário da independência de Belize, ex-colônia inglesa na América Central)<BR/>...<BR/>Good evening. First of all, I would like to thank the following persons for inviting me. H. E. Ambassador Tomas. M. Guggenheim, Hon. Minister of Foreign Affairs and Foreign Trade Wilfred Elrington, Ms. Diane C. Haylock, President of The National Institute of Culture and History, Dr. Cary F. Fraser, President of The University of Belize, Mrs. Jane Bennett of The University of the West Indies and Mr. Rene Villanueva Sr., CEO of Love TV, Love FM & Estero Amor. And many thanks to all of you for coming. It is a privilege to be in Belize for the thirtieth anniversary of its independence.<BR/>...<BR/>My aim this afternoon is to give you a brief idea of how Brazil started to become a nation and the first decades thereafter. It is a period well defined by the transfer of the Portuguese court to Rio de Janeiro in 1808, driven by the Napoleonic storm in Europe, of the following Brazilian Independence in 1822. The transformations of the country are both a continuation and departure from those formative times.<BR/>...<BR/>This presentation will last some thirty minutes and after that I would be pleased to answer questions on Brazil and also hear your comments on the past and present of both our countries.<BR/>...<BR/>Let me start by saying a few words about myself and my work. I am a 55 year old journalist with a Master in Business Administration from the University of São Paulo. I worked for more than 30 years as a reporter and editor of big newspapers and magazines. Some years ago, I decided to use my journalistic skills to write a book on Brazilian History. To my surprise, it became a best-seller. “1808” has sold close to a million copies, and won some major literary prizes in Brazil and Portugal. “1822”, my second book, is also in the best-sellers lists since it was released a year ago. That left me wondering why people are reading history in a country where book readership is usually very limited.<BR/>...<BR/>For me, this is stands for a powerful indication that people in Brazil, as well in Portugal, are looking into the past in search for some explanations to the present. History, as you all know, has a clear social function that is looking into the past in search for explanation to the present in order to prepare people to the task of building the future.<BR/>...<BR/>This is very good news, as some of our virtues and our shortcoming have deep roots in the past- and, being “roots”, they lay well buried. I would risk saying that the year 1808 worked as our national DNA, our genetic code. Brazil was discovered by Portuguese in 1500, but was invented, or created, as a country, only in 1808 with the Portuguese royal family arrival to Rio de Janeiro. This was our nation building major event and, by the way, distinguished us, since that early stage, from our Hispanic neighbors in South America.<BR/>...<BR/>For Brazil, it started as an “historical accident” and not as the result of some linear evolution.<BR/>...<BR/>In 1807, the Portuguese empire was governed by a Prince John, as regent, because his mother, Queen Mary the First, was mentally disabled.<BR/>...<BR/>The Prince was overweight and flaccid, shy by nature, melancholic and without friends. The main trace of Prince John personality was indecisiveness and lack of initiative. Besieged by conflicting groups, he used to postpone actions to the last possible moment.<BR/>...<BR/>In November 1807, however, he was driven to the wall and forced to take the most important decision of his life.<BR/>...<BR/>Napoleon was at the height of his power, had conquered Spain, among many other European countries, and imposed a continental trade blockade on England. Portugal, traditionally dependent on England to protect it from Spain, did not obey, and French troops were ordered to invade it.<BR/>...<BR/>England could not protect Portugal with ground troops, but would not allow France also to take hold of the Portuguese colonies, especially Brazil, the richest of them. To do just that, England had the means, because in 1805 Lord Nelson destroyed the allied fleet of France and Spain in the battle of Trafalgar, confirming her position as “master of the seas”.<BR/>...<BR/>The English presented Prince John with an ultimatum: If he stayed on in Portugal he would inevitably be dethroned by the French or become their puppet and in this case England would have to bomb Lisbon and occupy its colonies or promote their independence.<BR/>...<BR/>Alternatively, the British fleet could take him to Brazil and, from there he could govern the rest of his empire.<BR/>...<BR/>So, John decided to flee to Brazil. Later, at his Santa Helena’s exile, Napoleon would write in his diary: "He was the only one who ever tricked me”.<BR/>...<BR/>Prince John accepted moving to Brazil, because Portuguese economic survival depended heavily on the Brazilian diamond and gold mines; on the cotton, tobacco and sugar-cane plantations, the cattle farms – and on the slave trade carried out between its African and Brazilian colonies.<BR/>...<BR/>The Portuguese left Lisbon in the morning of November 29th 1807 and the next day the French troops entered Lisbon. According to rough estimates, 10.000 to 15000 people boarded some 58 ships, that is 5 to 7 percent of Lisbon’s population of 200.000. Besides the royal family and the nobles of the court, these emigrants were military men, council members, judges, lawyers, traders, surgeons, clerics, cooks and their families.<BR/>...<BR/>Prince John took along 80 million “cruzados”, representing half of the entire metal currency in circulation in Portugal, and a great amount of diamonds. The royal luggage also included all the archives of the Portuguese monarchy, and a new printing machine, recently bought in London.<BR/>...<BR/>The trip from Lisbon to Rio de Janeiro took exactly a hundred days. The records of the Atlantic crossing are incomplete and sometimes confusing, but we know for sure it was a traumatic experience, with plenty of sufferings.<BR/>...<BR/>In the afternoon of March the 7th, 1808, D John’s fleet arrived at Bay of Guanabara , in Rio de Janeiro. It was an event that would have deep and lasting impact on the Brazilian future. With the court arrival started the last act of Brazil colony and the first of independent Brazil.<BR/>...<BR/>The usually indecisive and indolent Prince John had no alternative but to give his ministers free reign to make Brazil function as the new seat of his kingdom. No other period in the Brazilian history produced so deep and quick changes as the thirteen years of the Portuguese royal court permanence in Rio de Janeiro. In little more than one decade, Brazil was decisively transformed, from a remote, illiterate colony to a country ready for independence.<BR/>...<BR/>In 1808, Brazil was still a vast virgin territory, with little over three million inhabitants – now we are a hundred and ninety-three million. One out of three people was enslaved. The native Indians were estimated at 800,000. Probably only 1% or 2% of the free adult men were literate and sanitary conditions were appalling.<BR/>...<BR/>After three centuries of colonization, the settlement spot were still concentrated on the coast, with only some small cities spreading into the hinterland or along the Amazon River. The provinces were isolated from one another linked only by the common Portuguese language and the colonial government in Lisbon.<BR/>...<BR/>As soon as he disembarked in the city of Salvador, his first stop, the Regent Prince signed a decree “opening the Brazilian ports to all friendly nations”. In plain text, this meant that he was ending the trade monopoly of Portugal with its colonies in favor of the English, who desperately needed access to export markets and raw materials to compensate for the huge economic losses being caused by the French blockade.<BR/>...<BR/>This was to be the Regent’s most important economic measure in Brazil, complemented, a little later, by the freedom exercise any commercial or industrial activity, which had also been forbidden up to then for the exclusive benefit of the metropolis.<BR/>...<BR/>The first iron plant was created in 1811. Wheat mills and plants of gun powder, boats, ropes and fabrics were established in different provinces. The most distant regions were explored and mapped. The opening of new roads helped to breach the isolation that separated provinces.<BR/>...<BR/>The changes in Brazil’s intellectual and cultural life were no less dramatic. Before the Portuguese court’s arrival, education in Brazil was restricted to elementary school and was in the hands of catholic religious orders. The Prince set up military and naval academics, medical schools and courses in agriculture, chemistry and economics. He established the Supreme Court, the Royal Treasury and a Board of Trade.<BR/>...<BR/>Printing presses and newspapers were introduced. A theatre, a library, an academy of Fine Arts and a botanical garden were inaugurated. Foreign scientists, artists and naturalists flocked Brazil.<BR/>...<BR/>The political culmination of these changes took place on December 16th 1815, when he raised Brazil from its colonial status to the rank of “kingdom” on equal footing with Portugal, thereby recognizing that the country had a separate political identity. In the following year, 1816, Queen Mary the First died in Rio de Janeiro. As a consequence, Prince John ascended to the throne and was crowned in 1818 as King John the Sixth.<BR/>...<BR/>Meanwhile, as Brazil’s prosperity and national pride increased, those of Portugal diminished.<BR/>...<BR/>In 1815 Napoleon was ousted and Portugal recovered its freedom. However, deprived of the old colonial monopolies, Portuguese could not recover from its economic stagnation. The result was a spark of Portuguese resentment against Brazil and against King John himself, who intimated that he preferred to stay in Brazil.<BR/>...<BR/>In August 1820 a successful revolution in Portugal elected a parliament, called “Cortes”. The Cortes wanted Brazil to become a colony again and the first step in that direction was to summon the king back to Lisbon and to make him sign a new constitution which greatly reduced his powers.<BR/>...<BR/>In April 1821, threatened with the loss of his Portuguese throne, King John finally went back to Portugal. He left behind as Regent Prince his elder son, Peter/Pedro, 23 years old. It was clear to him that the policy advocated by the Cortes may result in Brazil separating from Portugal and therefore he advised Peter that, in such an event, his son should take the crown of Brazil for himself before anyone else had the opportunity to do it.<BR/>...<BR/>Whereas John was shy and irresolute, Peter was passionate, impulsive and energetic. When he was notified by the Cortes that he had been deprived of his political prerogatives and was being convoked to Lisbon, he declared the independence of Brazil on September 7th, 1822 and crowned himself as Emperor Peter the First.<BR/>...<BR/>After a few battles, the Portuguese troops and the loyalist were defeated. It was the firm conviction of the local political and social elite that it was essential to hinder at any cost that Brazil became a republic. If that happened, they believed, the regional and social conflicting interests could become uncontrollable as was happening in the rest of South America.<BR/>...<BR/>After all, Brazil was too big to be controlled only by military means from Rio de Janeiro. 30% of the population of 4 of 5 million were slaves and there was no clear shared project on what policies to adopt. Moreover, the treasury was empty and the country had no navy or organized army.<BR/>...<BR/>That is why a consensus formed that a strong monarchical regime was the only means to maintain political order, social stability and territorial unity.<BR/>...<BR/>The Independence was therefore a “rupture under control”. In contrast with the neighboring former Spanish colonies, the way chosen in 1822 was neither republican nor revolutionary, but emphasized conciliation and compromise.<BR/>...<BR/>Brazil remained a monarchy for 67 years. The reign of Peter the First, has its share of constant political tensions and conflicts, due, to some extent, to his impulsive and authoritarian personality. It ended with his abdication in April 1831. Regents were then appointed by Parliament to govern until his son, who was a minor, was crowned as Emperor Peter the Second/Pedro II, nine years later.<BR/>...<BR/>During the monarchy there were some regional secessionist attempts, but all failed because loyalty to the crown was stronger than the appeal of local leaders and because the two Emperors, being members of a European dynasty, were always able to obtain loans from English banks to pay for military expenses and others.<BR/>...<BR/>The Second emperor, a cultivated gentleman, was a benign ruler, but, in symbiosis with a strong rural oligarchy, tightly controlled the political process and no significant concessions were made to the underprivileged groups in society. Above all, to favor the agrarian interest, slavery survived until 1888.<BR/>...<BR/>A year later, in November 1889, the monarchy had lost most of its prestige and political authority after having freed the slaves, challenged the will of the Vatican to appoint bishops in Brazil and fought a terrible war against Paraguay, which ended up giving the generals a great thirst for power. The military staged a ‘Coup’ and from then on, we started to resemble more, but never entirely, the rest of Latin America.<BR/>...<BR/>So what could be learned from these formative decades of Brazilian History?<BR/>...<BR/>Brazil has long been known as a country of great potential. But somehow it failed to deliver on its promises. On the other hand, compared to most of Latin America, it counted on longer periods of stability and a greater willingness to negotiate with opponents and to compromise, which may be a legacy from monarchical times, as well as a sense of pride for being citizens of a big country that needed not fear or envy its neighbors.<BR/>...<BR/>The relatively high degree of tolerance and openness as a trait of the Brazilian national character translated into integration or miscegenation among different races and cultures. It can also be retraced to the times before independence and during the long reign of Peter the Second, when the exercise of power was mindful of appearances and legal formalities, avoiding violence whenever possible.<BR/>...<BR/>Of course, this did not prevent Brazil from experiencing poverty, corruption, government inefficiency, illiteracy and dictatorships, alongside periods of democracy and economic growth.<BR/>...<BR/>What about today? Brazil has begun to change and for the first time Brazilians have been able to overcome some of their old, unresolved (and sometimes even ignored) problems and challenges.<BR/>...<BR/>This is not a victory from any particular government or political party. It is a conquest of the entire Brazilian people. History has shown us the merits of preserving the exercise of democracy, which has now been in place for more than 26 years, and the last 18 years of reasonably good economic and social governance. Never before had we such a long uninterrupted period of economic development, social progress and national consensus on basic matters such as reducing all sorts of inequalities, protecting the environment, fostering education and so on. In this sense, it can be said that we learned from our history, including mistakes that were made along the way and should not be repeated.<BR/>...<BR/>National pride, if not excessive or xenophobic, helps to strengthen the political consciousness of the citizenry and helps to keep the political class more aware of their duties. For a long time national pride in Brazil turned around victories in football championships and the prestige of our Carnival, popular music and soap operas.<BR/>...<BR/>Nowadays, Brazilians also take note when The Economist Intelligence Unit predicts that in 2011 Brazil could move ahead of Italy into the seventh place in the rank of the largest economies, with a GDP of US$2 trillion and a population of 193 million, which is now growing at the very moderate rate of 0.8% a year (2010).<BR/>...<BR/>Our political institutions have become stronger and more resilient. In November 2010 we elected Dilma Roussef as the first woman president. In her inaugural speech she pointed out that “poverty still exists in our landscape, disfiguring our country and preventing us from being a fully developed nation”. This is one of the constant reminders that serve as a welcome antidote to excessive pride: We still have a long stretch before us to live up to the principles of human rights and social obligations, to assure justice and equal opportunities for all Brazilians. Thank you.]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>Um Brasil em miniatura no Caribe</title>
      <pubDate>Thu, 15 Sep 2011 00:45:18 -0300</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=151</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[A convite do Itamaraty, estou em Belize, pequeno país de língua inglesa situado na América Central, entre México, Guatemala e Honduras. Nesta terça, dia 13, fiz uma palestra sobre “1822” e o processo de Independência do Brasil no Bliss Center de Belize City, cidade quente e úmida de arquitetura caribenha debruçada sobre uma baia de águas calmas pontilhada de bancos de corais e manguezais. A plateia de cem pessoas incluía o embaixador brasileiro, Tomas Guggenheim, o ministro das relações exteriores de Belize, Wilfred Elrington, e professores e estudantes de duas universidades locais, entre elas a prestigiada University of the West Indies, cujos campus se espalham por diversos países do Caribe.<BR/>...<BR/>Belize foi o último país das Américas a se tornar independente. Por um acordo com a Inglaterra, conquistou sua autonomia no dia 21 de setembro de 1981, ou seja, apenas trinta anos atrás. Com cerca de 300.000 habitantes, tem população menor do que a da cidade de Sorocaba, no interior de São Paulo e ocupa área semelhante à do Estado do Sergipe, 22.000 quilômetros quadrados. Embora a língua oficial seja o inglês, a maioria da população fala dialetos regionais, como o creóle. Os maias, descendentes da antiga e próspera civilização que dominou a região entre os anos 250 e 900 depois de Cristo, habitam grande parte do interior do país.<BR/>...<BR/>Em muitos aspectos, Belize lembra um Brasil em miniatura que parou no tempo. A mistura de raças, com preponderância dos negros africanos, resultou em um povo alegre e hospitaleiro, que se veste com roupas coloridas, gosta de futebol, música e dança. A exemplo dos brasileiros, os belizenses também contruíram no interior uma nova capital, Belmopan. É uma Brasilia em escala menor, dominada por prédios públicos e embaixadas – sem, obviamente, o arrojo da arquitetura de Oscar Niemayer. A pobreza, tanto quanto nas regiões mais distantes do Brasil, é assustadora. Com infraestrutura mínima e precária, as comunicações são feitas por estradas esburacadas e perigosas. O aeroporto principal tem o aspecto de uma estação rodoviária de cidade do interior.<BR/>...<BR/>Nos dias de chuvas – muito frequentes – as ruas ficam inundadas durante várias horas e é quase impossível atravessá-las a pé. “Muitas crianças preferem passar o dia na escola porque é o único lugar seco”, contou-me uma professora de uma dessas regiões alagadas. Os telefones celulares nem sempre funcionam. Não há jornais diários (só semanais) nem revistas ou livrarias razoáveis. Carentes de estúdios, equipamentos e equipes, as emissoras de rádio e televisão funcionam em locais improvisados e produzem programas e noticiários muito simples. Na falta de shopping centers e hipermercados, a classe média prefere comprar comida e gêneros de primeira necessidade na fronteira com o México, a três horas de carro da capital.<BR/>...<BR/>É na História, porém, que as semelhanças entre Brasil e Belize são mais marcantes. A ocupação da região começou no século 16, alguns anos após a chegada da esquadra de Cristóvão Colombo à vizinha ilha de Hispaniola, onde hoje se localizam o Haiti e a República Dominicana. Seus primeiros ocupantes foram madeireiros ingleses interessados na extração de pau-brasil, a mesma espécie que os portugueses começaram a cortar na Bahia após a chegada de Pedro Álvares Cabral. Em seguida veio a extração de mogno e o cultivo da cana-de-açucar, principais fontes de riqueza nos século 17, 18 e 19. O corte da madeira e a produção de açucar eram feitos por milhares de escravos importados da África e em regime de concessão pela Espanha, que se considerava detentora oficial da região. Aos poucos, no entanto, os ingleses se impuseram sobre espanhóis e ocuparam de fato toda a extensão de terra onde hoje é Belize.<BR/>...<BR/>Há poucos relatos dos primeiros três séculos da colonização, mas são todos impressionantes. Belize era infestada de piratas e corsários, que usavam suas ilhas e praias como base de lançamento para os ataques contra os galeões espanhóis que navegavam do México para a Europa repletos de ouro e pedras preciosas. William Teach, também conhecido como Barba Negra, o mais famoso desses piratas, por ali passou 1717. Nessa mesma época, o capitão de um navio naufragado nas vizinhanças descreveu a população local como “um bando de bêbados” composto por piratas e criminosos fugitivos de várias partes do mundo. “É um paraíso de foras-da-lei, bandidos e malandros que aqui se escondem da justiça para levar uma vida de promiscuidade e impunidade”, anotou um juiz meio século mais tarde.<BR/>...<BR/>Até sua independência, em 1981, Belize foi a mais descuidada de todas as colônias britânicas ao redor do mundo. “Depois de sugar todas as nossas riquezas, ninguém mais parecia se interessara pelo nosso destino, além de nós mesmos”, conta o atual ministro das Relações Exteriores, Wilfred Elrington, cuja família descende de ex-escravos africanos. Além da pobreza, a maior fonte de dor-de-cabeça para os belizenses é a vizinha Guatemala que, a rigor, nunca se conformou com a independência do país, invadiu-o diversas vezes e até hoje reivindica parte de seu território.<BR/>...<BR/>A rigor, os ingleses até gostariam de ter se livrado de sua pobre e problemática colônia antes, mas tiveram de aguardar a conclusão de tratados internacionais devido à ameaça de invasão pelos vizinhos guatemaltecos. Atualmente, com uma população carente, composta em sua maioria de descendentes de escravos e índios, Belize é um país à procura de um destino no mundo.<BR/>...<BR/>Como é uma nação pequena e sem recursos, poucos países se interessam em manter embaixadas aqui. Ao todo são apenas 14 representações estrangeiras – menos de dez por cento do total de países membros da Organização das Nações Unidas (ONU). Uma delas é a de Taiwan, a ilha rebelde da China que poucos países reconhecem. A dos Estados Unidos é gigantesca e bem fortificada porque Belize está na rota dos cartéis que transportam a droga da Colômbia para o México em direção ao mercado americano.<BR/>...<BR/>A embaixada do Brasil foi inaugurada em 2006, cinco anos atrás, mas hoje tem uma equipe bastante ativa que responde por programas de cooperação em áreas como educação e agricultura. Dois desses programas, bastantes populares entre os belizenses, são o “Fome Zero” e o “Bolsa Família”, ambos copiados do governo Lula.<BR/><BR/>...<BR/><BR/>Com um passado tão difícil, quais são as chances de sucesso de Belize?<BR/><BR/>...<BR/><BR/>Curiosamente, essa é a pergunta que eu mais ouvi aqui nos últimos dias em relação ao Brasil. As notícias recentes a respeito de estabilidade e crescimento econômico, melhoria na distribuição de renda, geração de empregos, na educação e outros indicadores brasileiros tem causado viva impressão entre os belizenses. “Qual é a fórmula?”, perguntou-me um professor na palestra em Belize City. Respondi que o Brasil está colhendo os frutos de uma experiência inédita na sua história, 26 anos continuados de exercício da democracia, sem rupturas. É a primeira vez que todos os brasileiros são chamados a participar da construção do futuro e os resultados estão vindo – talvez mais lentamente do que as pessoas gostariam, mas são reais e mensuráveis.<BR/><BR/>...<BR/><BR/>Belize tem um potencial enorme em áreas como agricultura e turismo. As terras são férteis e abundantes, mas precisam de técnicas de gestão e cultivo capazes de aumentar a produtividade das lavouras. O país tem um conjunto notável de ruínas maias, praias lindíssimas, áreas para mergulho e a segunda maior barreira de corais do mundo, mas os investimentos ainda são escassos. São áreas nas quais o Brasil também se destaca. Por isso, os belizenses enxergam o Brasil como um irmão maior e mais velho que, pelo menos da perspectiva deles, deu certo e pode lhes servir de exemplo.]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>O Pará na Independência do Brasil</title>
      <pubDate>Sat, 03 Sep 2011 23:32:29 -0300</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=148</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[Participo neste domingo, Quatro de setembro, às 19h, de um bate-papo com os leitores na Feira PanAmazônica do Livro de Belém, no Pará. É um dos maiores eventos literários do Brasil, que reúne milhares de leitores em um hangar situado nas imediações do Aeroporto Val De Cans, mas, infelizmente, pouco conhecido e divulgado no sul do país. O mediador do bate-papo será o historiador Geraldo Mártires Coelho, professor da Universidade Federal do Pará, meu amigo pessoal e um dos orientadores da pesquisa da minha última obra, “1822”, sobre a Independência do Brasil, que esta semana completa um ano na lista dos livros mais vendidos.<BR/>...<BR/>O Pará teve uma participação importante nos eventos que levaram à separação de Brasil e Portugal entre 1821 e 1822. Belém foi a porta de entrada para as notícias da Revolução Liberal do Porto, ocorrida em Portugal em agosto de 1820, que tiveram efeito decisivo no processo de Independência. O Grão-Pará foi a primeira província a aderir à causa constitucional, defendida pelos revolucionários. A novidade chegou a Belém a bordo do navio Nova Amazonas no dia 10 de dezembro de 1820. Seu portador era um jovem estudante de Direito da Universidade de Coimbra, Filippe Alberto Patroni Martins Maciel Parente.<BR/>...<BR/>Apontado como um homem de caráter “ardente e atrevido”, Patroni ficou tão entusiasmado com as novidades da Revolução Liberal do Porto que, sem pensar duas vezes, abandonou os estudos em Coimbra, onde estava prestes a concluir seu doutorado, e embarcou imediatamente para Belém a fim de transmitir a boa nova aos seus conterrâneos. Trazia na bagagem uma tipografia que daria origem ao primeiro jornal editado no Pará, O Paraense, lançado cinco meses mais tarde.<BR/>...<BR/>As três semanas seguintes foram de grande agitação em Belém, cidade de 12 471 habitantes, dos quais 5.719 eram escravos. Uma conspiração, liderada por Patroni e tramada em reuniões secretas, explodiu no dia 1º de janeiro de 1821, durante a parada militar de celebração do Ano Novo, no centro da cidade. O alferes de milícias Domingos Simões da Cunha, que naquele dia estava de folga, adiantou-se do lugar em que estava e, diante do coronel João Pereira Vilaça, comandante do 1º Regimento de Infantaria de Linha, disparou três “vivas”. Nos dois primeiros não havia novidade alguma. O terceiro mudava tudo:<BR/>...<BR/>- Viva a religião católica! Viva El-Rei! Viva a Constituição!<BR/>...<BR/>Para surpresa geral, em vez de mandar prendê-lo, o coronel repetiu o brado do alferes, no que foi seguido por toda a tropa. Era parte da conjuração arquitetada nas reuniões secretas. Testemunha da manifestação enquanto se dirigia à catedral para celebrar a missa, o cônego Romualdo Antônio de Seixas, vigário do bispado do Grão-Pará, relatou ter sido intimado por um oficial rebelde a mandar a repicar os sinos em sinal de júbilo pela revolução constitucionalista de Portugal. Obedeceu sem contestar. Mais tarde, seria nomeado arcebispo da Bahia, marquês de Santa Cruz e presidiria a solenidade de sagração de D. Pedro II como imperador do Brasil.<BR/>...<BR/>O estudante Patroni e o alferes Simões da Cunha eram os profetas da boa nova que nos meses seguintes haveria de se espraiar pelo Brasil e resultar na Independência. No dia 10 de fevereiro de 1821 foi a vez de a Bahia aderir à causa constitucional após uma rápida troca de tiros entre tropas leais ao governador, o Conde dos Arcos, e oficiais rebeldes aquartelados no Forte São Pedro, em Salvador. A cabeça do império, o Rio de Janeiro, caiu duas semanas depois. Pressionado pelos revoltosos, um assustado D. João VI apareceu no dia 26 de fevereiro nas janelas do Paço Imperial, no centro da cidade, e balbuciou as palavras com as quais jurou as bases da futura constituição a serem elaboradas pelas cortes.<BR/>...<BR/>Pela primeira vez em sete séculos de monarquia portuguesa, um soberano aceitava abrir mão de parte de sua autoridade em favor de um congresso que, convocado a sua revelia, iria delimitar dali para frente os seus poderes. Com quase meio século de atraso, Brasil e Portugal eram finalmente capturados pelos ventos soprados nos Estados Unidos, em 1776, e na França, em 1789. D. João também acatou as ordens de embarcar de volta para Lisboa, deixando o filho D. Pedro como príncipe regente do Brasil. Quando o ministro Silvestre Pinheiro Ferreira ainda tentou convencê-lo a ficar, o rei limitou-se a responder em tom de desânimo: “Que remédio, Silvestre Pinheiro! Fomos vencidos!”<BR/>...<BR/>No Pará também se deu o desfecho dramático da longa Guerra da Independência nas províncias do Norte e do Nordeste. No dia 10 de agosto de 1823 o capitão inglês Joe Pascoe Grenfell, mercenário contratado por D. Pedro I, estacionou seu navio – o brigue D. Miguel capturado em São Luís e rebatizado Maranhão – em frente à cidade de Belém e mandou avisar os portugueses que além da linha do horizonte, esperando ordens para atacar, estava toda a frota imperial brasileira sob o comando do almirante Thomas Alexander Cochrane. Era um blefe. O único navio na região era o capitaneado pelo próprio Grenfell. Cochrane tinha ficado em São Luís. Isolados e sem comunicações por terra com as demais capitais, porém, os portugueses preferiram não correr o risco e entregaram a capital paraense sem disparar um só tiro.<BR/>...<BR/>Após a rendição, Belém mergulhou no caos com cenas de vandalismo em toda a cidade. Um marinheiro português feriu o próprio Grenfell com uma facada nas costelas. Por falta de lugar nas prisões, um grupo de 260 paraenses foi trancafiado no dia 20 de outubro no porão do navio Diligente, ancorado sob o sol escaldante no cais do porto. No entardecer do dia seguinte descobriu-se só quatro prisioneiros continuavam vivos. Os corpos dos demais 256 estavam empilhados uns sobre os outros, transformando o porão do Diligente em tumba flutuante. A tragédia é até hoje uma ferida aberta na história do Pará.]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>O escocês louco por dinheiro e o saque do Maranhão</title>
      <pubDate>Mon, 22 Aug 2011 22:27:13 -0300</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=144</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[Estou em São Luis, a bela, histórica e despreocupada capital do Maranhão, para um ciclo de palestras sobre a Independência do Brasil a convite do Instituto Géia. Esta cidade foi cenário de um dos episódios mais assombrosos da Guerra da Independência. Seu protagonista é o almirante Thomas Alexander Cochrane, identificado na capa do meu livro “1822” como o “escocês louco por dinheiro”. Este personagem, infelizmente pouco conhecido pela maioria dos brasileiros, é ao mesmo tempo um herói e um vilão da Independência.<BR/>…<BR/>Mais famoso dos mercenários contratados por D. Pedro I, Lord Cochrane, como ficou conhecido na época, foi o primeiro almirante da até então desorganizada e ineficiente marinha de guerra brasileira. Sob a mira de seus canhões as forças portuguesas se renderam na Bahia, no Maranhão e no Pará, evitando que em 1823 o Brasil se fragmentasse em dois os três países menores. Também com a sua ajuda, o nascente império brasileiro conseguiu vencer no ano seguinte a Confederação do Equador, movimento de tendência republicana e separatista organizado em Pernambuco com apoio dos estados vizinhos.<BR/>…<BR/>Apesar de todos esses grandes feitos, até hoje seu legado é motivo de controvérsia entre os brasileiros. Cochrane é particularmente odiado em São Luís do Maranhão, cidade que saqueou sem pudores durante a Guerra da Independência. “Cochrane, falso libertador do norte!”, definiu o historiador Hermínio Conde em obra publicada em 1929. “É um nome sombrio ligado à história da cidade”, acrescentou Astolfo Serra, autor do Guia Histórico e Sentimental de São Luís do Maranhão. “Foi simplesmente um pirata! Não libertou a cidade; saqueou-a brutalmente”.<BR/>…<BR/>No começo do Século 19, Cochrane era uma celebridade internacional. Herói dos mares, alto, bonito e destemido, seus feitos eram celebrados em romances e folhetins, debatidos nos jornais ingleses e alvo da inveja e da curiosidade no mundo todo. Como oficial da marinha britânica durante as guerras napoleônicas, infernizou a vida do imperador francês impondo-lhe derrotas humilhantes. Sua popularidade era tão grande que elegeu-se deputado no parlamento britânico. Foi condecorado como a “Ordem do Banho”, uma das mais antigas e mais altas honrarias da realeza na Inglaterra.<BR/>…<BR/>Alguns traços de sua personalidade, porém, funcionaram como pedras na caminho do sucesso. Cochrane era teimoso, narcisista e louco por dinheiro. Desentendia-se com frequência com seus superiores. Em 1814, envolveu-se em um escândalo na bolsa de Londres que custou-lhe um ano de cadeia e a reputação seriamente arranhada, em particular entre os oficiais do alto almirantado britânico, que o detestavam.<BR/>…<BR/>Começava ali a segunda e mais notável fase de sua carreira: a de libertador dos povos ao redor do mundo. Em desgraça na Inglaterra, seria contratado como mercenário para lutar as guerras da independência do Chile e do Peru, contra os espanhóis; do Brasil, contra os portugueses; e da Grécia, contra os turcos do Império Otomano. Em todas elas sua atuação foi decisiva.<BR/>…<BR/>A convite de D. Pedro I, o almirante chegou ao Rio de Janeiro em março de 1823. Quatro meses mais tarde, no célebre dia Dois de Julho, ajudou a expulsar os portugueses de Salvador. Em seguida, dirigiu suas atenções para as duas últimas províncias que ainda se mantinham sob controle de Portugal: o Maranhão e o Pará. Em São Luis obteve a rendição da tropa adversária usando apenas a esperteza, sem disparar um só tiro. Ao se aproximar da cidade, Cochrane hasteou a bandeira britânica, em vez das cores brasileiras. Os militares portugueses que vigiavam o porto acreditaram tratar-se de um navio inglês, neutro no conflito, e enviaram-lhe mensagens de boas vindas. Foram imediatamente presos.<BR/>…<BR/>Para surpresa e revolta dos maranhenses, no entanto, almirante escocês tratou a cidade como se fosse toda ela um território inimigo conquistado – e não um pedaço do Brasil libertado da ocupação portuguesa. Depois de obter a rendição dos militares portugueses, Cochrane dedicou-se ao saque metódico da capital tomando posse de um patrimônio que incluía todo o dinheiro depositado no tesouro público, na alfândega, nos quartéis e outras repartições, além de propriedades particulares e mercadorias armazenadas a bordo 120 navios e embarcações menores ancoradas no porto.<BR/>…<BR/>Os bens e as mercadorias apreendidos foram despachados para o Rio de Janeiro, onde Cochrane esperava que fossem confirmados como presas de guerra para serem divididos entre ele e seus oficiais. Apesar do comportamento brutal e mesquinho em São Luís, o almirante foi recebido por D. Pedro I como herói nacional e agraciado com a recém-criada Ordem do Cruzeiro do Sul e o título de Marquês do Maranhão – decisão que aos maranhenses soa até hoje como uma ofensa. As famosas presas de guerras viraram alvo de disputa na justiça. De volta à Inglaterra, Cochrane teve de esperar anos até obter um acordo com o governo brasileiro que lhe pagou apenas parte do dinheiro a que julvaga ter direito.]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>A minha rotina na infosfera</title>
      <pubDate>Thu, 11 Aug 2011 01:40:11 -0300</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=139</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[A revista Seleções inaugurou recentemente uma sessão chamada Infosfera, iniciativa do talentoso editor-chefe Sérgio Charlab. O objetivo é descrever a rotina das pessoas no complexo mundo da informação em tempo real. Como é manter-se informado nesse novo ambiente, dominado pelas novas tecnologias e pelas redes sociais? Os dois primeiros convidados a responder essa pergunta, na edições de junho e julho, foram o jornalista Caio Túlio Costa e a escritora (também jornalista) Thalita Rebouças. O terceiro, nesta edição de agosto, sou eu.<BR/>...<BR/>Nascido sob o signo de aquário, sempre fui seduzido pelas novas tecnologias. Como resultado, minha rotina no uso da informação mudou de forma drástica nos últimos anos. Hoje é essencialmente digital. Leio cada vez menos livros, jornais e revistas em papel. Ainda sou um leitor voraz, mas prefiro agora formatos eletrônicos, que recebo no Kindle diretamente da loja da Amazon.com, ou audiolivros, que baixo do site Audible.com e ouço no Ipod ou no celular. São formatos mais baratos do que as versões em papel, com a vantagem de serem fáceis de guardar e transportar. Também passo boa parte do meu tempo conectado aos sites de internet e às redes sociais. Raramente vejo televisão ou ouço rádio. Apenas quando trazem reportagens, documentários ou entrevistas do meu interesse.<BR/>...<BR/>Ao acordar, por volta de 7h, costumo ligar o computador para saber das últimas notícias, ver a previsão do tempo e atualizar os emails. Navego rapidamente pelos portais de internet, como UOL, Ig e G1. Eles me satisfazem a necessidade da informação essecial do dia-a-dia, sem que eu precise ler jornais ou revistas em papel. Uma vez por semana dou um mergulho mais profundo nos sites das revistas Veja e The Economist, que me trazem informação e análises atualizadas das novidades no Brasil e no mundo. Assino ambas apenas na versão digital. Outra fonte preciosa de informação são os colunistas que mantem blogs ou colocam posts diários nas redes sociais. Acompanho com especial interesse o trabalho de Ricardo Noblat, Dora Kramer, Ricardo Kotscho, Ancelmo Gois e Lauro Jardim.<BR/>...<BR/>Por volta do meio dia, quando os jornais e revistas e sites já atualizaram seu conteúdo diário, monitoro pelo Google News artigos, entrevistas ou reportagens relacionadas aos meus livros. Reproduzo os links no Twitter e no Facebook, onde também atualizo os leitores a respeito da minha agenda de compromissos, como aulas, palestras, sessões de autógrafos ou participações em eventos literários. Nunca uso as redes sociais para assuntos pessoais ou familiares. Elas são para mim ferramentas de trabalho, de relacionamento com os leitores. Ainda na hora do almoço acesso meu website (www.laurentinogomes.com.br) e, uma vez por semana, atualizo meu blog.<BR/>...<BR/>Recebo todos os dias dezenas de email de leitores, jornalistas, professores e pessoas interessadas nos meus livros. Procuro responder todos eles na parte da manhã. Muitas dessas mensagens são respondidas também nas redes sociais. Fico muito atento às últimas informações do mercado editorial no site Publishnews (www.publishnews.com.br) e nos perfis mantidos no Twitter por editoras, autores e livreiros. Acompanho com especial interesse o trabalho do jornalista Galeno Amorim, atual presidente da Fundação Biblioteca Nacional, um apaixonado por livros responsável pelo Blog do Galeno (www.blogdogaleno.com.br). Na área de História, tema dos meus livros, mantenho relacionamento com estudantes e professores nas redes Café História (http://cafehistoria.ning.com/) e Rede Histórica (http://historica.me/). Também acompanho regularmente as novidades nos sites da Revista de História da Biblioteca Nacional (http://www.revistadehistoria.com.br).<BR/>...<BR/>Embora seja um leitor virtual, ainda compro muitos livros em papel para as minhas pesquisas como escritor. Muitos estão fora de catálogo há muito tempo e podem ser encontrados em www.estantevirtual.com.br, precioso portal de internet pelo qual se podem acessar os acervos de sebos em todas as regiões do Brasil. A pesquisa é rápida e eficiente. A compra pode ser feita por cartão crédito ou por depósito bancário na conta do responsável pelo sebo. Já comprei ali dezenas de livros e a entrega nunca falhou. É com essas obras que completo minha rotina diária até por volta das 22h, com uma pausa para o jantar e um passeio com a Lua, minha cadela de estimação: lendo livros no bom e velho papel para escrever outros que no futuro, talvez, serão apenas digitais.]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>Pesquisa 1889: a invenção republicana</title>
      <pubDate>Sun, 31 Jul 2011 17:28:24 -0300</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=135</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[Acabo de ler “História da República”, de José Maria Bello, e “A invenção republicana – Campos Sales, as bases e a decadência da Primeira República Brasileira”, de Renato Lessa. São dois livros fundamentais para entender a queda do Segundo Império e as primeiras décadas de experiência republicana no Brasil. Ambos se debruçam sobre a difícil tarefa de explicar coisas que até hoje, a rigor, permanecem misteriosas. A principal delas é a surpreendente queda da Monarquia.<BR/>...<BR/>Os 67 anos de história monárquica brasileira sucumbiram na manhã do dia 15 de novembro de 1889 em um golpe militar improvisado, sem participação popular e sem qualquer reação do próprio soberano D. Pedro II, que parecia aceitar o rumo dos acontecimentos de forma passiva e resignada. A própria ideia de República não estava madura e os seus articuladores tinham escassa noção a respeito do que fazer com o país que herdavam do imperador. “Em menos de 24 horas”, escreve Renato Lessa, “uma experiência institucional septuagenária foi erradicada, sem que os sujeitos responsáveis por tal ousadia possuíssem algum consenso minimamente suficiente para dar curso ao Brasil”.<BR/>...<BR/>Jornalista e advogado, senador pelo Estado de Pernambuco em 1930, José Maria de Albuquerque Belo escreveu em 1940 a melhor história da República até então, obra que foi sendo atualizada em sucessivas edições até 1954. É um livro de linguagem difícil, às vezes mais discursivo do que bem documentado, mas ainda hoje permanece como uma fonte de referência importante sobre o tema. Ricardo Lessa, carioca nascido em 1954, graduou-se em Ciências Sociais pela Universidade Fluminense e é doutor em Ciência Política pelo IUPERJ, instituição que dirigiu entre 1995 e 1999. “A invenção republicana”, de sua autoria, mostra como o paulista Campos Salles, segundo presidente civil brasileiro (o primeiro foi o também paulista Prudente de Morais, sucessor do general Floriano Peixoto), esforçou-se entre 1898 e 1902, para dar alguma ordem ao caos instalado no país durante a primeira década republicana.<BR/>...<BR/>Uma conclusão inevitável ao final da leitura das duas obras é que a Proclamação da República, em 1889, foi resultado mais do esgotamento da Monarquia do que do vigor dos ideais e da campanha republicanos. Incapaz de se reinventar e promover as reformas necessárias para atender as novas demandas geradas pela realidade brasileira, “o Império esgotara a própria seiva”, escreve José Maria Belo. Segundo ele, a abolição da escravatura, no ano anterior, tirou a base de apoio que a monarquia desfrutava na oligarquia rural brasileira. Os republicanos, que até então conseguiam precário apoio nas urnas, encontraram nos militares o elemento de apoio que lhes faltava. Havia enorme descontentamento nos quartéis desde o final da Guerra do Paraguai. Oficiais e soldados consideravam-se injustiçados pelo governo do império. Nada disso, porém, teria funcionado em 1889 caso a própria Monarquia já não estivesse corroída nas suas bases. “Já eram tão fracas as raízes do Império, que qualquer incidente mais grave as extirparia”, afirma o escritor pernambucano.<BR/>...<BR/>Renato Lessa segue na mesma linha nos capítulos iniciais de sua competente e bem fundamentada obra. Segundo ele, em 1889, “sisudos republicanos paulistas, mais afeitos à prudência do que à aventura, somaram-se a excêntricos positivistas e a alguns profissionais liberais e constituíram um movimento, cujo líder (o Marechal Deodoro da Fonseca) teve sua escolha mais determinada pela lógica da posição do que por suas convicções republicanas”. Quanto ao Império, “nada de reação”, observa Lessa. Restou “a impressão de que o país há muito não possuía governo, e de que as coisas públicas se mantinham única e exclusivamente pela inércia”, alimentada pelo “enfado e o alheamento do imperador”.<BR/>...<BR/>A decrepitude do Império às vésperas da República pode ser resumida neste perfil que José Maria Belo traça do imperador Pedro II:<BR/>...<BR/>“Não foi propriamente um estadista; faltava-lhe visão de conjunto, o gosto da política, a coragem de ousar. Honesto cumpridor de deveres, patriota sincero, tocado mesmo de certos preconceitos nativistas, realizava o melhor tipo do alto funcionário público. Era intangível a dignidade da sua vida privada; alto e espontâneo o seu desprezo pelo dinheiro; instintiva a sua repugnância à desonestidade e à falta de compostura moral. Inteligência não muito acima da medíocre, no melhor sentido do termo, incapaz de comover-se ante os aspectos de beleza artística da vida. (...) Amava as atividades do espírito, embora na sua constante preocupação de comércio com escritores e sábios estrangeiros houvesse, talvez, um tanto de exibicionismo provinciano. (...) Era, em regra, um tímido, essencialmente contemporizador, talvez desencantado e cético”.<BR/>...<BR/>No dia 15 de novembro de 1889, esse conjunto de atributos do nosso segundo imperador foi insuficiente para dar sobrevida à Monarquia brasileira.]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>Pesquisa 1889: o Brasil de Joaquim Nabuco</title>
      <pubDate>Tue, 26 Jul 2011 17:42:31 -0300</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=131</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[A pesquisa para meu próximo livro, “1889”, sobre a Proclamação da República, está mal começando. Ao todo, tenho cerca de 150 obras e fontes de referência sobre o tema para ler e consultar. Até agora, consegui cobrir cerca de 20% desse total. Espero concluir o trabalho até o final de 2012, a tempo de escrever e publicar o livro no segundo semestre do ano seguinte. Até lá, os leitores poderão acompanhar o passo-a-passo dessa investigação em posts semanais que pretendo fazer neste blog.<BR/>...<BR/>Um dos livros já lidos é "Joaquim Nabuco", de Angela Alonso, mais uma obra da excelente série Perfis Brasileiros, da Companhia das Letras. Terminei essa leitura com uma sensação estranha. É curioso observar que caminhos o país poderia ter trilhado caso os acontecimentos do final do século 19, envolvendo o fim da escravidão e, logo em seguida, a Proclamação da República, tivessem tomado um rumo institucional mais organizado, em vez de se impor pela força das armas no dia 15 de novembro de 1889.<BR/>...<BR/>Como seria o Brasil imaginado por Joaquim Nabuco? É um projeto que pode ser inferido pelas idéias que o grande abolicionista pernambucano defendeu em artigos, discursos, entrevistas e, especialmente, nas três obras magistrais que publicou: "O Abolicionismo", "Minha Formação" e "Um Estadista do Império", esta última a biografia do seu pai, o senador baiano Nabuco de Araújo, ministro de D. Pedro II e um dos principais líderes do Partido Liberal.<BR/>...<BR/>Nos textos, Nabuco pregava equilíbrio nas contas públicas, austeridade fiscal e monetária, interferência mínima do governo na economia, secularização do estado, liberdade de culto, educação para todos, reforma agrária gradual, com o uso de taxação progressiva do latifúndio, que seria substituído por uma economia de pequenas e médias propriedades. Uma grande novidade era a integração dos ex-escravos na sociedade nacional. Depois de libertos pela Lei Áurea de 1888, eles seriam educados e teriam o direito a cultivar pequenas propriedades familiares. No passo seguinte, se tornariam eleitores, com direitos iguais aos de quaisquer outros brasileiros. Defendia principalmente o respeito às instituições e ao voto como instrumento de mudança na sociedade. O Brasil de Joaquim Nabuco era, portanto, um país mais com cara de Estados Unidos e Inglaterra do que de Paraguai e Bolívia.<BR/>...<BR/>Natural do Recife, Nabuco passou a infância num “engenho de fogo morto” em Pernambuco, uma propriedade decadente, que ainda cultivava cana, mas não moia nem produzia açúcar. Foi amamentado por uma mulher negra e cresceu num ambiente rural. Aos oito anos, mudou para a casa dos pais, no Rio de Janeiro, e passou a frequentar os salões da corte imperial. Era um ambiente solene, que valorizada a etiqueta, a oratória e os gestos teatrais. “Discurso de menos de duas horas não prestava”, registrou Afonso Celso Jr, citado por Ângela Alonso. Começava ali seu processo na formação da elite imperial.<BR/>...<BR/>No Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, conheceu Rodrigues Alves, futuro presidente da República. Mais tarde, como estudante de Direito da Faculdade do Largo São Francisco, em São Paulo, foi colega do poeta Castro Alves, do jurista Rui Barbosa e de outro futuro presidente, Afonso Pena. Ao lado de Machado de Assis, foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras.<BR/>...<BR/>Num país de analfabetos, rural e atrasado, Nabuco era um cosmopolita. Passou a maior parte de sua vida viajando pela Europa e pelos Estados Unidos. Privou da amizade de alguns dos homens mais influentes do seu tempo, como o presidente americano Theodoro Roosevelt. Na juventude, foi um dândi – estilo de vida celebrizado por intelectuais europeus do século 19, como Oscar Wilde e Marcel Proust, que valorizava a aparência e o comportamento mundano dos grandes salões. Magro, com 1,86 de altura, usava pulseira de ouro, chapéu de palha, sapatos ingleses e roupas impecáveis. Ficou conhecido como “Quincas, o Belo”. Era um grande namorador.<BR/>...<BR/>Numa viagem de navio para a Europa conheceu o grande amor de sua vida, Eufrásia Teixeira Leite. Filha de uma das famílias mais ricas da época, era neta do Barão de Itambé, por sua vez irmão do Barão de Vassouras, ou seja, gente da fina flor da aristocracia rural do Segundo Império. O casal se correspondeu durante quatorze anos, mas o romance não prosperou por barreiras políticas e familiares. Nabuco, líder do movimento absolutista, era filho de um político de carreira. Não tinha bens de raiz e às vezes se submetia a trabalhos menores para ganhar a vida. Eufrásia, ao contrário, vinha de uma família que era o símbolo e o próprio sustentá-lo da escravatura no Vale do Paraíba. Foi uma das mulheres mais ricas do seu tempo. Estavam em lados opostos na política e na conta bancária. Apesar do longo romance com Eufrásia, Nabuco se casou tarde, aos 40 anos, com Evelina Soares, dezesseis anos mais jovem, filha de barão e educada na França, mas nem de longe dona de fortuna comparável à dos Teixeira Leite. O casal teve duas filhas e três filhos.<BR/>...<BR/>Fiel a seus princípios, Nabuco recusou inúmeros cargos públicos que teriam funcionado como uma confortável sinecura na corte do Rio de Janeiro. Recusou até mesmo um título de nobreza, o de visconde, que lhe foi oferecido pelo imperador Pedro II após a assinatura da Lei Áurea. Morreu aos 60 anos, em Washington, onde era embaixador, e foi sepultado no Recife com honras de chefe de Estado.<BR/>...<BR/>Influenciado pelas ideias liberais da Inglaterra e dos Estados Unidos, dizia que o Brasil estava condenado a continuar no atraso enquanto não resolvesse de forma satisfatória a herança escravocrata. Não bastava libertar os escravos. Era preciso incorporá-los ao à sociedade como cidadãos de pleno direito. O regime de escravidão, dizia ele, corrompia tudo e impedia que a sociedade evoluísse. “A escravidão não consentiu que nos organizássemos e sem povo as instituições não tem apoio, a sociedade não tem alicerce”, escreveu. Os ex-escravos, segundo Nabuco, só atingiriam o status de cidadãos “quando tiverem um salário equitativo nas fazendas, quando formarem uma família tão legítima como a do branco, quando vierem os filhos educados perante a lei, quando tiverem uma pequena propriedade”. Era a favor a atração de imigrantes europeus, como forma de “branquear” a sociedade brasileira.<BR/>...<BR/>Era um defensor das instituições e radicalmente contra rupturas no processo político. Sempre respeitou e se submeteu ao voto. Achava que a monarquia parlamentar, à moda inglesa, era preferível à república. “A grande questão da democracia brasileira não é a monarquia, é a escravidão”, dizia. Sabia que num país de instituições fracas como o Brasil seria difícil construir uma democracia sólida como a americana apenas pela mudança do regime monárquico pelo republicano. “Deve ou não o povo fazer política (...), pelas condições especiais em que nos achamos, de território, de população, de trabalho escravo e de distribuição de propriedade?”, se perguntava. Mas, ao mesmo tempo, dizia que fora do parlamento não havia solução para os conflitos da sociedade brasileira. “É no parlamento que a emancipação deve ser decidida – e não na praça pública”, defendeu durante a campanha abolicionista. Isso funcionou com a abolição da escravidão, aprovada no parlamento e sancionada pela princesa Isabel em 13 de maio de 188. Mas não funcionou com a República, instaurada por um golpe militar liderado por um marechal de pijamas, Deodoro da Fonseca.<BR/>...<BR/>Nabuco era um homem avançado nas idéias e nos planos para o Brasil, muito diferente dos generais toscos e de índole autoridade que liderariam a implantação da República em 1889. O que se depreende da leitura do livro de Angela Alonso é que, nos estertores do Império, o Brasil estava sendo pensado de forma estratégica, com visão de longo prazo. Mas era um país inviável porque lhe faltava legitimidade. Tratava-se de um país de poucos para poucos, que se revelou incapaz de negociar e pactuar o seu futuro. “Incapazes de resolver a bom termo o problema fundamental – modernizar a economia sem afetar a hierarquia social e a distribuição do poder político – os dois partidos (conservador e liberal) brigaram até esfacelar a coalizão política que sustentava o regime”, escreve Angela Alonso. “Impediram, assim, o andamento das reformas que os poderiam salvar”.]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>Pesquisa 1889: as memórias imaginárias de D. Pedro II</title>
      <pubDate>Wed, 20 Jul 2011 17:54:41 -0300</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=129</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[Acabei de ler uma história magnífica. Chama-se “D.Pedro II – Memórias imaginárias do último imperador”, romance histórico do francês Jean Soublin (Editora Paz e Terra, 308 pág,1996). É parte da pesquisa para o meu próximo livro, “1889”, que vai tratar da Proclamação da República e pretendo publicar em 2013. Como se sabe, D. Pedro II nunca escreveu suas memórias. Mas, se o tivesse feito, muito provavelmente teriam sido estas inventadas por Soublin. É um livro engenhoso, sensível, escrito de forma talentosa por um autor que conseguiu captar em toda a sua dimensão a alma e os sentimentos do último soberano brasileiro.<BR/>...<BR/>Francês da Normandia, Jean Soublin nasceu em 1936. Estudou literatura brasileira na Universidade de Paris e morou no Brasil na década de 60. De volta à Europa, foi alto executivo de um banco brasileiro. Estreou como escritor nos Anos 70 com o romance histórico Lascaris d’Arabie. É crítico literário do jornal Le Monde e colabora regularmente com outros periódicos franceses. No Brasil publicou, também pela Paz e Terra, o romance O Comitê de Riscos.<BR/>...<BR/>O romance de Soublin tem como cenário a cidade francesa de Vichy no verão de 1891. Ali, às voltas com problemas de saúde e cercado de poucos familiares e amigos, D. Pedro II, de 65 anos, vive o seu amargo exilio, iniciado menos de dois anos antes com a proclamação da República no Brasil. Além de perder o trono, acaba de sofrer duas tragédias pessoais. A primeira foi a morte da esposa, Teresa Cristina, dezoito meses atrás, na cidade do Porto. Há seis faleceu também a Condessa Barral, seu grande amor platônico. É nesse clima que Soublin constrói as memórias fictícias do imperador.<BR/>...<BR/>O tom geral é de melancolia, desencanto, sonhos partidos, coisas que poderiam ter sido e nunca foram. O Brasil imaginado por D. Pedro II deveria ter sido um grande império, poderoso, desenvolvido, ilustrado, capaz de assombrar seus congêneres europeus. Petrópolis, a bela cidade que leva seu nome, seria o símbolo disso tudo. Plantada no clima ameno da Serra Fluminense, era o local de refúgio da corte do Segundo Reinado no verão úmido e opressivo do Rio de Janeiro. As largas avenidas arborizadas, os jardins bem cuidados, o palácio de verão e o de cristal, os hotéis de luxo, as mansões da nobreza e do corpo diplomático – tudo lembrava Versailles ou Viena. Era um Brasil que se julgava mais civilizado, mais rico, mais importante do que de fato seria no futuro. Coube à República vê-lo naufragar num oceano de pobreza, analfabetismo e exclusão, do qual ainda hoje tenta se recuperar.<BR/>...<BR/>O Brasil de sonhos que jamais se realizou aparece vivo nas memórias do imperador. Ao recordar a cena da sua coroação, aos 14 anos em 1840, D. Pedro II imagina-se uma ave emplumada a alçar vôo de dentro da Capela Real, no Rio de Janeiro, para contemplar das alturas o império que o pai, D. Pedro I, lhe havia legado uma década antes ao partir para Portugal:<BR/>...<BR/>“Identificando-me com o pássaro esplendoroso (...), repentinamente levantei vôo entre os faveiros e os mognos da Amazônia. Alcei-me, a floresta silenciosa estendia-se a meus pés, rumo ao infinito. Cruzei com araras, em seguida com um vôo de garças, por fim, com uma águia, espantada que alguém ousasse atingir as solidões de seu reino. (...) Varei o azul qual uma flecha vermelha. Atingi alturas inefáveis, e olhei. Entrevi a neve dos Andes, o Caribe, o oceano, o rio da Prata. O império, meu império espraiava-se langoroso e esplêndido. Por sua forma dilatada ao alto, estreita embaixo, identifiquei uma cornucópia prestes a derramar seus tesouros sobre o mundo”.<BR/>...<BR/>D. Pedro II reinou meio século. Ao ser apeado do poder por um golpe militar, deixava para trás uma obra inacabada e ainda hoje controvertida. Foi um soberano magnânimo e tolerante. Sofreu duros ataques pessoais, mas, ao contrário do que havia feito seu pai, nunca censurou, prendeu ou reprimiu um jornalista ou opositor . Um dos homens mais ilustres do seu tempo, apoiou as artes e fez-se amigo de cientistas no mundo inteiro. Apostou em obras de infraestrutura, como as ferrovias e os estaleiros do Barão de Mauá. O país manteve-se unido, contra todos os perigos que ameaçavam dividi-lo. Por outro lado, investiu na educação menos do que deveria. Estima-se que em 1889, ano da Proclamação da República, oito entre dez brasileiros não sabiam ler ou escrever. Os escravos, libertados só no ano anterior, foram abandonados à própria sorte. O latifúndio e a concentração de riquezas permaneceram intocados. Ordeiro e disciplinado, D. Pedro II soçobrou agarrado à lei e às tradições, sem jamais confrontar os vícios estruturais da sociedade que governou por tanto tempo.<BR/>...<BR/>Ao refletir, já no final do livro, sobre esse legado, D. Pedro II vê-se visitado por uma assombração no meio de uma noite mal dormida. A visão o acusa de ter vivido na ilusão. Segue-se um diálogo impressionante:<BR/>...<BR/>- Velho, viveste na mentira e a mentira deixou-te atado, ataca o fantasma.<BR/>...<BR/>- Quis a felicidade do meu povo, defende-se o imperador.<BR/>...<BR/>- Querer, querer, justamente o que não soubeste fazer. Simplesmente te agarraste à ordem, como um condenado a seu grilhão. Vamos, ancião, canta comigo: é preciso ter caos dentro de si para pôr no mundo uma estrela cadente.<BR/>...<BR/>D. Pedro II morreu em 5 de dezembro de 1891, alguns meses depois de ter saído de Vichy, em seu quarto do hotel Bedford, na rua de l’Arcade, em Paris.]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>O romance de D. Pedro e Domitila e a História para adolescentes</title>
      <pubDate>Thu, 14 Jul 2011 15:18:54 -0300</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=126</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[Alguns leitores tem me enviado email perguntando sobre as diferenças entre as versões originais dos livros “1808” e “1822”, para leitores adultos, e as edições juvenis, lançadas respectivamente pelas editoras Planeta e Nova Fronteira. As principais mudanças são, obviamente, de linguagem e de aspecto gráfico. Os livros juvenis destinam-se a estudantes adolescentes, na faixa etária entre nove e dezesseis anos. Essa é uma geração que, aparentemente, está lendo menos do que deveria no papel, mas é muito seduzida pela internet e pelos formatos multimídia que incluem sons e imagens. Para atingir esse público, procurei fazer versões mais lúdicas e ilustradas, com menor número de páginas.<BR/>...<BR/>A edição juvenil de “1808” tem 148 páginas, menos da metade da versão adulta, com 414 páginas. A de “1822”, com 232 páginas, também é menos volumosa do que a original. As ilustrações são da artista plástica gaúcha Rita Brugger e a adaptação do texto foi realizada por Luiz Antonio Aguiar, escritor especializado em linguagem para o público jovem. Ficou um livro mais coloquial e mais atraente, mas sem perder a substância do conteúdo da obra original. O estudante que ler a edição juvenil conseguirá entender os personagens e acontecimentos da Independência tanto quanto o leitor da versão adulta. O objetivo é que sirva realmente como uma obra paradidática, capaz de ajudar os professores em sala de aula e também os pais eventualmente interessados em auxiliar seus filhos a aprender História do Brasil.<BR/>...<BR/>Mas há também mudanças no próprio conteúdo dos livros. Por se tratar de obras destinadas ao uso em sala de aula, achei conveniente passar ao largo de algumas histórias que poderiam gerar constrangimento entre pais e professores. É o caso dos detalhes mais picantes do romance entre D. Pedro I e a Marquesa de Santos. Na versão juvenil, cito o caso apenas de passagem, sem reproduzir as cartas mais escatológicas que o imperador enviou à amante.<BR/>...<BR/>O romance rendeu um dos conjuntos de documentos mais pitorescos da história brasileira. São mais de 170 cartas escritas entre 1822 e 1829. Há textos apaixonados e outros chulos, com descrições e vocabulário mais adequados a uma borracharia de beira de estrada do que a um palácio imperial. Trazem detalhes curiosos a respeito da anatomia do imperador em linguagem crua. “Tua coisa está sem novidade, está boa, e as áreas têm diminuído, e agora já as não deito tão finas, e por isso a urina vem clara”, anuncia D. Pedro em missiva sem data. A “tua coisa” era, obviamente, a genitália do imperador e o texto dá a entender que, enquanto se relacionava com a marquesa, aparentemente contraíra uma doença venérea, moléstia comum na época.  Em outra carta, D. Pedro I se refere novamente à própria genitália como uma “máquina triforme”. <BR/>...<BR/>Nenhuma dessas informações aparece nas versões juvenis. Preferi deixá-las apenas na versão adulta, que esses estudantes poderão ler mais tarde, quando tiverem maturidade e discernimento para entendê-las. ]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>A quem interessa esconder o passado?</title>
      <pubDate>Fri, 08 Jul 2011 18:12:12 -0300</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=120</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[Uma polêmica envolvendo documentos oficiais mantidos em segredo mobilizou parte da opinião pública brasileira nas últimas semanas. O tema não é novo. Há vários casos famosos de sonegação de documentos com o objetivo de esconder ou maquiar o passado. Um exemplo é a própria certidão de nascimento do Brasil, a carta de Pero Vaz de Caminha. D. Manuel I, rei de Portugal em 1500, demorou um ano para comunicar oficialmente a descoberta do Brasil ao seu sogro, o rei da Espanha, mas a famosa carta de Caminha, que dava detalhes do acontecimento, ficou escondida na Torre do tombo, em Lisboa, até 1773. Mesmo destino tiveram outros documentos da época que tratavam das navegações ao Brasil.<BR/>...<BR/>Por que tanto segredo? Uma razão é que, naquele tempo, Lisboa estava infestada de espiões, pagos pelos governos de outros países europeus com a missão de obter informações sobre as novas descobertas portuguesas. Nos séculos 15 e 16 Portugal travou com a Espanha uma corrida semelhante a que russos e americanos disputariam no século 20 para chegar à Lua. Durante mais de cem anos, os portugueses perseguiram com determinação o domínio das técnicas que navegação que, finalmente, levariam Vasco da Gama à Índia contornando o extremo sul do continente africano, em 1497. Era um empreendimento de natureza tão estratégica que seus detalhes foram mantidos em absoluto sigilo.<BR/>...<BR/>O maior desses segredos era justamente a travessia do Atlântico Sul a caminho das índias. Até a viagem de Vasco da Gama, acreditava-se que a rota natural seria contornar a África, a curta distância do continente, até encontrar as águas do Oceano Índico. Havia, porém, dois obstáculos: os ventos e as correntes marítimas contrárias impediam o avanço dos navios. Coube aos portugueses desenvolver uma rota alternativa, a chamada “Volta Grande”, pela qual os navios se distanciavam da costa africana até altura do Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco, e daí, sim, embicavam rumo ao Cabo da Boa Esperança. Era um desvio tão acentuado para oeste que seria praticamente impossível não avistar o litoral brasileiro. A própria discussão do Tratado de Tordesilhas indica que os portugueses tinham informações detalhadas sobre a localização do Brasil no mapa na América antes de Cabral.<BR/>...<BR/>Outro caso famoso de tentativa de esconder o passado envolve D. Pedro I e a sua amante Domitila de Castro, a Marquesa de Santos. O romance rendeu um dos conjuntos de documentos mais pitorescos da história brasileira. São mais de 170 cartas que o imperador escreveu à amante entre 1822 e 1829. Mas se dependesse de D. Pedro, nenhuma delas teria chegado até nós. Logo no começo do romance, ele orientou Domitila a destruir todas as cartas trocadas entre ambos. Aparentemente, ele fez isso com a maioria das mensagens que recebeu dela. São raras as cartas conhecidas de Domitila para D. Pedro. A marquesa, no entanto, desobedeceu a ordem e guardou as mensagens que recebeu do amante. Coube ao historiador Alberto Rangel descobrir essa correspondência. Outro lote das cartas foi encontrado recentemente em Nova York pelo historiador Paulo Rezzutti e publicadas no livro “Titília e o Demonão”, da Geração Editorial. Essa documentação é hoje fundamental para entender a dimensão humana do nosso primeiro imperador.<BR/>...<BR/>Há, por fim, a história da destruição de documentos relacionados à escravidão ordenada pelo Barão do Rui Branco logo após a assinatura da Lei Áurea, de 1888. O barão dizia que a escravidão era uma mancha que deveria ser apagada da memória brasileira, de modo a não constranger as futuras gerações. Foi um prejuízo irreparável na pesquisa da História do Brasil.<BR/>...<BR/>Que lições tirar dessas histórias? No caso das grandes navegações portuguesas, havia ali um claro interesse nacional a ser preservado. A revelação dos documentos de forma prematura poderia comprometer os esforços portugueses e ameaçar a própria soberania nacional. É a desculpa que a presidente Dilma Roussef tem apresentado na defesa do segredo de documentos considerados pelo governo ultra-secretos porque envolveriam ameaça à soberania e à integridade do território nacional. Que documentos poderiam ser esses? Como permanecem em segredo, resta raciocinar por hipótese. Imagine que numa das disputas de fronteiras com países vizinhos no século 19 o Brasil tivesse corrompido um árbitro internacional e recebido, por essa razão, uma decisão favorável aos seus interesses. Isso poderia dar hoje razão para que o país prejudicado na delimitação de fronteiras questionasse o acordo e reivindicasse numa corta internacional a devolução de um pedaço do atual território brasileiro. Poderia ser uma boa razão para manter documentos em sigilo se eles revelassem esse tipo de conduta.<BR/>...<BR/>A tentativa destruição das cartas entre D. Pedro e Domitila e dos documentos relativos à escravidão, por sua vez, revelam uma tentativa de polir a imagem dos envolvidos para suavizar o julgamento deles perante as gerações futuras. Essas histórias mostram, portanto, que esconder o passado geralmente interessa a quem constrói o presente de forma torta.]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>A Independência que o Brasil esqueceu</title>
      <pubDate>Fri, 01 Jul 2011 01:16:04 -0300</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=117</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[Passa incólume pelo calendário cívico nacional neste sábado uma data injustiçada. É o Dois de Julho, dia da expulsão das tropas portuguesas de Salvador em 1823. Nenhuma outra região lutou, sofreu e derramou tanto sangue em defesa da Independência do Brasil quanto a Bahia. Sem a resistência obstinada dos baianos, provavelmente a Guerra da Independência estaria perdida. Foram dezessete meses de combates, nos quais milhares de pessoas pegaram em armas na defesa dos interesses brasileiros contra Portugal. <BR/>…<BR/>A expulsão das tropas portuguesas de Salvador no dia Dois de Julho de 1823 marca a consolidação definitiva da luta pela Independência. Na capital baiana tombou a mais conhecida heroína dessa guerra, a madre Joana Angélica, ferida a golpes de baioneta na invasão do convento da Lapa em fevereiro de 1822. Apesar disso, a data é desconhecida pela imensa maioria dos brasileiros que vivem fora da Bahia. Raramente aparece nos livros didáticos e não consta do calendário cívico nacional. É uma injustiça que precisa ser corrigida.<BR/>…<BR/>Em 1822, Salvador era um ponto estratégico crucial para tornar viável o nascente império brasileiro. Capital da terceira província mais populosa do país, tinha uma importante indústria naval e exportava grandes quantidades de mercadorias, como algodão, açucar e tabaco. Era também grande pólo do tráfico negreiro, então o principal negócio do Brasil. Após o Dia do Fico (9 de Janeiro de 1822) e a expulsão das tropas portuguesas do Rio de Janeiro, as cortes de Lisboa decidiram concentrar suas forças na Bahia tentando isolar o príncipe regente e futuro imperador Pedro I. Acreditavam que, encastelados em Salvador, os portugueses poderiam mais tarde atacar o Rio de Janeiro e retomar o controle das províncias do sul do país. Em último caso, se a contra-ofensiva não funcionasse, poderiam dividir o território brasileiro mantendo as regiões Norte e Nordeste sob controle português. Por isso, a guerra na Bahia foi tão renhida e decisiva.<BR/>…<BR/>O Recôncavo baiano foi um capítulo heróico e de decisivo da Guerra da Independência. Funcionou como o embrião do esforço pela preservação da integridade territorial brasileira, seriamente ameaçada pelos portugueses. Após a ocupação de Salvador pelas forças do general Madeira de Melo, em fevereiro de 1822, o restante da Bahia aderiu em peso à Independência do Brasil formando um cinturão de isolamento aos portugueses encastelados na capital. As vilas e fazendas do Recôncavo se transformaram em imensos campos de refugiados brasileiros. A primeira vila da região a se pronunciar foi Santo Amaro da Purificação, no dia 14 de junho de 1822. Alguns dias mais tarde, em 25 de Junho, foi a vez da vizinha Vila de Cachoeira, onde se travou a mais singela e, talvez, a mais heróica de todas as batalhas navais da Independência, contra uma canhoneira portuguesa que havia disparado sobre os moradores da cidade.<BR/>…<BR/>No Recôncavo, sob o comando do general francês Pierre Labatut, concentraram-se as forças do até então indisciplinado e desorganizado exército brasileiro. Os soldados estavam descalços, famintos e com os soldos atrasados. Muitos morriam de tifo e impaludismo, febres endêmicas no Recôncavo. Faltavam médicos, enfermeiros, remédios e hospitais. As armas eram fabricadas de forma improvisada pelos próprios oficiais e soldados. Apesar disso, lutando contra tudo e contra todos, os baianos conseguiram vencer as adversidades e iniciar a ofensiva contra os portugueses. <BR/>…<BR/>A Bahia decidiu o futuro do Brasil na sua forma atual. Por essa razão, sou a favor de elevar o Dois de Julho à condição de data nacional, como também acredito que os políticos baianos deveriam, com urgência, desfazer o grande equívoco que foi a troca do nome do aeroporto de Salvador. Agora, chama-se Luís Eduardo Magalhães, em homenagem ao político baiano falecido em 1998. É uma prova de que o coronel da atualidade será sempre mais lembrado do que todas as lutas gloriosas do passado. Deveria voltar a se chamar Dois de Julho porque essa é uma data fundamental para a Independência do Brasil, tão ou até mais importante que o 7 de Setembro. Ela é a prova de que a Independência do Brasil não se resume ao Grito do Ipiranga.]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>A fabulosa história do coronel Simplício e a maçonaria em 1822</title>
      <pubDate>Sun, 05 Jun 2011 18:04:16 -0300</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=111</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[Chego ao Piauí para dois compromissos importantes. O primeiro é a abertura da nona edição do Salão do Livro do Piauí (Salipi), um dos mais bem organizados eventos literários do Brasil, que começa neste domingo em Teresina. Amanhã, segunda-feira, recebo em sessão solene da Assembléia Legislativa o titulo de Cidadão Honorário do Piauí. A honraria que me foi concedida, por iniciativa da deputada Rejane Dias (PT) em sinal de gratidão do povo piauiense pela inclusão de um capítulo no livro “1822” sobre a Batalha do Janipapo, o mais trágico de todos os confrontos da Guerra da Independência. Ocorrido no dia 13 de março de 1823 no município de Campo Maior, no sertão piauiense, teve como saldo entre 200 e 400 brasileiros mortos contra apenas 16 vítimas portuguesas.<BR/>…<BR/>Antes desses dois compromissos, no entanto, visitei ontem a cidade de Parnaiba, onde tive como cicerone o historiador Diderot Marvignier. Situada no litoral, na região conhecida como Delta do Parnaiba, espremida entre as divisas com o Ceará e o Maranhão por uma nesga faixa de terra de apenas 67 quilômetros, esta simpática cidade, com trezentos anos de história, teve uma participação marcante no processo de Independência do Brasil. Foi a primeira vila do Piauí a hipotecar apoio ao imperador Pedro I. O grito de Independência na Parnaíba ocorreu no dia 18 de outubro de 1822, algumas semanas após o Grito do Ipiranga em São Paulo.<BR/>…<BR/>A iniciativa partiu da loja maçônica local, liderada pelo juiz de fora João Cândido de Deus e Silva e pelo coronel Simplício Dias da Silva. Formado em Coimbra, o coronel Simplício era um dos homens mais ricos do Brasil. Tinha 1 200 escravos e no final do século 18 chegou a abater 40 000 bois por ano, transformados em carne de charque, banha e couro curtido. Esses produtos eram transportados por uma frota privada de cinco navios que cruzavam o Atlântico em direção à Europa, aos Estados Unidos e às capitais do nordeste e do sul do país.<BR/>…<BR/>Simplício acumulou uma fortuna tão grande que mantinha uma orquestra particular nos seus domínios, requinte difícil de imaginar naquele tempo. Teria presenteado D. Pedro com um cacho de bananas em tamanho natural, todo em ouro maciço incrustado com pedras preciosas. Também sustentava uma capela e um pároco exclusivos na catedral da cidade. Morreu em 1829, sete anos após a Independência do Brasil. Seu túmulo, que visitei ontem na catedral da Parnaíba, exibe hoje uma variada simbologia maçônica, segundo estudo do meu cicerone Diderot Mavignier.<BR/>…<BR/>Simplício Dias era um dos expoentes da maçonaria no Brasil no começo do século XIX. Pertecia à chamada facção vermelha, de tendência republicana, liderada no Rio de Janeiro pelo advogado Joaquim Gonçalves Ledo, adversário de José Bonifácio de Andrada e Silva, da facção favorável ao regime de monarquia constitucional. Apesar dessas divergências, nas lojas maçônicas foram estudadas, discutidas e aprovadas várias decisões importantes, como o manifesto que resultou no Dia do Fico (Nove de janeiro de 1822), a convocação da constituinte, os detalhes da aclamação de D. Pedro como “defensor perpétuo do Brasil” e, finalmente, como imperador, no dia 12 de outubro.<BR/>…<BR/>Numa época em que ainda não havia partidos políticos organizados, foi o trabalho das sociedades secretas que levou a semente da independência às regiões mais distantes e isoladas do território brasileiro. O túmulo do coronel Simplício mostra que essa influência ir muito além de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Recife, chegando a regiões distantes e isoladas, como o Piauí de 1822.]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>A lenda do monstro Labatut na Chapada do Apodi</title>
      <pubDate>Thu, 02 Jun 2011 15:35:42 -0300</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=107</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[Estou no Rio Grande do Norte para uma palestra hoje à noite na XV Convenção Estadual do Comércio e Serviços, evento que reúne cerca de 1.000 pessoas no Teatro Riachuelo de Natal. Tenho vindo a esta região com certa frequência desde que lancei o primeiro livro, “1808”. Aqui encontrei uma das estórias mais curiosas durante a pesquisa da segunda obra, “1822”, lançada no ano passado. Trata-se da lenda do monstro Labatut, entidade mitológica, semelhante ao lobisomem e à caipora em outras regiões do país, que hoje é parte do folclore da chapada do Apodi, na divisa entre o Ceará e o Rio Grande do Norte. Antropófago, o monstro Labatut tem o corpo coberto de pelos longos, pés arredondados e garras afiadas na ponta dos dedos cumpridos. Nas noites de vento ou de lua cheia sai pelas ruas e estradas desertas à caça de viajantes solitários.<BR/>...<BR/>Devo essa estória, registrada no capítulo “A Bahia” do livro “1822”, à contribuição do jornalista pernambucano Fred Navarro, meu companheiro de redes sociais, seguidor e seguido no Twitter. Enquanto eu pesquisava o novo livro, Navarro me chamou a atenção, pelo Twitter, para a coincidência entre o nome do monstro da chapada do Apodi e um dos personagens mais curiosos da Guerra da Independência do Brasil, o general francês Pierre Labatut. Maçom e ex-combatente nas guerras de libertação da América espanhola ao lado de Simon Bolivar, Labatut foi contratado como mercenário pelo então príncipe regente D. Pedro. Partiu do Rio de Janeiro para a Bahia no dia 17 de julho de 1822, menos de dois menos antes do Grito do Ipiranga. Sua missão era organizar e comandar a até então dispersa e caótica força brasileira que, a duras penas, resistia no Recôncavo Baiano aos portugueses do general Madeira de Melo, a esta altura encastelados na capital Salvador.<BR/>...<BR/>Labatut comandou as tropas brasileiras por dez meses, mas nomeação de um oficial estrangeiro para um cargo tão importante causou desconforto na Bahia. O general mal falava a língua portuguesa e insistia em alistar escravos nas forças brasileiras, medida que os senhores de engenho temiam por acreditar que, uma vez armados, os negros poderiam se voltar contra eles. Cercado de intriga por todos os lados, Labatut acabaria preso e destituído do comando pelos seus próprios oficiais cinco semanas antes do final da guerra.<BR/>...<BR/>A glória de entrar em Salvador à frente das tropas brasileiras no dia 2 de julho de 1823 caberia a seu substituto, o coronel José Joaquim de Lima e Silva. Era tio do jovem Luís Alves de Lima e Silva, futuro Duque de Caxias e atual patrono do Exército Brasileiro, que também participou dos combates na Bahia como tenente ajudante no Batalhão do Imperador. Labatut ainda combateria sob as cores do Império nas revoltas que se seguiram à Independência no Ceará e na Revolução Farroupilha do Rio de Grande do Sul. Promovido a marechal de campo, morreu em 1849, aos 73 anos, em Salvador.<BR/>...<BR/>A transformação do nome Labatut numa entidade mitológica da Serra do Apodi ainda merece estudos mais aprofundados na área da antropologia e do folclore. Acho que renderia um maravilhoso documentário de televisão porque é um exemplo de como realidade e fantasia se misturam hoje na história real da Independência do Brasil.<BR/><BR/>...<BR/><BR/>PS: Ao publicar este post no meu blog, recebi uma contribuição adicional dos tuiteiros Fred Navarro e Alex de Souza. Segundo eles, a fonte original da lenda do monstro Labatut (como não poderia deixar de ser) é Câmara Cascudo, que a cita em "Dicionário do Folclore Brasileiro" e "Geografia dos Mitos Brasileiros".]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>A história da Independência para os jovens</title>
      <pubDate>Tue, 31 May 2011 14:59:14 -0300</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=105</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[Chega às livrarias de todo o Brasil neste começo de junho, pela editora Nova Fronteira, a edição juvenil do meu último livro, “1822”, sobre a Independência do Brasil. A versão original da obra foi lançada em setembro do ano passado e desde então permanece nos primeiros lugares das listas das obras mais vendidas no Brasil e em Portugal. Destinada a estudantes adolescentes, na faixa etária entre nove e dezesseis anos, a nova edição vem com 232 páginas e ilustrações da artista plástica gaúcha Rita Brugger, a mesma que havia trabalho comigo na versão juvenil de “1808”, sobre a fuga da familia real portuguesa para o Rio de Janeiro. A adaptação do texto foi realizada por Luiz Antonio Aguiar, escritor especializado em linguagem para o público jovem.<BR/>...<BR/>A edição juvenil nasceu de uma demanda de pais e professores. Desde que lancei o primeiro livro comecei a ouvir deles uma observação curiosa. Todos diziam que eu usava uma linguagem acessível, fácil de entender, mas que a obra para adultos era muito grande, com cerca de 400 páginas. Por isso, assustava os adolescentes, não habituados a ler livros tão volumosos. Decidi então facilitar a vida desse público fazendo uma versão mais condensada, mais visual e mais lúdica, mas sem perder a substância do conteúdo. O estudante que ler a edição juvenil conseguirá entender os personagens e acontecimentos da Independência do Brasil tanto quanto o leitor da versão adulta.<BR/>...<BR/>Publicada em 2008 pela Editora Planeta, a versão juvenil de “1808” recebeu o selo de obra “altamente recomendável” pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). Já foi adotada como livro paradidático por inúmeras escolas e vendeu cerca de 100 mil exemplares no Brasil e em Portugal, refletindo o sucesso das obras voltadas para os leitores adultos. Juntos, “1808” e “1822” já venderam mais de um milhão de cópias nos dois países. Além dos livros em papel para adultos e jovens, tenho lançado ainda versões eletrônicas das duas obras. É o caso dos e-books, os chamados livros digitais, para serem lidos em aparelhos como Kindle e iPad, e dos audiolivros, destinados a deficientes visuais e leitores que passam muitas horas no trânsito das grandes cidades. Também lancei um DVD sobre a história da corte portuguesa no Brasil.<BR/>...<BR/>Estamos em um novo século que pede uma nova linguagem e novos formatos capazes de atingir diferentes públicos. Há um público jovem que, aparentemente, não está lendo muito no papel, mas passa boa parte do tempo surfando na internet e é muito seduzido pela linguagem audiovisual. Para atingir esses novos leitores é preciso desenvolver novos formatos. As versões juvenil e digitais de “1808” e “1822” nasceram desse esforço, tanto quanto o meu site pessoal (www.laurentinogomes.com.br), no qual os leitores podem encontrar conteúdo extra relacionados ao tema e também me acompanhar no blog e nas redes sociais, como Twitter, Facebook e Orkut.<BR/>...<BR/>Eu uso intensamente as novas tecnologias em uma tentativa de chegar a novos leitores. Uma das características mais curiosas do mundo contemporâneo é que, apesar da globalização, os seres humanos estão se organizando em comunidades que consomem informação, cultura e entretenimento de forma diferente no tempo, no espaço e no formato. É como se fossem alvéolos de uma grande colméia global. Para atingir essas diferentes comunidades é preciso ser multimidia. Tudo isso ajuda a aumentar o interesse pela leitura e pela História do Brasil.<BR/>...<BR/>Sobre a obra:<BR/>Livro: 1822 – edição juvenil ilustrada<BR/>Autor: Laurentino Gomes (adaptação Luiz Antonio Aguiar e ilustrações de Rita Brugger)<BR/>Preço de capa: R$ 29,90<BR/>Páginas: 232<BR/>Gênero: infanto-juvenil<BR/>Formato: 15,5 x 23 cm<BR/>Selo: Nova Fronteira]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>A história da África antes dos portugueses</title>
      <pubDate>Fri, 06 May 2011 14:36:00 -0300</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=103</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[Acaba de sair, em reedição da Nova Fronteira, uma obra monumental, de fôlego e ambição a que poucos autores se arriscariam. Trata-se de "A enxada e a lança: a África antes dos portugueses", do diplomata, ensaísta, poeta e historiador Alberto da Costa e Silva. Paulista de nascimento e piauiense de coração, Costa e Silva compôs a partir deste livro um panorama grandioso e erudito para desvendar a aventura dos seres humanos no continente que, segundo todas as evidências reunidas até agora pela ciência, lhes deu origem. Depois vieram "A manilha e o libambo: A África e a Escravidão de 1500 a 1700"; "Um rio chamado Atlântico"; "Francisco Félix, mercado de escravos" – estudos que, somados a inúmeras conferências, artigos e entrevistas, transformaram o autor em um dos mais importantes africanistas da atualidade e um dos maiores intelectuais brasileiros de sua geração.<BR/>...<BR/>Alberto da Costa e Silva foi meu orientador durante as pesquisas do livro "1822", sobre a Independência do Brasil, que lancei em setembro de 2010 na sequência de "1808", sobre a fuga da corte portuguesa de D. João para o Rio de Janeiro. Entre novembro de 2009 e junho de 2010, período em que escrevi o livro, tive no “embaixador” (como os amigos o chamam de forma carinhosa) um interlocutor atento, generoso e perspicaz. Profundo conhecedor da história brasileira, ele leu e anotou cada um dos capítulos à medida que eu os escrevia. Suas críticas e observações, feitas sempre de forma gentil e ponderada, ajudaram a corrigir enfoques, datas, nomes e informações que, sem o seu crivo, teriam comprometido o resultado final da obra. Sua generosidade para comigo se expressou novamente nesta reedição de "A enxada e a lança" ao me convidar a fazer a apresentação da obra. Foi uma honra imensa para mim preparar o texto no qual tento explicar aos brasileiros, especialmente aos mais jovens, a importância desse livro.<BR/>...<BR/>"A enxada e a lança" começa com os Australopithecus, ancestrais remotos dos seres humanos atuais que teriam vivido nas florestas e savanas do Quênia, da Etiópia e regiões vizinhas milhões de anos atrás. A partir dali, o leitor é conduzido em uma jornada de muitos séculos que o levará ao encontro de culturas milenares, registradas em obras de arquitetura, cerâmica, escultura, pintura, tecelagem e outros artefatos produzidos na maioria das vezes por autores anônimos e que hoje oferecem pistas esparsas de sua existência. Algumas dessas civilizações são bem conhecidas, como a dos faraós egípcios, dos valentes guerreiros núbios do alto Rio de Nilo e dos judeus da Etiópia, supostamente uma das doze tribos perdida nas savanas africanas e cuja prática religiosa resume-se aos primeiros livros do Antigo Testamento. Outras são praticamente desconhecidas, como a dos artífices das misteriosas esculturas Nok, encontradas na franja do deserto do Saara, e a dos Iorubos, nação estabelecida nos arredores de Ifé, atual Nigéria, cujos reis tinham poderes mágicos.<BR/>...<BR/>É uma jornada permeada de surpresas a cada virar de página. Hábil no domínio da língua portuguesa, Alberto da Costa e Silva constrói sua narrativa em estilo preciso, às vezes delicado e poético, mas sempre repleto de autoridade e erudição, valendo-se de sua longa experiência de pesquisador e diplomata brasileiro na África, onde serviu como embaixador na República do Benin e na Nigéria e percorreu quinze países. Generoso com o leitor, escreve de forma didática e fácil de entender, virtude infelizmente rara entre os historiadores brasileiros.<BR/>...<BR/>Desde o início da obra, o autor deixa transparecer o seu método de apuração, expondo ao leitor até mesmo suas aparentes fragilidades. Segundo ele, diante da óbvia escassez de provas documentais, muitas vezes foi necessário recorrer à imaginação e à conjectura para compor o grande mosaico das civilizações africanas. “Toda narrativa histórica é uma aproximação hipotética de acontecimentos que o autor não viveu”, define. No caso da África, explica, é preciso muitas vezes “adivinhar o passado”. Em "A enxada e a lança" esse “advinhar o passado” envolveu uma pesquisa gigantesca, como revelam as mais de 1.600 notas de referências e as mais de mil fontes bibliográficas que, somadas, ocupam cerca de 130 páginas, equivalentes a um quinto do volume total do livro.<BR/>...<BR/>Ao descrever suas viagens de pesquisas pela África no prefácio à primeira edição deste livro, de 1990, o autor diz ter observado “como se repetiam as paisagens nos dois lados do oceano” e compreendido “por que os africanos tão prontamente se assenhoraram das terras brasileiras, ainda que delas não tivesse a propriedade e nelas trabalhassem como escravos”. Junto com os escravos chegaram ao Brasil novas espécies de plantas, palavras, cores, ritmos e hábitos culturais que marcaram profundamente a nossa identidade. “Jamais saberemos o que realmente fomos se não desfiarmos a história brasileira pelo menos desde Afonso Henriques (primeiro rei de Portugal), na praia ocidental da Península Ibérica, e desde Nok e a expansão dos bantos no continente que a nós temos defronte”, afirma.<BR/>...<BR/>Por essas e muitas outras razões que os leitores encontrarão neste livro, estudar a história da África é essencial para compreender o Brasil. Com a vantagem de que, pelas mãos de Alberto da Costa e Silva, essa aventura será, além de útil, muito mais fascinante e prazerosa.]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>O livro em papel está condenado a morrer?</title>
      <pubDate>Tue, 03 May 2011 13:48:24 -0300</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=101</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[Notícia publicada pelo site Publishnews (www.publishnews.com.br), especializado em informações sobre o mercado livreiro, revela que no Reino Unido a venda de e-books, os chamado livros digitais, cresceram 300% em 2010 e já representam 6% do total do mercado britânico. Isso significa que os livros no formato em que os conhecemos hoje estão condenados à morte?<BR/>...<BR/>Acredito que estamos às vésperas de uma mudança radical nos hábitos de leitura. Os livros digitais, incluindo os áudiolivros, prometem universalizar o acesso ao livro. São mais fáceis e baratos de produzir e distribuir. Na loja da Amazon.com, por exemplo, um livro digital para o Kindle já custa metade do preço de um livro em papel. E a entrega é instantânea, por rede sem fio digital, enquanto que o formato antigo depende do envio por serviços postais que demoram entre uma e suas semanas para entregar ao Brasil. O custo de produzir e distribuir um livro em áudio, para deficientes visuais, é muito inferior ao de um livro em braile no papel. E ainda pode ser ouvido por pessoas que passam muitas horas no trânsito. <BR/>...<BR/>O futuro do livro e o futuro do papel são coisas diferentes. O formato papel parece estar mesmo com seus dias contados, mas o conteúdo dos livros continuará a ser tão relevante quanto sempre foi. A República, de Platão, que já foi uma obra prima no pergaminho, permanece relevante hoje no papel e continuará a ser nos meios digitais. Nosso desafio, portanto, não é a mudança nos formatos, mas a qualidade do conteúdo. Estamos em um novo século que pede uma nova linguagem e novos formatos capazes de atingir novas audiências ou novos públicos. Há um público jovem que, aparentemente, não está lendo muito no papel, mas passa boa parte do tempo surfando na internet e é muito seduzido pela linguagem audiovisual.<BR/>...<BR/>Imagine o impacto disso na escola. É mais prático e barato distribuir livros digitais instantaneamente para milhares de escolas em todos os municípios brasileiros, de Bagé, no Rio Grande do Sul, às barrancas do Rio Solimões, no Amazonas, em vez de gastar recursos no transporte de milhares de toneladas de exemplares em papel por caminhões, trens, barcos e aviões. O único desafio no momento é tornar o livro digital mais amigável para as pessoas. Mas isso a tecnologia resolverá mais rapidamente do que se imagina.<BR/>...<BR/>Por essa razão, daqui para frente nós – jornalistas, escritores, professores, historiadores, produtores de conhecimento de forma geral – precisamos ter estratégias multimídia para atingir diferentes públicos. Uma das características mais curiosas do mundo contemporâneo é que, apesar da globalização, os seres humanos estão se organizando em comunidades que consomem informação, cultura e entretenimento de forma diferente no tempo, no espaço e no formato. É como se fossem alvéolos de uma grande colméia global. Para chegar a essas diferentes comunidades é preciso ser multimídia.]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>Estamos condenados a repetir os erros do passado?</title>
      <pubDate>Fri, 29 Apr 2011 18:53:56 -0300</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=99</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[Nas minhas aulas, palestras e sessões de bate-papo com os leitores em várias regiões do Brasil, ouço com muita freqüência as seguintes perguntas:<BR/>- Que lições podemos tirar da nossa História?<BR/>- O que se pode aprender com o passado de modo a evitar a repetição de erros no futuro?<BR/>Ambas são, obviamente, questões difíceis de responder. A rigor, é um perigo achar que o passado contenha muitas lições capazes de evitar erros futuros. <BR/>A jornada dos seres humanos tem sido marcada por grandes acertos, erros e tragédias, gestos de suprema bondade e grandes injustiças. Podem ser observados no passado, estão ocorrendo no presente e bom toda a certeza se repetirão no futuro. O passado mostra que a História é um drama infindável em que a condição humana aparece desnuda em todas as suas limitações. Essa é a única e grande lição do passado.<BR/>Se a história contivesse lições úteis para evitar erros futuros, Adolf Hitler jamais teria invadido a Rússia. Quem estuda a Segunda Guerra mundial observa que o ditador alemão cometeu o mesmo erro de Napoleão Bonaparte em 1812. Ambos tiveram de se defrontar com os rigores do inverno russo, perderam milhares de vidas e, no fim das contas, a própria guerra em razão de um passo de altíssimo risco. Por que um não aprendeu com a lição do outro? Porque ambos foram premidos pelas condições de momento distintos da história. Napoleão foi obrigado a invadir a Rússia em 1812, tanto quanto Hitler foi obrigado a repetir seu gesto na Segunda Guerra Mundial. São decisões parecidas, mas tomadas sob pressões, acasos e circunstâncias peculiares de cada momento.<BR/>Este é o senso de tragédia e de limitação nas ações humanas que sobra quando se olha o passado. A história serve, obviamente, para ajudar no entendimento do presente e para a construção do futuro. Uma sociedade que não estuda história simplesmente não consegue entender a si mesma, porque desconhece o passado e suas próprias raízes. E se desconhece as suas raízes, provavelmente não estará apta a construir o futuro de forma estruturada e organizada. Ou seja, a história a ajuda a explicar como chegamos até aqui e a indicar caminhos em direção ao futuro. Mas isso não significa que exista no passado lições preciosas para serem aplicadas no presente ou no futuro. Ao contrário: os erros cometidos no passado provavelmente se repetirão no futuro da mesma forma como ocorrem no presente sob outras circunstâncias. É dessa forma que a aventura humana se processa sobre a face da Terra – uma aventura sujeita a erros, a grandes tragédias, a grandes acertos, a grandes obras de arte e também a grandes genocídios.<BR/>Estudar história, portanto, de certa forma nos dá um senso de humildade perante a jornada dos seres humanos: os que já se foram, nós que estamos aqui e todos os demais que ainda virão.]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>O brasileiro não gosta de vender livros?</title>
      <pubDate>Wed, 27 Apr 2011 01:16:00 -0300</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=97</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[Tenho em casa uma coleção relativamente modesta de livros em inglês. A maioria na área de História, Ciência e Religião, temas que me fascinam. O que mais me encanta nessas obras, porém, são os títulos e subtítulos. Alguns exemplos:<BR/><BR/>- "The great mortality: an intimate history of the Black Death, the most devastating plague of all time", de John Kelly (Harper Collins, 2005)<BR/>- "The age of scurvy: how a surgeon, a mariner and a gentleman helped Britain win the Battle of Trafalgar", de Stephen R. Bown (Summersdale, 2003)<BR/>- "Vienna 1814: how the conquerors of Napoleon made love, war, and pace at the Congress of Vienna", de David King (Harmony Books, 2008)<BR/>- "A crack in the edge of the world: America and the great California earthquake of 1906", de Simon Winchester, Harper Collins, 2005<BR/>- "Unknown quantity: a real and imaginary history of algebra", de John Derbyshire (Joseph Henry Press, 2006)<BR/>- "A history of God: the 4.000 years quest of Judaism, Christianity and Islam", de Karen Armstrong (Ballantine Books, 1993<BR/><BR/>Como se pode ver, são todos títulos e subtítulos provocativos, irresistíveis, destinados a capturar de imediato a atenção do leitor. Essa é uma grande especialidade dos editores ingleses e americanos. Faz parte da estratégia de venda do livro. No Brasil, com raras exceções, não temos nada parecido. Autores e editores brasileiros preferem capas circunspectas, bem comportadas, com títulos às vezes neutros e sem qualquer apelo à curiosidade do leitor. Isso para fica no mercado comercial, que PRECISA vender livro. No ambiente acadêmico, a linguagem se torna ainda mais anódina, com títulos que dizem absolutamente nada.<BR/><BR/>Minha dúvida: brasileiro não sabe, não gosta ou acha que não se deve fazer capas vendedoras?<BR/><BR/>Essa é uma questão que me intriga bastante desde que deixei as redações de jornais e revistas para me dedicar aos livros de história do Brasil. No Jornalismo, editores aprendem desde cedo a produzir títulos, capas, manchetes e chamadas de primeira página destinadas a seduzir o leitor porque sabem que, no dia seguinte, disputam uma guerra selvagem nas bancas. Se o seu jornal ou revista não se diferenciar dos demais na surpresa da linguagem, a venda será um fracasso. É uma eleição dura e cruel a que os editores se submetem a cada nova edição e na qual cabe ao leitor decidir se compra a sua publicação ou a do concorrente. Essa é uma das razões que levaram revistas a desenvolver uma linguagem de capa bastante atraente. No mercado livreiro isso (ainda) não acontece. Entre em uma livraria e observe a linguagem das capas. Elas raramente se diferenciam.<BR/><BR/>Alguns palpites:<BR/><BR/>1 – Em um país em que até recentemente a vasta maioria da população era analfabeta, livro sempre foi um objeto de culto, de acesso restrito a uma escassa minoria de privilegiados. Até o começo do século 20, boa parte dos livros saia das editoras com vendas previamente definidas para um grupo restrito de assinantes. Livrarias eram uma raridade. Num ambiente assim, quem precisa de estratégia de marketing para vender livros?<BR/><BR/>2 – O brasileiro a rigor nunca precisou vender livros. Com poucas e honrosas exceções, autores e editoras sempre dependeram de financiamento oficial para sustentar o seu negócio. Em vez de se arriscar no mercado competitivo e incerto das livrarias, preferiam usar leis de incentivos fiscais (como a Lei Rouanet) para financiar a pesquisa e diluir os custos iniciais de edição. Depois do livro pronto, lutar pela compra garantida de didáticos e paradidáticos pelo governo. Para boa parte dos autores, literatura sempre foi um bico, uma atividade marginal ou acessória ao um bom emprego público. Alguns dos nossos melhores escritores foram diplomatas ou funcionários do Estado, caso de João Guimarães Rosa, Érico Veríssimo, João Cabral de Melo Neto, Carlos Drummond de Andrade, para ficar na geração mais recente.<BR/><BR/>O desafio atual é que o mercado editorial brasileiro está mudando rapidamente. Há novos leitores entrando nesse mercado graças a um aumento nos índices de escolaridade e de distribuição de renda. Autores e editores precisam ser generosos com esse leitor novo. Devem fazer livros com linguagem acessível, edição cuidadosa (de preferência com capítulos curtos e tipologia grande, bem legível), preços razoáveis e distribuição eficiente. Há ainda o desafio dos novos formatos. Precisamos perder a ilusão de que é possível atingir todo o público potencial num único formato, só no papel. É necessário ter estratégias multimídias, capazes de atingir diferentes públicos com diferentes formatos. Principalmente, é imprescindível ter boas estratégias de marketing para seduzir esses leitores e aproximá-los cada vez mais do ambiente dos livros. Hoje, a disputa é mais pelo tempo e pela atenção do que pelo dinheiro das pessoas. Títulos de capa inteligentes, provocativos e atraentes, obviamente, não vão sozinhos resolver o desafio. Mas ajudam.]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>O grande segredo português</title>
      <pubDate>Fri, 22 Apr 2011 12:50:07 -0300</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=95</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[Ainda existem muitos mistérios e lacunas a serem preenchidas na história do Brasil. As circunstâncias do descobrimento são um bom exemplo. Pela história oficial, Pedro Álvares Cabral avistou, ainda em alto mar, “um grande monte, muito alto e redondo”, na região sul da Bahia. Como era dia 22 de abril de 1500, véspera do Dia de Páscoa, batizou-a de Monte Pascoal, segundo a descrição do escrivão da frota, Pero Vaz de Caminha. Esse relato da chegada, enviado por Caminha ao rei D. Manuel I, é minucioso e poético, mas não resolve as muitas incógnitas que, com o passar do tempo, os historidores tentam decifrar. Uma delas refere-se ao local exato da chegada. No Rio Grande do Norte, um grupo de pesquisadores defende a tese que o acidente geográfico avistado por Cabral seria, na verdade, o Monte Cabugi, uma elevação igualmente cônica que, situada a meia distância entre Natal e Mossoró, também pode ser observada de alto mar. Em Pernambuco, alguns estudiosos dizem ter sido o Cabo de Santo Agostinho, no litoral sul do Estado, o primeito ponto de contato dos portugueses na costa brasileira.<BR/><BR/>O maior mistério, porém, diz respeito à própria data do Descobrimento. Há inúmeras evidências de que os portugueses já teriam chegado ao Brasil antes de 1500. E, talvez, também navegadores de outros países. Um deles seria o francês Jean Cousin, que, segundo um texto do final do século 18, alcançara o  litoral brasileiro em 1492, mesmo ano em que Cristovão Colombo chegou ao Caribe. Estudos do almirante brasileiro Max Justus Guedes indicam que dois espanhóis, Vicente Pinzón e Diogo de Lepe, percorreram a costa entre o Ceará e o Amapá em 1499, um ano antes da chegada de Cabral. Há ainda aqueles que defendem a primazia para Cabo Frio, litoral do Rio de Janeiro, supostamente visitada pelo italiano Américo Vespúcio algum tempo anos dos portugueses. É possível que essas viagens tenham acontecido, mas o que dá aos portugueses a a condição de protagonistas do descobrimento foi o fato de o terem anunciado ao mundo e, principalmente, tomado posse da nova terra. Mesmo nesse caso, há suspeita de que a data seria anterior a 1500.<BR/><BR/>Para entender as circunstâncias da descoberta do Brasil é preciso levar em conta os esforços que, por essa época, os portugueses faziam para chegar às índias – nome genérico dado às terras do oriente onde se localizavam, além do próprio sub-continente indiano, as ilhas das especiarias asiáticas. Durante quase um século Portugal perseguiu com determinação o dominio das técnicas que navegação que, finalmente, levariam Vasco da Gama à Índia contornando o extremo sul do continente africano, em 1497. Era um empreendimento de natureza tão estratégica que seus detalhes foram mantidos em absoluto sigilo.<BR/><BR/>Um grande enigma encobre os nove anos entre a viagem de Bartolomeu Dias, primeiro navegador a cruzar o Cabo da Boa Esperança, na atual África do Sul, em 1488, e a viagem de Vasco da Gama. Nos arquivos portugueses da época não há registro de uma única viagem ao Atlântico Sul nesse intervalo. É como se, depois de cruzar o tenebroso cabo, os portugueses tivessem entrado num período “sabático” na exploração das rotas marítimas. Há fortes evidências, no entanto, de que, nesses nove anos de aparente calmaria, os portugueses navegaram mais do que nunca, enviando seguidas missões exploratórias à região. O historiador português Armando Cortesão, por exemplo, encontrou os registros de encomendas de uma antiga padaria situada no bairro do Restelo, próxima ao local de onde partiam os navios portugueses. Durante esses nove anos de suposta inatividade, o tal padaria forneceu biscoitos para mais de cem viagens oceânicas de longa duração.<BR/><BR/>Por que tanto segredo? Uma razão é que, nessa época, Lisboa estava infestada de espiões, pagos pelos governos de outros países europeus com a missão de obter informações sobre as novas descobertas portuguesas. O maior desses segredos era justamente a travessia do Atlântico Sul a caminho das índias. Até a viagem de Vasco da Gama, acreditava-se que a rota natural seria contornar a África, a curta distância do continente, até encontrar as águas do Oceano Índico. Havia, porém, dois obstáculos: os ventos e as correntes marítimas contrárias impediam o avanço dos navios. Coube as portugueses desenvolver uma rota alternativa, a chamada “Volta Grande”, pela qual os navios se distanciavam da costa africana até altura do Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco, e daí, sim, embicavam rumo ao Cabo da Boa Esperança. Era um desvio tão acentuado para oeste que seria praticamente impossível não avistar o litoral brasileiro.<BR/><BR/>Havia um segundo motivo para manter segredo. Até o Tratado de Tordesilhas, de 1494, Portugal não tinha autorização papal para explorar e ocupar as novas terras da América, que eram igualmente reivindicadas pela Espanha e pela França. Desse modo, ainda que tivessem chegado ao Brasil, os portugueses não poderiam fincado aqui os famosos marcos de pedra, conhecidos como Padrões do Descobrimento, que indicavam a posse do território. Essa dificuldade explicaria a presença, por essa época, de um personagem misterioso no litoral paulista, o Bacharel de Cananéia. Proprietário de grandes extensões de terra e com numerosa familia, o Bacharel já estaria na região na época em que Cabral chegou à Bahia. Sua origem e identidade, porém, permanecem até hoje incertas. Quem seria o tal Bacharel? Uma hipótese é de que teria sido um “marco humano”, deixado no litoral paulista para marcar a presença portuguesa em lugar dos marcos de pedra. Esta é, pelo menos, a tese defendida pelo historiador João Carlos Borges, secretário de turismo de Cananéia, um especialista no tema.<BR/><BR/>A própria discussão do Tratado de Tordesilhas indica que os portugueses tinham informações detalhadas sobre a localização do Brasil no mapa na América antes de Cabral. Os negociadores, orientados pelo rei D. João II, insistiram que se estendesse de 100 para 370 léguas o meridiano traçado a oeste de Cabo Verde. Sem essa mudança, o Brasil não seria incluído nos dominios portugueses e perteceria à Espanha. Alguns anos mais tarde, um desses negociadores, Duarte Pacheco Pereira, escreveu um livro no qual dizia ter sido enviado pela coroa portuguesa ao Atlântico Sul em 1488, doze anos antes de Cabral, com o objetivo de “descobrir a parte ocidental, passando além da grandeza do Mar Oceano, onde é achada a navegada uma tão grande terra firme com muitas e grandes ilhas adjacentes”. Ou seja, o Brasil. De qualquer modo, só depois do famoso tratado é que os portugueses se sentiram seguros de anunciar para o mundo a sua grande descoberta. Ainda assim, com muita cautela. D. Manuel I demorou um ano para comunicar oficialmente a descoberta do Brasil ao seu sogro, o rei da Espanha. A carta de Caminha ficou escondida na Torre do tombo, em Lisboa, até 1773. Mesmo destino tiveram outros documentos da época que tratava das navegações ao Brasil.<BR/><BR/>As navegações portuguesas eram, portanto, segredo de estado, tanto quanto seriam quatro séculos mais tarde os planos de construção da primeira bomba atômica ou do envio do homem à Lua.<BR/>]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>Os 180 anos da abdicação de D. Pedro I</title>
      <pubDate>Thu, 07 Apr 2011 15:41:45 -0300</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=92</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[O Brasil lembra (ou deveria lembrar) neste Sete de Abril um acontecimento crucial na sua história. É a “nacionalização” de sua Independência ocorrida há exatos 180 anos. Entre as razões contribuíram de forma decisiva para a abdicação de D. Pedro I em 1831 estavam os escândalos da vida privada e sua notória oscilação entre os interesses brasileiros e portugueses. O envolvimento com a Marquesa de Santos e a morte da popular imperatriz Leopoldina, em 1826, chorada até pelos escravos e pessoas mais humildes, causaram revolta em um país ainda muito católico e conservador, cuja população considerava esse tipo de comportamento intolerável. As condições do tratado de reconhecimento da Independência, pelas quais D. Pedro concordara em indenizar os portugueses, eram apontadas pelos brasileiros como uma prova definitiva de que o soberano inclinava-se mais a agradar seus compatriotas de nascimento do que os de sua pátria de adoção. Em nove anos no trono brasileiro, o imperador mudou dez vezes o ministério – em média, mais de uma por ano. Ao todo, teve 45 ministros nesse período, um terço dos quais eram portugueses de nascimento. A crise política do Primeiro Reinado esteve sempre ligada à disputa entre portugueses e brasileiros. Os últimos meses foram de tumultos e sobressalto em todo o país. Na madrugada de Sete de Abril de 1831, faltava pouco para o sol nascer quando o imperador deixou o palácio em roupas civis – um fraque marrom e chapéu redondo. Na ausência da guarda de honra, dois diplomatas, representantes da Inglaterra e da França, o acompanharam até a fragata Warspites, onde permaneceu nos seis dias seguintes. O herói da Independência em 1822 partia para a Europa na condição de vilão, criticado e desprezado pela oposição que o apontava como mais português do que brasileiro. Para trás ficava um país novo, ainda às voltas com as dores do parto de sua Independência, mas agora sem o herdeiro da coroa portuguesa para liderar o processo. A partir daquele momento, a  construção nacional estava finalmente nas mãos dos brasileiros – e só dos brasileiros. Trabalhamos bem desde então nessa tarefa? O dia é para refletir sobre essa pergunta e buscar respostas que nos ajudem a construir o futuro.]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>Agenda do autor na segunda quinzena de março</title>
      <pubDate>Wed, 16 Mar 2011 18:36:15 -0300</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=88</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[Dia 18, sexta-feira, palestra sobre "Os caminhos da Independência" a convite do Centro de Estudos Brasileiros Nelson Werneck Sodre e do Museu da Música no auditório do Sincomércio em Itu, às 19h30;<BR/>...<BR/>Dia 19, sábado, batepapo com os leitores seguido de sessão de autógrafos na Livraria Nobel do novo Villagio Shopping de Sorocaba, a partir das 19h;<BR/>...<BR/>Dia 22, terça,  primeira aula do curso "A formação do Brasil em 1822" na Casa do Saber de São Paulo, às 19h<BR/>...<BR/>Dia 24, quinta, palestra sobre 1822 para professores e estudantes da UniBrasil, em Curitiba<BR/>...<BR/>Dioa 29, terça, segunda aula sobre "A formação do Brasil em 1822" na Casa do Saber de São Paulo<BR/>...<BR/>Dia 30, quarta, palestra sobre 1822 na Casa das Rosas (Av. Paulista, 37), em São Paulo, 19h30<BR/>...<BR/>Dia 31, sexta, palestra sobre "Os caminhos da Independência" em Uberada, a convite da prefeitura e do arquivo público, 19h30, no Centro Administrativo Ataliba Guaritá Neto]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>Os heróis anônimos do Jenipapo</title>
      <pubDate>Sun, 13 Mar 2011 15:36:49 -0300</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=83</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[Chego a Teresina, com chuva e temperatura amena, para a cerimônia de homenagem aos mortos da Batalha do Jenipapo, ocorrida há exatos 188 anos. Foi o mais trágico, e também o mais simbólico, de todos os confrontos da Guerra da Independência. Brasileiros e portugueses se bateram entre as nove horas da manhã e as duas da tarde de 13 de março de 1823 nas margens do Rio Jenipapo, no município de Campo Maior. O resultado foi uma carnificina: cerca de 200 piauienses e cearenses mortos e mais de 500 feitos prisioneiros. As perdas representaram um terço do improvisado exército brasileiro composto em sua maioria por vaqueiros, comerciantes, alguns vereadores, um juiz, além de velhos e adolescentes. Os portugueses, comandados pelo major João José da Cunha Fidié, tiveram apenas dezesseis baixas.<BR/><BR/>Para os portugueses, foi uma vitória com sabor de derrota. Fidié rapidamente chegou à conclusão de que seria inútil resistir à onda revolucionária iniciada mais de um ano antes no Rio de Janeiro com o Dia do Fico (9 de janeiro de 1822) e reforçada no Grito do Ipiranga, a 7 de setembro do mesmo ano. A tragédia do Jenipapo demonstrava a determinação dos brasileiros de lutar ao lado do imperador Pedro I pela independência, mesmo que de forma desorganizada e à custa da própria vida. Por isso, em vez de prosseguir até Oeiras, a então capital do Piaui a esta altura também em mãos dos revolucionários, Fidié decidiu cruzar o Rio Parnaíba e se refugiar na cidade maranhense de Caxias, ainda controlada pelos portugueses. Ali foi cercado, preso e deportado para o Rio de Janeiro.<BR/><BR/>Na tarde deste 13 de março de 2011, os heróis do Jenipapo serão momenageados em cerimônia ao pé do monumento erguido no local da batalha, com a presença do governador Wilson Martins (PSB) e outras autoridades. O monumento está situado em meio a uma floresta de carnaúba às margens da BR-343, a rodovia que liga a capital Teresina à cidade de Parnaíba, no litoral piauiense. Amanhã, segunda-feira, o episódio será lembrado também em sessão solene do Senado proposta pelo senador Wellington Dias (PT-PI). Tive a honra de ser convidado para os dois eventos pela inclusão no livro “1822” de um capítulo sobre a Batalha do Jenipapo. Na solenidade de hoje à tarde vou receber a medalha da Ordem Estadual do Mérito Renascença, a mais alta honraria concedido pelo governo do Piauí. Paranaense de nascimento, sinto-me dessa forma promovido ao posto de piauiense de coração.<BR/><BR/>Infelizmente, a Batalha do Jenipapo costuma ser ignorada pelos brasileiros das outras regiões. Nunca é citada nos livros didáticos e raramente aparece entre os relatos da Independência. As tumbas dos seus heróis anônimos em Campo Maior contem, no entanto, uma preciosa lição. É um erro acreditar que as regiões Norte e Nordeste apenas “aderiram” ao império do Brasil depois que a independência já estava assegurada no sul do país. Por essa interpretação equivocada, a decisão teria se tornado inevitável diante da consolidação do poder de D. Pedro no Rio de Janeiro e do enfraquecimento da metrópole portuguesa às voltas com dificuldades políticas e financeiras. Na verdade, a independência nessas regiões foi conquistada palmo a palmo ao custo de muito sangue e sofrimento. Foi, portanto, uma vitória de todos os brasileiros.]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>Discurso na sessão solene do Senado em homenagem aos heróis do Jenipapo</title>
      <pubDate>Tue, 15 Mar 2011 17:54:13 -0300</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=82</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[<strong>(Pronunciamento do escritor Laurentino Gomes na sessão solene do Senado Federal realizada em Brasilia em 14 de Março de 2011 em homenagem aos heróis da Batalha do Jenipapo)<BR/></strong>….<BR/>Excelentíssimo senhor presidente, senador José Sarney, excelentíssimo senhor governador do Piauí, Wilson Martins, senhores e senhoras parlamentares, demais autoridades presentes.<BR/>….<BR/>É uma grande honra para mim ser convidado a participar desta sessão solene em homenagem aos mortos da Batalha do Jenipapo, a convite do senador Wellington Dias, do PT do Piauí. A Batalha do Jenipapo foi o mais trágico, e também o mais simbólico, de todos os confrontos da Guerra da Independência.<BR/>….<BR/>Em 1822 e 1823, o Brasil enfrentava desafios que, observados hoje, quase dois séculos mais tarde, pareciam insuperáveis. O maior e mais premente de todos era a manutenção de sua integridade territorial. Ao retornar a Lisboa em abril de 1821, o rei D. João VI deixara para trás um Brasil profundamente transformado pelas decisões que havia tomado nos seus treze anos de permanência no Rio de Janeiro. Antes de partir, porém, mandara raspar os cofres públicos. À beira da falência, o novo Brasil deperava-se com graves dificuldades financeiras. Sem forças armadas constituídas, não tinha exército, marinha, dinheiro para contratar oficiais e soldados, comprar navios, armas e munições para sustentar a guerra pela sua independência, que se anunciava longa, cara e desgastante. O isolamento e as rivalidades entre as províncias prenunciavam uma guerra civil, que poderia resultar na fragmentação territorial, a exemplo do que ocorria nas vizinhas colônias espanholas.<BR/>….<BR/>Em Lisboa, as cortes constituintes portuguesas apostavam na fragmentação territorial do Brasil como forma de conter a onda revolucionária desencadeada no Rio de Janeiro no 9 de janeiro de 1822, o célebre Dia do Fico, e tornada irreversível pelo Grito do Ipiranga em São Paulo no dia 7 de setembro do mesmo ano. Em uma série de decisões precipitadas e destituídas de sensibilidade política, as cortes determinaram que cada província elegesse sua própria junta provisória, que se reportaria diretamente a Lisboa e não ao principe regente D. Pedro no Rio de Janero. Nomearam governadores de armas, interventores militares, que da mesma forma obedeceriam ordens diretas da antiga metrópole. Tudo parecia conspirar contra as perspectativas de sucesso do Brasil como nação independente e soberana.<BR/>….<BR/>É neste contexto que se dá o confronto às margens do Rio Jenipapo, no municipio de Campo Maior, interior do Piauí. Nesse local, hoje situado às margens da da BR-343, a rodovia que liga a capital Teresina à cidade de Parnaíba, no litoral piauiense, brasileiros e portugueses se bateram entre as nove horas da manhã e as duas da tarde de 13 de março de 1823. O resultado foi uma carnificina: cerca de 200 brasileiros mortos e mais de 500 feitos prisioneiros. As perdas representaram um terço do improvisado exército brasileiro composto em sua maioria por vaqueiros, comerciantes, alguns vereadores, um juiz, além de velhos e adolescentes. Os portugueses, comandados pelo disciplinado porém insensato major João José da Cunha Fidié, tiveram apenas dezesseis baixas.<BR/>….<BR/>Para os portugueses, foi a vitória com sabor de derrota. A tragédia do Jenipapo demonstrava a determinação dos brasileiros de lutar ao lado do imperador Pedro I pela independência, mesmo que de forma desorganizada e à custa da própria vida. Por isso, em vez de prosseguir até Oeiras, a então capital do Piaui a esta altura também em mãos dos revolucionários, Fidié decidiu cruzar o Rio Parnaíba e se refugiar na cidade maranhense de Caxias, ainda controlada pelos portugueses. Ali foi cercado, preso e deportado para o Rio de Janeiro.<BR/>….<BR/>Hoje, infelizmente, a Batalha do Jenipapo costuma ser ignorada pelos brasileiros das outras regiões. Nunca é citada nos livros didáticos e raramente aparece entre os relatos da Independência. As tumbas dos seus heróis anônimos em Campo Maior contem, no entanto, uma preciosa lição. É um erro acreditar que as regiões Norte e Nordeste apenas “aderiram” ao império do Brasil depois que a independência já estava assegurada no sul do país. Por essa interpretação equivocada, a decisão teria se tornado inevitável diante da consolidação do poder de D. Pedro no Rio de Janeiro e do enfraquecimento da metrópole portuguesa às voltas com dificuldades políticas e financeiras.<BR/>….<BR/>Na verdade, a independência nessas regiões foi conquistada palmo a palmo ao custo de muito sangue e sofrimento. Foi, portanto, uma vitória de todos os brasileiros. É por isso que os baianos celebram o Dois de Julho com tanta alegria e tanto empenho. Pela mesma razão os piauienses, sob a liderança do seu governador Wilson Martins, se reuniram ontem em Campo Maior para lembrar os mortos do Jenipapo. São datas diferentes do Sete de Setembro, mas igualmente importantes para a compreensão do processo de Independência do Brasil. Deveriam, por isso mesmo, ser incluidas no calendário cívico nacional, em vez de ficarem restritas as celebrações regionais.<BR/>….<BR/>O Brasil vive hoje uma experiência inédita na sua história. São 26 anos de exercício continuado da democracia, sem rupturas. Pela primeira vez, todos os brasileiros são chamados a participar por um período tão longo da construção nacional. O sucesso da construção do futuro, no entanto, depende da compreensão, da aceitação e da valorização do passado. Uma sociedade que não estuda história não consegue compreender a si mesma porque desconhece as suas raízes. E se não conhece as suas raízes, dificilmente estará preparada para construir o futuro de forma organizada e estruturada. Só o estudo da história permite iluminar o passado para explicar o presente e preparar a construção do futuro. Estudar, refletir e valorizar episódios como a Batalha do Jenipapo é, portanto, fundamental na construção do Brasil com que todos nós sonhamos.<BR/>….<BR/>Muito obrigado]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>D. Pedro I e a fundação de Petrópolis</title>
      <pubDate>Tue, 01 Mar 2011 19:18:21 -0300</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=77</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[Um leitor me envia email corrigindo uma informação do livro “1822” relacionada às origens da cidade de Petrópolis. Na página 100 da primeira edição da obra escrevi que, na viagem do Rio de Janeiro a Minas Gerais, no final de março de 1822, o jovem príncipe regente D. Pedro passou pela Fazenda do Padre Correia, também chamada de Córrego Seco, no alto da Serra Fluminense. Ficou tão encantado com o lugar que mais tarde compraria a propriedade. Ali seria fundada a cidade de Petrópolis, onde seu filho, D. Pedro II, se refugiaria no verão com a corte do Segundo Reinado. O email do leitor diz que a informação está equivocada. D. Pedro de fato passou pela Fazenda do Padre Corrêa (não Correia), mas a propriedade comprada mais tarde foi na verdade uma fazenda vizinha, esta sim chamada de Córrego Seco, onde seria construída Petrópolis, a primeira cidade planejada do Brasil. Segundo o leitor, a quem agradeço a generosidade da correção, D. Pedro tentou mesmo comprar a Fazenda do Padre Corrêa, mas a herdeira do sacerdote (a esta altura já falecido) se recusou a vendê-la, indicando o vizinho, dono da Córrego Seco, que aceitou o negócio. Peço desculpas aos leitores, em especial aos moradores de Petrópolis, pelo erro, que será corrigido (junto com outros já identificados) nas próxima edições do livro. O trecho correto ficará assim:<BR/><BR/>“<strong>Ao passar pela fazenda do Padre Corrêa, no alto da serra fluminense, ficou tão encantado com o lugar que mais tarde compraria uma propriedade vizinha, outra fazenda chamada Córrego Seco. Ali seria criada a cidade de Petrópolis, onde seu filho, Pedro II, se refugiaria no verão com a corte do Segundo Reinado.”</strong><BR/><BR/>Para outras erratas no livro "1822", ver <BR/><BR/><a href="http://www.laurentinogomes.com.br/blog/?p=46">http://www.laurentinogomes.com.br/blog/?p=46</a>#]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>O itinerário do abandono no Vale do Paraíba</title>
      <pubDate>Fri, 11 Mar 2011 16:10:41 -0300</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=76</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[Refiz durante o feriado de Carnaval parte do itinerário da Independência, o caminho percorrido pelo então príncipe regente D. Pedro entre Rio de Janeiro e São Paulo nas semanas que antecederam o Grito do Ipiranga, em 1822. A Estrada dos Tropeiros é uma via secundária, de aproximadamente 140 quilômetros de extensão, paralela à Via Dutra. Começa na cidade de Silveiras, perto de Cachoeira Paulista, e vai até Bananal, município vizinho de Barra Mansa. Suas numerosas curvas contornam os contrafortes da Serra da Bocaina, a impressionante cadeia de montanhas situada entre o litoral e o vale do Rio Paraíba.<BR/><BR/>Para quem gosta de história, poderia ser um passeio fascinante. Na prática é uma aventura perigosa. Abandonada pelos governos estadual e municipais, a estrada em alguns trechos lembra uma paisagem lunar, repleta de crateras, deslizamentos de encostas ou fendas ocultas no matagal que ameaçam a segurança dos motoristas. Em determinados pontos o asfalto está se desfazendo sob o efeitos das chuvas de verão. A sinalização é precária.<BR/><BR/>D. Pedro saiu do Rio de Janeiro rumo a São Paulo no dia 14 de agosto de 1822, três semanas antes do Grito do Ipiranga. O objetivo da viagem era apaziguar os ânimos na província, dividida entre dois grupos políticos, um ligado à família do ministro José Bonifácio e o outro, ao coronel Francisco Inácio, comandante da força pública e aliado de João Carlos Oeynhansen, presidente da Junta Provisória local. Sua comitiva era diminuta. Ao deixar o Rio de Janeiro, ainda sem a guarda de honra que seria organizada no Vale do Paraíba, o príncipe estava acompanhado por seis pessoas.<BR/><BR/>Na primeira noite dormiu na Fazenda Real de Santa Cruz, ainda no Rio de Janeiro. Nas duas noites seguintes permaneceu na Fazenda das Três Barras, em São João Marcos, cidade hoje inundada pelas águas da represa de uma usina hidrelétrica. No quarto dia estava em Areias, já na atual Estrada dos Tropeiros, onde trocou os animais. Lorena foi o quinto pouso. No sexto dia estava em Guaratinguetá e no sétimo, em Pindamonhangaba. Depois passou por Taubaté, Jacareí, Mogi das Cruzes e, finalmente, Penha, atualmente bairro da zona leste de São Paulo, última escala antes da entrada triunfal na capital paulista.<BR/><BR/>Cenário de um evento tão crucial na história brasileira, a Estrada dos Tropeiros é um exemplo das oportunidades perdidas para o turismo brasileiro pelo abandono de seus monumentos históricos. Nos países mais civilizados, roteiros que exploram acontecimentos históricos são motivo de orgulho e dão dinheiro ao atrair turistas para a região. É o caso de Mont Vernon, na Virginia, onde viveu e morreu George Washington, o primeiro presidente americano. Situado nas vizinhanças da capital, Washington, o local recebe milhares de visitantes todos os meses. Na Inglaterra, os roteiros turísticos mais populares incluem a Torre de Londres, o Muro de Adriano (na fronteira com a Escócia) e os rochedos da cidade de Hastings, lugar do desembarque dos normandos em 1066, os últimos invasores bem sucedidos da ilha. Na França, são incontáveis os sítios históricos também explorados pelo turismo.<BR/><BR/>No Brasil, infelizmente, turismo costuma ser sinônimo de praia, sol, samba e cerveja – e não muito mais que isso. Faltando pouco mais de uma década para as comemorações do bicentenário da Independência, está na hora de as autoridades recuperarem a Estrada dos Tropeiros e transformá-la num bom exemplo na preservação da memória histórica no Brasil. Pode não render tantos votos quanto a distribuição de cestas básicas e o Bolsa Família. Mas é uma questão de dignidade para todos nós brasileiros.<BR/>]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>A morte de mais um jornal</title>
      <pubDate>Wed, 09 Feb 2011 20:21:35 -0200</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=69</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[Por email, um amigo de Curitiba envia-me uma notícia triste: a morte do jornal "O Estado do Paraná", onde trabalhei no início da minha carreira jornalística. Segundo o ex-governador Paulo Pimentel, proprietário da empresa que edita o jornal, os custos tornaram inviável a continuação da edição impressa. De agora em diante, o "Estadinho", como nós jornalistas o chamavam carinhosamente, existirá apenas em versão digital na internet. A crise do meio impresso é mundial, bem conhecida e, aparentemente, inavitável. Entre outras vítimas, já abateu o "Jornal do Brasil", do Rio de Janeiro, que durante muitos anos foi considerado o melhor diário brasileiro. Trabalhei no "Estadinho" como repórter de política, encarregado da cobertura da Assembléia Legislativa do Paraná, entre 1978 e 1979. Tempos duros, de ditadura militar, em que a sessão de política era das mais visadas para censura. Felizmente, nessa época, já sob governo Geisel, já não havia censura na redação do "Estadinho". Ainda assim, uma reportagem mais ousada poderia render grandes dores de cabeça para um jornalista. Algum tempo depois, por exemplo, tive minha credencial de repórter negada pela 5ª Região Militar (sede do comando do Exército no Paraná) depois de escrever uma reportagem para o "Estadão", de São Paulo, relatando as vaias que o presidente João Figueiredo (sucessor de Geisel) sofrera numa visita a Curitiba. No "Estadinho" tive como editor o jornalista Hugo Santana, um dos melhores e mais genorosos professores que encontrei nas muitas redações em que trabalhei desde entãos. Ante, eu tinha trabalhado no "Correio de Notícias", de Curitiba, que também já morreu, abatido pela crise. Os jornais impressos estão em crise, mas isso não significa que o jornalismo também esteja condenado à morte. Ao contrário. Meu consolo é saber que os meios passam, mas o (bom) conteúdo permanece. Jornalismo honesto, bem feito, com reportagem e informações bem apuradas, continuará a ser tão relavante no meio digital quando foi até hoje no meio impresso. Marshall McLuhan, mago da Teoria da Comunicação, afirmava que "o meio é a mensagem". Eu diria que a mensagem é a mensagem, indendependente do meio. Se o conteúdo for bom, o meio adapta-se a ele. É, portanto, na qualidade do conteúdo que temos de nos concentrar para garantir o futuro desta profissão.]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>Na internet, o anúncio da venda da casa do “Patriarca”</title>
      <pubDate>Tue, 25 Jan 2011 18:06:15 -0200</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=66</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[Uma pesquisa no Google com as palavras “José Bonifácio” e “Ilha de Paquetá” leva a um anúncio curioso. Assinado pela corretora de imóveis Eliane Machado, do Rio de Janeiro, oferece para venda nada menos do que a casa em que José Bonifácio de Andrada e Silva, o “Patriarca da Independência”, passou os últimos anos de sua vida. Em uma gravação de 7’22 no Youtube, Eliane descreve o imóvel e, sem dar valores, fala da “oportunidade de reconhecimento e resgate desta figura histórica” para empresas ou instituições eventualmente interessadas em adquiri-lo. Também mostra várias fotos, supostamente da casa à venda, e até sugere alguns possíveis usos futuros do terreno que, segundo ela, teria 4.000 metros quadrados: “Podem ser construídos prédio com apartamentos ou casas. Serve para centro cultural e a parte do terreno pode ser hotel, ou clube de funcionários de empresas.”<BR/><BR/>O desprezo pelos monumentos históricos no Brasil não é novidade. No livro “1808” fiz diversas referências ao estado de abandono de alguns locais do Rio de Janeiro, entre eles o próprio Palácio da Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, e o Paço Imperial, no centro da cidade, cenários de alguns dos eventos mais importantes ligados à presença da corte de D. João no Brasil e à própria Independência em 1822. Ainda assim, é chocante encontrar na internet anúncios como esse que colocam à venda um pedaço fundamental da nossa história.<BR/><BR/>José Bonifácio morreu às 3 horas da madrugada de Seis de abril de 1838 em Niterói, mas os últimos cinco anos de vida na Ilha de Paquetá, situada na Baía da Guanabara, onde se recolhera em exilio voluntário e desiludido com os rumos da política brasileira. Afastado da tutoria de D. Pedro II em 1833, foi preso por “conspiração e perturbação da ordem pública”. Acusavam-no de liderar um complô para trazer D. Pedro I de volta ao Brasil. Julgado à revelia, acabou absolvido depois de dois anos. Seus restos mortais estão hoje depositados no Panteão dos Andradas, monumento erguido em memória à família do Patriarca na cidade de Santos.<BR/><BR/>De Itu, onde moro e atualmente me dedico à pesquisa do próximo livro (“1889”, sobre a Proclamação da República), tentei ligar várias vezes para os três telefones que aparece no anúncio publicado por Eliane Machado: (021) 9577 7022, 3397 0257, 3397 0899. Nenhum responde ao chamado. O escritor Olav Schader, que me alertou para a existência do anúncio, enviou-me um email dizendo ter visitado o imóvel à venda e conversado com a corretora. “Ironicamente, me pareceu uma pessoa idônea e simpática, preocupada com a preservação do lugar”, escreveu Olav. Segundo ele, A casa na "Ilha dos Amores", como D. João VI chamava Paquetá, onde tantas vezes se hospedou, chegando na sua galeota e com seus remadores açorianos, é praticamente uma ruina fechada ao publico cinicamente chamada de "biblioteca". O teto desabou recentemente. “As comemorações do bicentenário da chegada da corte, em 2008, passaram ao largo de um de seus lugares mais emblemáticos”, diz Olav.<BR/><BR/>Infelizmente, não consegui avançar mais nas investigações. Fica, portanto, como sugestão de pauta para algum colega jornalista do Rio de Janeiro que eventualmente queira se interessar pelo assunto.<BR/><BR/>Endereço do anúncio:<BR/><BR/><a href="http://ilhadepaqueta-imoveis2.blogspot.com/">http://ilhadepaqueta-imoveis2.blogspot.com/</a>]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>Os meus melhores livros da década</title>
      <pubDate>Fri, 31 Dec 2010 14:25:29 -0200</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=61</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[Véspera de Ano Novo, início de uma nova década, hora de fazer alguns balanços. O meu é de alguns livros notáveis que li nos últimos dez anos. São trinta livros divididos em três categorias (dez em cada uma): literatura de ficção, história universal e história brasileira . Nem todos foram lançados na última década. Alguns são bem antigos, mas só nestes últimos anos tive a sorte de encontrá-los:<BR/><BR/><em> </em><BR/><BR/><strong>Literatura de ficção:</strong><BR/><BR/>1 – <em>Equador</em>, de Miguel Sousa Tavares<BR/><BR/>2 – <em>2666</em>, de Roberto Bolaño<BR/><BR/>3 – <em>A trégua</em>, de Mário Benedetti<BR/><BR/>4 – <em>Trem noturno para Lisboa</em>, de Pascal Mercier<BR/><BR/>5 – <em>A viagem do elefante</em>, de José Saramago<BR/><BR/>6 – <em>Venenos de Deus, remédios do diabo</em>, de Mia Couto<em> </em><BR/><BR/><em>7 - O filho eterno</em>, de Cristóvan Tezza<BR/><BR/>8 – <em>A boca da verdade</em>, de Mário Sabino<BR/><BR/>9 – <em>Se eu fechar os olhos agora</em>, de Edney Silvestre<BR/><BR/>10 – <em>Órfãos do eldorado</em>, de Milton Hatoum<BR/><BR/><em> </em><BR/><BR/><strong>História geral:</strong><BR/><BR/>1 – <em>Guns, germs, and steel</em>, de Jared Diamond<em> </em><BR/><BR/>2 – <em>The scents of eden: a history of the spice trade</em>, de Charles Corn<BR/><BR/>3 – <em>In the hearth of the sea</em>, de Nathaniel Philbrick<BR/><BR/>4 – <em>Over the edge of the world: Magellan's terrifying circumnavigation of the globe</em>, de Laurence Bergreen<BR/><BR/><em>5 - 1776</em>, de David MacCullough<BR/><BR/>6 – <em>The Founding Brothers</em>, de Joseph Ellis<BR/><BR/>7 – <em>A history of the American people</em>, de Paul Johnson<BR/><BR/>8 – <em>The purpose of the past: reflections on the uses of history,</em> de Gordon S. Wood<BR/><BR/>9 – <em>The first global village: how Portugal changed the world</em>, de Martin Page<BR/><BR/><em>10 - O império marítmo português: 1415-1825,</em> de Charles Boxer<BR/><BR/><strong> </strong><BR/><BR/><strong>História do Brasil:<em> </em></strong><BR/><BR/><em>1 - D. Pedro II,</em> de José Murilo de Carvalho<BR/><BR/><em>2 - A interiorização da metrópole e outros estudos</em>, de Maria Odila Leite da Silva Dias<em> </em><BR/><BR/><em>3 - Independence or Death: British sailors and Brazilian  Independence, 1822-1825,</em> de Brian Vale<em></em><BR/><BR/><em>4 - A longa viagem da biblioteca dos reis: do terremoto de Lisboa à Independência do Brasil,</em> de Lília Mortiz Schwarcz<em></em><BR/><BR/><em>5 - História dos fundadores do Império do Brasil: a vida de D. Pedro I</em> (três volumes), de Otávio Tarquínio de Sousa<BR/><BR/><em>6 - A corte no exílio,</em> de Jurandir Malerba<em></em><BR/><BR/><em>7</em><em> - Empire adrift - the portuguese court in Rio de Janeiro, 1808-1821,</em> de Patrick Wilcken<em></em><BR/><BR/><em>8 - A Devassa da Devassa – a inconfidência mineira: Brasil e Portugal (1750-1808)</em>, de Kenneth Maxwell<em></em><BR/><BR/><em>9 - Insultos impressos: a guerra dos jornalistas na Independência (1821-1823),</em> de Isabel Lustosa<em></em><BR/><BR/><em>10 - Condessa de Barral: a paixão do Imperador,</em> de Mary Del Priore]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>"A Trégua", de Mario Benedetti</title>
      <pubDate>Tue, 28 Dec 2010 20:52:33 -0200</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=58</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[Terminar a leitura de um livro excepcional sempre produz em mim uma estranha sensação de desamparo, de perda irreparável. Foi assim, ainda na juventude, com "Olhai os lírios do campo", de Érico Veríssimo; "Crime e Castigo", de Dostoiésvesky; e "Guerra e Paz", de Tolstói. Depois, já na maturidade, com "Cem Anos de Solidão", de Gabriel Garcia Marquez, e "Conversa na Catedral", de Mario Vargas Llosa. Mais recentemente, com "Equador", de Miguel Sousa Tavares, e "2666", de Roberto Bolaños. E, agora, com "A Trégua", do uruguaio Mário Benedetti (Alfaguara, 2007), que acabei de ler nesta véspera do Ano Novo de 2011. Um livro inesquecível, tocante, desses que deixam marcas para sempre. Benedetti morreu há pouco mais de um ano, em maio de 2009, aos 89 anos. Foi vendedor, taquígrafo, contador, funcionário público e jornalista. Em 1973, após o golpe militar no Uruguai, iniciou um longo exilio, de doze anos, que o levou a viver na Argentina, no Peru, em Cuba e na Espanha. "A Trégua", de 1960, é considerado seu melhor romance. Adaptado para o cinema por Sérgio Renan, foi indicado para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1974, mas perdeu para Amarcord, de Fellini. Escrito em forma de diário, conta a história de Martín Salomé, um homem prestes a completar 50 anos, viúvo há duas décadas, atormetado pela perspectiva da aposentadoria e pela constatação de que sua vida rotineira, previsível e cinzenta está se consumindo de forma irremediável. Tudo muda com a chegada de Laura Avellaneda, uma jovem franzina e discreta, com quem voltará a conhecer o amor. Benedetti usa as palavras de forma incisiva, às vezes desconcertante e demolidora. Em determinado trecho, descreve o mar: "Vejo esse mar implacável e desolado, tão orgulhoso de sua espuma e de sua coragem, levemente salpicado de gaivotas ingênuas, quase irreais, e de imediato me refugio numa irresponsável admiração". Mais adiante: "Esse mar é uma espécie de eternidade. Quando eu era menino, ele batia e batia, mas também batia quando meu avô era menino, quando o avô do meu avô era menino. Uma presença móvel, mas sem vida. (...) Testemunha da história, testemunha inútil, porque não sabe da história". São 180 páginas que se esvaem como todos os bons momentos fugazes e transitórios da vida. E agora?]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>É preciso salvar o Prêmio Jabuti</title>
      <pubDate>Mon, 15 Nov 2010 23:13:22 -0200</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=56</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[O mercado editorial brasileiro foi surpreendido pela decisão de sua maior editora, a Record, de não mais participar do Jabuti, o mais tradicional prêmio literário do país, da Câmara Brasileira do Livro (CBL). Sérgio Machado, dono da Record, alega que sua editora foi prejudicada duas vezes nos últimos três anos por “critérios políticos” supostamente usados na premiação. Embora Machado não tenha entrado em detalhes, todo o mercado editorial sabe do que se trata. Em 2008, Cristóvão Tezza, editado pela Record, ganhou o prêmio de Melhor Romance com “O Filho Eterno” na primeira rodada de votação do Jabuti, mas estranhamente perdeu o prêmio maior, de Livro do Ano de Não-Ficção, para Inácio de Loyola Brandão, com “O menino que vendia palavras”. Este ano a estranheza se repetiu. Edney Silvestre, também da Record, ganhador da categoria Melhor Romance com “Se eu fechar os olhos agora”, foi preterido na entrega do prêmio máximo da categoria ficção, concedido a “Leite Derramado”, de Chico Buarque de Holanda, que havia ficado em segundo lugar na rodada anterior. A decisão da Record é ruim para todos que defendem um mercado editorial ágil e vigoroso no Brasil. Em meados dos Anos 90, quando eu era ainda editor da revista Veja, testemunhei uma situação semelhante no Jornalismo. Naquela época, igualmente inconformada com os critérios de escolha do Prêmio Esso de Jornalismo, a Veja decidiu não mais concorrer à premiação. Todos saíram perdendo. Sem a participação de um dos maiores veículos de comunicação do país, o Esso rapidamente perdeu sua relevância, para tristeza de milhares de jornalistas que todo ano sonhavam com essa premiação. É preciso evitar que isso se repita com o Jabuti. Se a Record está infeliz com os critérios da premiação, a CBL deve rapidamente se mobilizar em busca de uma fórmula que seja mais justa e adequada para todos os envolvidos no Jabuti. A hora é de negociação e entendimento, não de confronto. A literatura brasileira merece esse esforço.<BR/><BR/><a href="http://www.publishnews.com.br/telas/noticias/detalhes.aspx?id=60863">http://www.publishnews.com.br/telas/noticias/detalhes.aspx?id=60863</a>]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>O futuro é digital e multimidia, mas o livro sobreviverá</title>
      <pubDate>Thu, 11 Nov 2010 20:24:05 -0200</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=52</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[Em uma palestra em Araxá (MG) dias atrás, uma estudante da Uniaraxá perguntou-me sobre o futuro do livro em papel e as perspectivas da literatura em novos formatos digitais. Acho que não podemos confundir o futuro do livro com o futuro do papel. O formato de distribuição está mudando, mas a relevância conteúdo permanecerá. As obras-primas da literatura se perpetuarão no meio digital tanto quanto já foram no pergaminho e hoje são no papel. Mas nós, jornalistas, escritores e editores, precisamos nos preparar para as mudanças. Eu uso intensamente as novas tecnologias, em especial a internet e as redes sociais, em uma tentativa de chegar a novos leitores. Estamos em um novo século que pede uma nova linguagem e novos formatos capazes de atingir novas audiências. Uma das características mais curiosas do mundo contemporâneo é que, apesar da globalização, as pessoas estão se organizando em comunidades que consomem informação, cultura e entretenimento de forma diferente no tempo, no espaço e no formato. É como se fossem alvéolos de uma grande colméia global. Há um público jovem que, aparentemente, não está lendo muito no papel, mas passa boa parte do tempo surfando na internet e é muito seduzido pela linguagem audiovisual. Para atingir essas diferentes comunidades é preciso ser multimidia. Tudo isso ajuda a aumentar o interesse pela leitura do livro, ainda que o papel esteja com seus dias contados.]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>Atirem na prova errada, mas não matem o ENEM</title>
      <pubDate>Mon, 08 Nov 2010 19:14:51 -0200</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=48</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[O erro na prova de História do ENEM 2010, que usou meu livro “1808” como fonte de referência, gerou repercussão maior do que eu imaginava. Passei o dia dando entrevistas sobre o assunto. O erro, infelizmente, foi do MEC, não meu. Na prova, 1810 aparece como a data da abertura dos portos pelo príncipe regente D. João, quando o correto é 28 de Janeiro de 1808, uma semana após a chegada da família real portuguesa a Salvador fugindo das tropas do imperador Napoleão Bonaparte. Como escrevi nos posts anteriores, erros de revisão e checagem acontecem. São os fantasmas que assombram escritores, jornalistas e todos os que se dedicam à árdua tarefa de escrever. Num texto de jornal, que no dia seguinte servirá para embrulhar peixe, são quase inócuos. Numa prova do ENEM, podem ter consequências desastrosas ao comprometer o desempenho do estudante que faz a teste. Pior: podem servir de munição para os que combatem o sistema de avaliação no ensino. O ENEM é uma conquista do sistema educacional brasileiro. Em qualquer país medianamente desenvolvido, escolas, professores e estudantes são submetidos regularmente a provas de avaliação que ajudam a corrigir deficiências estruturais na educação. Sou contra, portanto, que usem o erro da prova de domingo para atacar a própria existência do ENEM. Mas que sirva de lição: em benefício de sua própria imagem e das conquistas alcançadas pela educação brasileira nos últimos anos, o MEC não deveria economizar na contratação de bons revisores e checadores.]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>Sobre erros de revisão</title>
      <pubDate>Mon, 08 Nov 2010 01:02:59 -0200</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=46</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[No post anterior, escrevi que erros de revisão, infelizmente, são relativamente comuns em jornais, revistas e livros, mas não deveriam acontecer em uma prova do ENEM. Em respeito aos meus leitores, que tem me ajudado nessas correções, segue uma lista de erros que aparecem no livro "1822", recem lançado. A correção está sendo providenciada pelas minhas editoras no Brasil e em Portugal:<BR/>- a data correta da dissolução da constituinte é 12 de Novembro de 1823, como aparece no capítulo "O trono e a constituinte" (não 12 de Outubro, como está na "linha do tempo" logo na abertura do livro)<BR/>- Em 1826, D. Pedro assume o trono português com o nome de D. Pedro IV, como corretamente também aparece no capítulo "D. Pedro I" (não Pedro VI, como está na "linha do tempo");<BR/>- Ainda na "linha do tempo", Beethoven morreu em 26 de Março de 1827 (não 1826). Schubert, em 19 de Novembro de 1828;<BR/>- 1834, nome correto do local da assinatura do tratado entre D. Pedro e D. Miguel é Évora Monte (não Monte Évora)<BR/>- José Bonifácio descreveu doze tipos de minérios, não de rochas (que são um composto de minerais).<BR/>- José Bonifácio morreu em Niterói, não em Paquetá (onde passou os últimos anos de vida).<BR/>- No capítulo "O trono e a constituinte", a data correta da Lei Áurea é, obviamente, 1888 (não 1889)<BR/>- No último capítulo, “O Fim”, em vez de “baterista Tony Belotto”, o correto é “guitarrista" (da banda Titãs)]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>Agenda do autor em novembro</title>
      <pubDate>Wed, 03 Nov 2010 14:56:45 -0200</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=33</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[<p>Laurentino Gomes continua viajando pelo Brasil. Em novembro, o autor passará por Porto Alegre, Araxá, Ouro Preto, Natal, Recife e outras cidades. Confira a programação:</p><BR/><p><strong>1 de novembro</strong> – 55º. Feira do Livro - Porto Alegre- debate com os historiadores Mary Del Priore e Renato Venancio - 18h</p><BR/><br><br><BR/><p><strong>3 de novembro</strong> - FNAC - Porto Alegre - 19h</p><BR/><br><br><BR/><p><strong>4 de novembro</strong> -  Unisinos – Universidade do Vale dos Sinos - Sao Leopoldo - 19h</p><BR/><br><br><BR/><p><strong>5  de novembro</strong> - Abertura da 24ª. Feira do Livro de Passo Fundo -  19h</p><BR/><br><br><BR/><p><strong>8 de novembro</strong> – Sempre Um Papo - no hotel Araxá,  em Araxá - 20h</p><BR/><br><br><BR/><p><strong>12 de novembro</strong> – Conversa entre Amigos - Inácio Martins - 9h</p><BR/><br><br><BR/><p><strong>13 de novembro</strong> – Fórum das Letras - Ouro Preto - 15h</p><BR/><br><br><BR/><p><strong>16 de novembro</strong> – Livraria Cultura – Fortaleza – das 19 às 21h30</p><BR/><br><br><BR/><p><strong>17 de novembro</strong> – Siciliano Midway Mall  - Natal - 19h</p><BR/><br><br><BR/><p><strong>18 de novembro</strong> - Festival Literário de Pipa - 19h</p><BR/><br><br><BR/><p><strong>22 de novembro</strong> – Saraiva MegaStore Recife - 19h</p><BR/><br><br><BR/><p><strong>24 e  25 de novembro</strong> – Livrarias Catarinenses - Florianópolis e Balneário Camboriú - <BR/>19h</p>]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>Erro na prova do ENEM 2010</title>
      <pubDate>Mon, 08 Nov 2010 00:33:08 -0200</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=32</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[A prova de História do ENEM 2010, que usa meu livro "1808" como fonte de referência, cita 1810 como data da abertura dos portos por D. João. O erro, infelizmente, é do MEC, não meu. A data correta, que aparece no capítulo Salvador do livro, pág. 116, é 28 de janeiro de 1808. Erros de revisão costumam ser relativamente comuns em jornais, revistas e livros. Nas primeiras edições do próprio "1808" o nome de Tiradentes aparecia como José Joaquim da Silva Xavier, quando o correto é Joaquim José. Mas uma prova do ENEM, alvo frequente de críticas de professores e estudantes, deveria merecer uma checagem mais cuidadosa.]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>Agenda do autor em outubro</title>
      <pubDate>Thu, 07 Oct 2010 15:58:03 -0300</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=24</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[<em>A agenda de Laurentino Gomes está cheia de atividades neste mês de outubro pelo Brasil. Confira as informações sobre os eventos e as próximas sessões de autógrafo em estados como: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Distrito Federal:</em><BR/><BR/><em> </em><BR/><BR/>5/10 –   Palestra “1822” e sessão de autógrafos - São Paulo - Livraria da Vila – loja Lorena  - 19h30<BR/><BR/>6/10 -    Palestra “1822” e sessão de autógrafos - Rio de Janeiro - Livraria Argumento – 19h       <BR/><BR/>8/10 -  Palestra de abertura do “Festival Literário da Festa Portuguesa de Cabo Frio”- Cabo Frio – 19h<BR/><BR/>13/10 - Palestra “1822” e sessão de autógrafos – Piracicaba - Livraria Nobel - 19h30<BR/><BR/>14/10 - Palestra “1822” e sessão de autógrafos - Livraria FNAC  Campinas - 19h<BR/><BR/>15 e 16/10 - Palestra “1822” e sessão de autógrafos - Feira de Caxias do Sul -    Caxias do Sul    <BR/><BR/>18/10 – Palestra “1822” e sessão de autógrafos -Academia Sorocabana de Letras - Sorocaba<BR/><BR/>19/10  Palestra “1822” e sessão de autógrafos - FNAC Pinheiros -São Paulo       <BR/><BR/>20, 21 e 22 de outubro Palestra “1822” e sessão de autógrafos – Ale Grandes Escritores - Juiz de Fora e Montes Claros               <BR/><BR/>26/10 - Palestra “1822” e sessão de autógrafos -  Salvador – Saraiva MegaStore Salvador Shopping      <BR/><BR/>28/10 -  Palestra “1822” e sessão de autógrafos - Brasília – Saraiva MegaStore Shopping Pátio Brasil]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>Agenda do autor</title>
      <pubDate>Wed, 08 Sep 2010 20:57:03 -0300</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=20</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[A agenda de Laurentino Gomes volta repleta de atividades neste mês de setembro. Confira as informações sobre os eventos oficiais de lançamento e as próximas sessões de autógrafo:<BR/><BR/>08/09 – Lançamento e sessão de autógrafos na Livraria Cultura, em São Paulo/SP;<BR/><BR/>09/09 – Palestra e sessão de autógrafos na Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro/RJ;<BR/><BR/>13/09 - Palestra e sessão de autógrafos na Saraiva MegaStore, em Campinas/SP;<BR/><BR/>15 a 17/09 - Palestra e sessão de autógrafos na Unicuritiba e Livrarias Curitiba, em Curitiba/PR;<BR/><BR/>19 a 26/09 – Lançamento, palestra e sessão de autógrafos em Lisboa e Porto, Portugal;<BR/><BR/>29/09 a 01/10 - Participação no “Sempre um Papo”, em Belo Horizonte, Sete Lagoas e Ouro Preto/MG.]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>1822</title>
      <pubDate>Wed, 25 Aug 2010 20:21:54 -0300</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=15</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[Do mesmo autor de "1808" Laurentino Gomes<BR/><BR/>Nesta nova aventura pela História, Laurentino Gomes, o autor do best-seller "1808", conduz o leitor por uma jornada pela Independência do Brasil. Resultado de três de pesquisas e composta por 22 capítulos intercalados por ilustrações de fatos e personagens da época, a obra  cobre um período de quatorze anos, entre 1821, data do retorno da corte portuguesa de D. João VI a Lisboa, e 1834, ano da morte do imperador Pedro I. Este livro procura explicar como o Brasil conseguiu manter a integridade do seu território e se firmar como nação independente em 1822", explica o autor. "A Independência resultou de uma notável combinação de sorte, acaso, improvisação, e também de sabedoria de algumas lideranças incumbidas de conduzir os destinos do país naquele momento de grandes sonhos e perigos”.]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>Laurentino Gomes fala sobre os caminhos da Independência na Bienal do Livro de São Paulo</title>
      <pubDate>Wed, 11 Aug 2010 17:24:33 -0300</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=5</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[Autor do bestseller “1808”, o jornalista e escritor Laurentino Gomes vai contar na 21ª Bienal do Livro de São Paulo, dia 22 de agosto, às 15h, como a fuga da familia real portuguesa para o Rio de Janeiro, duzentos anos atrás, pavimentou o caminho do Brasil rumo à Independência. Esse é o tema do seu próximo livro, “1822”. A obra tem lançamento previsto no Brasil para a primeira semana de setembro pela editora Nova Fronteira e em Portugal para a terceira semana do mesmo mês pela Porto Editora. “O Grito do Ipiranga foi uma consequência óbvia e inevitável da chegada da corte de D. João ao Brasil”, diz Laurentino. “É quase impossível entender a Independência sem observar as grandes e profundas transformações ocorridas na antiga colônia portuguesa nos treze anos anteriores como resultado da permanência da familia real nos trópicos”.<BR/><BR/>Com “1808”, Laurentino Gomes ganhou o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em duas categorias: Melhor Livro Reportagem e Livro do Ano de Não-Ficção. Sua obra também foi eleita o Melhor Ensaio de 2008 pela Academia Brasileira de Letras e permaneceu três anos consecutivos na lista dos livros mais vendidos de Portugal e do Brasil. Nascido em Maringá, é formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná, com pós-graduação em Administração pela Universidade de São Paulo. Trabalhou como repórter e editor para o jornal O Estado de S. Paulo e a revista Veja e foi diretor da Editora Abril. É membro titular da Academia Paranaense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo.<BR/>?<BR/><BR/>Para saber mais: <a href="../../">www.laurentinogomes.com.br</a><BR/><BR/><strong>Agenda de Laurentino Gomes na 21ª Bienal do Livro de São Paulo:</strong><BR/><BR/><strong><BR/></strong><BR/><BR/>Dia 22, às 15h – Participação no Café Literário]]></description>
    </item>
      <item>
      <title>Sobre</title>
      <pubDate>Wed, 11 Aug 2010 16:17:43 -0300</pubDate>
      <link>http://www.laurentinogomes.com.br/noticias.php?id=2</link>
      <category>Notícias</category>
      <description><![CDATA[Este é um exemplo de uma página do WordPress, você poderia editá-la com informações sobre você ou sobre o seu site para os seus leitores saberem de onde você é. Você pode criar quantas páginas e sub-páginas quiser e gerenciar todo o seu conteúdo dentro do WordPress.]]></description>
    </item>
    </channel>
</rss>

